sexta-feira, 10 de maio de 2019

NORMAN GEISLER E OS DOIS LADRÕES AO LADO DE JESUS



Eustáquio



                 
                 O norte-americano Bart D. Ehrman (teólogo, historiador, graduado em grego e hebraico, especialista em Novo Testamento, professor de cristianismo há mais de 30 anos numa universidade na Carolina do Norte (EUA), em seu livro “Quem Jesus foi? Quem Jesus não foi?”, 2010, editora Ediouro, nas páginas 17 e 18, escreve:




                    “A Bíblia está repleta de discrepâncias, muitas delas contradições inconciliáveis (...) Os Evangelhos se contradizem em muitos pontos e incluem material não histórico.”



                     Muito bem! Neste artigo, mostrarei mais uma passagem bíblica que comprova a afirmação de Bart Ehrman. Antes, formulo a seguinte pergunta:


                     No Novo Testamento, os dois ladrões injuriaram a Jesus, ou apenas um ladrão injuriou a Jesus?


                    Os relatos acerca da crucificação de Jesus estão nos 4 evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Então a resposta à pergunta formulada acima deve ser procurada nesses livros, não é mesmo? Para ser mais claro ainda, eu quero saber se aqueles dois ladrões que estavam ao lado de Jesus na cruz o injuriaram, ou seja, blasfemaram contra ele, insultaram-no, ou foi apenas um ladrão que agiu assim? Pegarei primeiramente o evangelho de Marcos. No capítulo 15, versículos 27 e 32, está escrito:


               “27 Com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda.”

                32 (...) Também os que com ele foram crucificados o insultavam.”


                Como você, leitor, vê facilmente, quem escreveu o evangelho de Marcos está afirmando que os dois ladrões insultaram a Jesus, blasfemaram contra Jesus, injuriaram a Jesus. Pegarei agora o evangelho de Mateus. Com certeza, a resposta será a mesma, não é mesmo? No capítulo 27, versículos 38 e 44, está escrito:


              “38 E foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda.

                44 (...) E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele.



              Você, leitor, vê também facilmente que, quem escreveu o evangelho de Mateus, diz a mesma coisa que o autor do evangelho de Marcos: os dois ladrões insultaram a Jesus, blasfemaram contra Jesus, injuriaram a Jesus. O evangelho de Marcos foi o primeiro a ser escrito. Quem escreveu o evangelho de Mateus copiou textos de Marcos, adulterando-os, mudando-os, daí as inúmeras contradições. Mas, nesse particular, não há contradição, discrepância. Pegarei agora o evangelho de Lucas. Quem escreveu o evangelho de Lucas também copiou muitos textos de Marcos, adulterando-os, mudando-os etc. No capítulo 23, versículos 33 e 39, está escrito:


               “33 Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda.
                39 Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.”

               
              Como você, leitor, também vê facilmente, o evangelho de Lucas entra em contradição com os evangelhos de Marcos e Mateus. Em Marcos e Mateus, os dois ladrões blasfemaram contra Jesus, injuriaram a Jesus, insultavam a Jesus. Já em Lucas, apenas um ladrão insultou a Jesus, blasfemou contra Jesus, injuriou a Jesus. O outro ladrão, ao contrário, defendeu Jesus. Percebeu, leitor, a contradição clara e incontestável? E isso ocorre porque não se trata de um fato histórico realmente ocorrido. Por isso mesmo, os autores dos evangelhos tinham a liberdade de escrever o que queriam. Pegarei agora o último evangelho, o de João. No capítulo 19, versículo 18, está escrito:


               “onde o crucificaram e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.”


                Como também você, leitor, vê facilmente, o evangelho de João apenas menciona os dois ladrões, mas nada diz sobre o insulto de um ou dos dois.
                 No início deste artigo, citei um teólogo sério e comprometido com a verdade: Bart Ehrman. Ele sabe muito bem que a Bíblia não é a palavra de Deus e está recheada de lendas, mitos, alegorias, fábulas, contradições, discrepâncias e erros das mais variadas espécies. Trarei agora um teólogo fundamentalista cristão norte-americano que faz muito sucesso no mundo evangélico: Norman Geisler. O objetivo de Norman Geisler não é apresentar a Bíblia como ela é de fato, mas propagar a ilusão religiosa cristã, afirmando, por exemplo, que a Bíblia é a palavra de Deus, por isso isenta de contradições, lendas e erros. Por isso mesmo é que os livros de Norman Geisler levam leitores sérios ao riso, e leitores ingênuos ao erro. Veja, leitor amigo, a explicação do Geisler acerca da contradição bíblica apresentada acima. Aconselho você, leitor, a pegar um lenço para enxugar suas lágrimas porque certamente você vai rir bastante. Em seu livro “Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e ‘contradições’ da Bíblia”, 1999, 4ª edição, editora Mundo Cristão, na página 371, ele escreve:


            “SOLUÇÃO: Essa dificuldade é facilmente resolvida com a suposição de que inicialmente os dois injuriaram o Senhor, mas depois um deles se arrependeu. Talvez ele tenha ficado tão impressionado ao ouvir Jesus perdoando aqueles que o crucificavam (Lc 23:34) que convenceu-se de que Jesus era o Salvador e pediu-lhe para participar do seu reino que viria (v.42).”


              Tenho certeza de que você, leitor, está rindo muito da explicação do Geisler. Não poderia ser diferente. Aliás, livros evangélicos são os melhores almanaques de piadas que conheço. E aqui está mais um deles. O Geisler está dizendo a seus leitores evangélicos que não existe essa contradição bíblica nos evangelhos. Afirma ele que supostamente os dois ladrões inicialmente injuriaram a Jesus, mas em seguida um deles se arrependeu. Por favor, não ria, caro leitor, do contrário perderei minha concentração aqui). Geisler, completamente perdido diante dessa contradição bíblica, cria um monstro muito mais feio que o imaginário Corcunda de Notre Dame. Ele diz que “supostamente”, “supostamente”, “supostamente”, os dois ladrões injuriaram a Jesus, mas depois um deles se arrependeu. Eis mais uma deturpação bíblica de Geisler! Quando ele afirma essa loucura, está criando o 5º evangelho, o evangelho de Norman Geisler. Ora, os evangelhos de Marcos e Mateus dizem claramente que os dois ladrões insultavam a Jesus. Já o evangelho de Lucas diz claramente que apenas um ladrão insultou a Jesus, e que o outro ladrão o defendeu. Nesses dois evangelhos não existe esse negócio de “supostamente” e “inicialmente”, como insinua o Norman Geisler. Ele, para convencer leitores bobos, procura cabelo em ovo. Ele, portanto, despreza os evangelhos de Marcos, Mateus, João e Lucas, criando o 5º evangelho, o de Norman Geisler. Veja, leitor, novamente, o que está escrito em Marcos, capítulo 15, versículo 32:


           “32 (...) Também os que com ele foram crucificados o insultavam.”


            O evangelho de Marcos diz que aqueles dois ladrões que foram crucificados com Jesus o insultavam. Ou seja, os ladrões já haviam sido crucificados com Jesus, já estavam mortos. Não houve arrependimento algum por parte deles. Da mesma forma, o evangelho de Mateus, capítulo 27, versículo 44:


           
                44 (...) E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele.


                O evangelho de Mateus diz também que aqueles dois ladrões que foram crucificados com Jesus o insultavam. Ou seja, os ladrões morreram, e insultavam a Jesus. Não houve também esse ingênuo arrependimento inventado por Geisler.
              Já o evangelho de Lucas diz coisa diferente: apenas um ladrão insultou a Jesus; o outro ladrão o defendeu:


                “39 Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.”


                 Enganar leitores ingênuos religiosos é uma tarefa muito fácil!

quinta-feira, 9 de maio de 2019

NORMAN GEISLER, DEUS E O CORAÇÃO DO FARAÓ



Eustáquio



                  Você, leitor amigo, sabe o significado do vocábulo “fundamentalista”? Quase todos os dias, você ouve essa palavra em jornais de televisão, principalmente em referência a atos de terrorismo praticados por fundamentalistas religiosos. Caso você não saiba o significado dessa palavra, então o aconselho a procurar um dicionário qualquer da língua portuguesa porque é uma fonte segura. Estou aqui agora com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 5ª edição, 2010, Editora Positivo. Na página 995, acerca da palavra “fundamentalista”, entre outras coisas, acentua:


                  “(...) Adepto do fundamentalismo.”


                  Até agora o dicionário ainda não definiu o significado da palavra fundamentalista. Restringiu-se a informar que o fundamentalista é um adepto do fundamentalismo. Sim, mas o que é o fundamentalismo? O mesmo dicionário, na mesma página, define no item 2:


                   “Observância rigorosa às crenças religiosas tradicionais, esp. em grupos protestantes dos Estados Unidos, depois da I Guerra Mundial, que enfatiza a interpretação literal das escrituras, a segunda ressurreição de Cristo, a virgindade de Maria etc.”


                  Você, leitor amigo, vê com facilidade que o próprio dicionário define a palavra fundamentalista, e cita, como exemplo de fundamentalistas, os cristãos protestantes nos EUA. Por quê? Porque eles fazem uma interpretação literal da Bíblia cristã, pregando, entre outras coisas, o nascimento virginal de Jesus, sua ressurreição, sua volta ao planeta Terra etc. E nesse grupo de fundamentalistas cristãos se incluem os evangélicos. E, neste artigo, trarei mais uma vez o teólogo fundamentalista cristão evangélico norte-americano Norman Geisler.
                  Em meu artigo recente “Deus endureceu o coração do Faraó egípcio”, fiz uma análise sobre um trecho da lenda bíblica acerca da saída do povo hebreu da escravidão egípcia, que está no livro de Êxodo, capítulo 4, versículo 21:


                     “Disse o Senhor a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todos os milagres que te hei posto na mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo.”


                        Naquele artigo, apresentei as ingenuidades da narrativa lendária. O Deus hebreu procura um homem chamado Moisés para ser o intermediário entre ele e o mandante do Egito. Nas lendas e na imaginação popular, os deuses sempre necessitam da ação do homem porque, do contrário, nada podem fazer sozinhos. Deus algum existe, logo, sem a ação do homem, são inofensivos. Só para você, leitor, entender o que estou escrevendo aqui, veja, como exemplo, a ação terrorista de um fundamentalista adepto do islamismo. Esse fundamentalista religioso detona uma bomba presa em seu próprio corpo, suicidando-se e levando dezenas de pessoas inocentes à morte. Antes de acionar o explosivo, deixa um recado, afirmando que aquilo é obra do deus Alá. Percebeu, leitor, como os deuses precisam do homem? Se aquele terrorista não tivesse acionado aquela bomba, o deus Alá jamais o faria por si só. Repito: deus algum existe. É o homem que cria deuses, é o homem que age de acordo com sua própria vontade. Da mesma forma, o Deus hebreu. Na lenda, ele procura um homem chamado Moisés. Alguém poderia dizer: por que o Deus hebreu não agiu sozinho, por que não destruiu imediatamente o Faraó, que era o único responsável pela escravidão do povo hebreu? Por que o Deus hebreu perdeu tempo em procurar um homem? A resposta é simples: porque deus algum existe, deus algum age sozinho. Sempre precisa da ação humana. E alguém também poderia perguntar: por que o Deus hebreu deixou seu povo sofrendo no Egito durante quase 5 séculos de escravidão? Quantas gerações de hebreus desapareceram ao longo de quase 500 anos! Imagine você, leitor amigo, com um filho sequestrado, em poder dos sequestradores durante apenas 1 dia. Você, como pai, ficará desesperado com a escravidão de seu filho durante apenas 1 dia. Você, como pai, fará de tudo para libertar seu filho no mesmo dia, não é mesmo? Daí você vê a ingenuidade da lenda bíblica. E alguém também poderia dizer: na lenda, o Deus hebreu fez o homem Moisés de palhaço. Pediu a Moisés para mostrar ao Faraó os milagres, só que, por trás, o próprio Deus endureceu o coração do Faraó para que não atendesse ao pedido de Moisés. Por favor, caro leitor, não ria agora porque tirará minha concentração aqui. Deixe para rir depois de ler por completo o artigo. Foi isso mesmo que você leu, leitor. Na lenda, Deus pede a Moisés para convencer Faraó a deixar o povo hebreu sair do Egito. Só que esse mesmo Deus, agindo por trás, interferiu na vontade do Faraó. Deus, indiretamente, disse para si mesmo:


                    Vou mandar o Moisés para conversar com o Faraó, mas eu mesmo não permitirei que Faraó atenda ao pedido de Moisés.


                   Percebeu, leitor, a infantilidade do relato lendário bíblico? Se você, leitor, está rindo desde o início deste artigo, apesar de eu implorar que você não ria, então prepare-se para rir mais ainda com as explicações do teólogo fundamentalista cristão norte-americano Norman Geisler, que faz sucesso no mundo evangélico. Em seu livro “Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e ‘contradições’ da Bíblia”, 1999, 4ª edição, editora Mundo Cristão, nas páginas 71 e 72, Norman Geisler explica a passagem bíblica em que Deus endurece o coração do Faraó:



                 “SOLUÇÃO: Deus não endureceu o coração de Faraó contrariamente ao que o próprio Faraó por sua livre vontade determinou. A Escritura deixa claro que Faraó endureceu o seu coração. Ela declara que o ‘coração de Faraó se endureceu’ (Êx 7:13), que Faraó “continuou de coração endurecido’ (Êx 8:15) e que ‘o coração de Faraó se endureceu’ (Êx 8:19). Novamente, quando Deus enviou a praga das moscas, “ainda esta vez endureceu Faraó o coração’ (Êx 8:32). Esta frase, ou uma equivalente, é repetida vez após vez (cf. Êx 9:7, 34-35). De fato, exceto quando Deus predisse o que aconteceria (Êx 4:21), Faraó foi quem endureceu o seu próprio coração em primeiro lugar (Êx 7:13; 8:15, 8:32 etc.), e só mais tarde Deus o endureceu (cf. Êx 9:12; 10:1, 20, 27). Além disso, o sentido em que Deus endureceu o coração de Faraó é semelhante ao modo pelo qual o sol endurece o barro ou derrete a cera. Se Faraó tivesse sido receptivo às advertências de Deus, o seu coração não teria sido endurecido por Deus. (...) Deus não endurece o coração inicialmente, diretamente, contra o livre arbítrio da pessoa, como sua causa. Deus endurece o coração subsequentemente, indiretamente, por meio do próprio livre arbítrio, como seu efeito.).


                       Depois de ler as explicações acima do Norman Geisler, você, leitor, está rindo demais, não é mesmo? Bem que eu lhe disse! No início de suas explicações, Geisler diz:


                   “Deus não endureceu o coração de Faraó contrariamente ao que o próprio Faraó por sua livre vontade determinou.”


                       Pode rir, caro leitor! Esses teólogos fundamentalistas brincam realmente com a boa-fé dos fiéis que frequentam igrejas principalmente evangélicas. Apenas mostrei um pequeno trecho da lenda sobre a saída do povo hebreu do Egito, com seu erro sobre o coração humano e as gritantes ingenuidades. Veja como o Norman Geisler deturpa os ingênuos textos bíblicos. Ele afirma primeiramente que “Deus não endureceu o coração de Faraó” e complementa “contrariamente ao que o próprio Faraó por sua livre vontade determinou.”. Na primeira parte, Geisler deturpa o texto bíblico, e na segunda parte afirma algo completamente sem sentido, que nada acrescenta. Em seguida, Geisler volta a deturpa o texto lendário bíblico:


               “A Escritura deixa claro que Faraó endureceu o seu coração.”


                  Geisler deturpa o que está escrito em Êxodo, capítulo 4, versículo 21, última parte, quando Deus diz a Moisés que endurecerá o coração do Faraó para que não permita a saída do povo hebreu do Egito:


               “mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo.”


                 A lenda é tão ingênua que Moisés deveria dizer ao Deus hebreu que não adiantaria ir ao encontro do Faraó porque, por trás, o próprio Deus haveria de interferir na vontade do mandante do Egito. Por mais que o Faraó quisesse libertar o povo hebreu, de nada adiantaria porque essa não era a vontade por enquanto do Deus hebreu. O que está nesse versículo é o encontro do Deus hebreu com Moisés. Passa a Moisés alguns milagres e ordena que vá mostrá-los a Faraó. Porém, afirma que endurecerá o coração de Faraó com o objetivo de não deixar o povo hebreu ir do Egito. Diz claramente que mudará a vontade de Faraó. E o Norman Geisler, mais uma vez, deturpa o texto bíblico, afirmando que foi o Faraó que, por vontade própria, endureceu seu coração. Que absurdo! Isso é brincar com a boa-fé dos fiéis que frequentam igrejas evangélicas. Mais à frente, Geisler escreve:


               “ Ela declara que o ‘coração de Faraó se endureceu’ (Êx 7:13), que Faraó “continuou de coração endurecido’ (Êx 8:15) e que ‘o coração de Faraó se endureceu’ (Êx 8:19)”


                Geisler leva seus leitores ingênuos ao erro quando invoca o que está em Êxodo 7:13, 8:15 e 8:19. Diz o Geisler que essas passagens provam que o Faraó é que endureceu seu coração, e não o Deus hebreu. Ora, esses versículos citados por Norman mostram apenas que o coração do Faraó se endureceu ou ficou endurecido justamente de acordo com o que o Deus hebreu afirmou no capítulo 4, versículo 21. O capítulo 4, obviamente, é anterior aos capítulos 7 e 8. No capítulo 4, na lenda, o Deus hebreu diz que endurecerá o coração do Faraó. Já os capítulos 7 e 8, citados por Geisler, estão apenas afirmando que o coração do Faraó se endureceu e ficou endurecido porque o Deus hebreu cumpriu o que havia dito no capitulo 4. O próprio Norman Geisler cita primeiramente o capítulo 7, versículo 13. Só que ele quebra a cara porque essa passagem diz claramente que  o coração do Faraó se endureceu porque realmente o Deus hebreu o tornou endurecido. Ou seja, o coração do Faraó não se endureceu por vontade dele, mas como ordem anterior do Deus hebreu. Veja a passagem:


               “Todavia, o coração de Faraó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito.”


               Isto é, o coração de Faraó se endureceu, como o Deus hebreu, no capítulo 4, havia dito que o endureceria. O capítulo 8, versículo 15, citados também por Geisler dizem a mesma coisa:


              “Vendo, porém, Faraó que havia alívio, continuou de coração endurecido e não os ouviu, como o Senhor tinha dito.”


             Novamente aqui o Faraó continuou de coração endurecido, não da vontade dele, mas da vontade do Deus hebreu, como o Deus hebreu tinha dito no início, no capítulo 4, antes de Moisés ir ao encontro de Faraó. Deus disse que iria endurecer o coração de Faraó e, na lenda, endureceu mesmo. Os capítulos 7 e 8 estão apenas confirmando que o coração do Faraó ficou endurecido mesmo. Geisler deturpa tudo porque não tem saída. E ele cita também o capítulo 8, versículo 19. Ora, essa passagem confirma também que o coração do Faraó ficou endurecido porque Deus o endureceu:


                “Então, disseram os magos a Faraó: Isto é o dedo de Deus. Porém, o coração de Faraó se endureceu, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito”.



              Ou seja, o coração de Faraó se endureceu porque o Deus hebreu havia dito muito antes que iria endurecer o coração do mandante do Egito, daí a expressão “como o Senhor tinha dito” E logo depois Geisler escreve:


              “Deus não endurece o coração inicialmente”


                Norman Geisler, mais perdido que cego em tiroteio, já diz que Deus endureceu o coração do Faraó, mas não inicialmente. (um momento, caro leitor, porque estou rindo muito agora). Ora, na lenda ingênua, o Deus hebreu inicialmente, claro, no capítulo 4, disse que endureceria o coração do Faraó para que ele não deixasse o povo hebreu sair do Egito. E os capítulos 7 e 8 dizem que o coração do Faraó ficou endurecido justamente porque o Deus hebreu o endureceu.
                  Norman Geisler só faz sucesso no meio evangélico. É óbvio!

quarta-feira, 8 de maio de 2019

O CRISTÃO GERALDO FERNANDES E A VIOLÊNCIA NO BRASIL




Eustáquio


                      Caro cristão Geraldo Fernandes,



                    Hoje, quarta-feira, dia 8 de maio de 2019, em meu vídeo “Mentiras da Bíblia (1º vídeo), publicado em 6 de abril de 2014, recebi seu comentário com o seguinte teor:


                     “PARE DE TENTAR TIRAR A FÉ DO POVO, O MUNDO JÁ ESTÁ CHEIO DE BANDIDOS, E SE TIRAR A FÉ NA RELIGIÃO ELES NÃO TERÃO TEMOR A DEUS E VAI PIORAR MUITO MAIS DO QUE JÁ TÁ.”


                    
                     Gostei do seu comentário, caro Geraldo, razão por que resolvi fazer este pequeno artigo. Você me pede que eu pare de fazer vídeos com o objetivo de eliminar a fé cristã porque, se isso ocorrer, o mundo ficará ainda mais cheio de bandidos. Ao ler seu comentário, Geraldo, já percebi que você embarcou no mesmo barco furado dos religiosos e do povão em geral. É muito comum líderes religiosos cristãos e um universo de fiéis atribuírem as piores maldades a quem não é portador de crença religiosa, o que constitui uma forte ignorância.
                      Veja, Geraldo, por exemplo, o nosso querido Brasil. Se você fizer uma rápida pesquisa nas estatísticas do IBGE, verá facilmente que a quase totalidade da população brasileira é constituída por cristãos, cidadãos que acreditam no Deus da Bíblia. Não é mesmo, Geraldo? Muito bem! Agora lhe pergunto: qual é a posição do Brasil no quadro mundial de violência? Com certeza, nosso país é um dos mais violentos do mundo. A cada ano, mais de sessenta mil brasileiros são assassinados. Mulheres são assassinadas por namorados, maridos ou amantes numa fração de segundos. O tráfico de drogas causa desgraças diversas. Tiroteios diários nas favelas, ruas e avenidas diante da inércia estatal. Roubos frequentes impossibilitando o desenvolvimento do comércio. Explosões em agências bancárias por quadrilhas fortemente armadas etc. Corrupção avassaladora praticada por políticos e empreiteiros. Pois bem, um universo de desgraças num país em sua quase totalidade ocupado por pessoas cristãs. Percebeu, Geraldo, como a crença no Deus da Bíblia não tem efeito algum no índice de violência, roubos, explosões, corrupção, tráfico de drogas etc.? A quase totalidade dos brasileiros que comete essas atrocidades é cristã, Geraldo, e não ateia. Não coloque, pois, Geraldo, a responsabilidade dessas maldades aos ateus porque eles não são o alvo.
                  E, se você, Geraldo, pesquisar bastante, verá que à frente de muitas maldades estão justamente as pessoas que acreditam num deus qualquer. Muitos cristãos, budistas e judeus são assassinados fora do Brasil por motivos exclusivamente religiosos e os terroristas são religiosos, e não ateus. Portanto, Geraldo, não jogue essa responsabilidade sobre os ombros dos ateus.
                   E, para concluir este artigo, meu objetivo em fazer vídeos é apenas mostrar a pessoas interessadas que crença religiosa é pura ilusão, fantasia e superstição. Diferentemente dos líderes religiosos, não ganho um tostão sequer porque meu compromisso é com a verdade, e me sinto feliz por isso. Portanto, Geraldo, nunca relacione ateísmo à violência porque não existe esse elo.
                    Um abraço!
                    

DEUS ENDURECEU O CORAÇÃO DO FARAÓ EGÍPCIO




Eustáquio



                        O espanhol Juan Arias (teólogo, psicólogo, filólogo, jornalista, escritor, graduado em línguas semíticas), em seu livro “A Bíblia e seus segredos”, 2004, editora Objetiva, na página 30, escreve:



                 “É lógico, portanto, que a Bíblia apresente erros e contradições, exageros e mitos misturados com fatos reais.”


      
                  O que Juan Arias afirma acima é do conhecimento de quem estuda com responsabilidade e seriedade a Bíblia. De fato, ela está repleta de lendas, mitos, alegorias, fábulas, contradições, discrepâncias e erros das mais variadas espécies. Neste artigo, mostraremos mais uma lenda bíblica, na verdade, apenas um trecho de uma longa lenda bíblica: a saída do povo hebreu do Egito. Peguemos, pois, o pequeno trecho que está no livro de Êxodo, capítulo 4, versículo 21:


               “Disse o Senhor a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todos os milagres que te hei posto na mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo.”


              Ao ler o versículo bíblico acima, um bom observador verá com facilidade a ingenuidade gritante. Nessa lenda, o Deus hebreu, criado obviamente pelo povo hebreu, tem mais um encontro com Moisés. Enquanto os dois conversam, o povo hebreu está sob escravidão egípcia, sob o comando do Faraó. Então, Deus diz a Moisés que vá ao Egito, à presença do Faraó, e lhe mostre os milagres que Deus passou para o próprio Moisés. Além disso, Deus também diz que, quando Moisés estiver diante do Faraó, endurecerá o coração do mandante do Egito para que não deixe o povo hebreu sair do Egito. Por favor, caro leitor, não ria porque você atrapalhará minha concentração. Nessa lenda bíblica, logo de início, um erro do homem antigo: o coração! Antigamente, o homem, por não conhecer ainda a função deste órgão humano, pensava erroneamente que o coração era o órgão responsável pela maldade, bondade, decisão, inveja, desprezo, ciúme etc. O lendário Moisés pensava assim e o Deus hebreu também. Veja, em destaque, o que diz o Deus hebreu em relação ao Faraó:


              “(...) eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo.”


              Como se vê, o Deus hebreu também pensava que o coração era o órgão responsável pelas decisões. E não poderia ser diferente porque os deuses são criados pelo homem, recebendo, pois, seus reflexos. Para sermos mais simples, os deuses têm a cara do povo que os cria. Depois de muitos séculos, com o avanço da medicina, é que o homem passou a entender a real função do coração e do cérebro. O coração perdeu aquelas características para o cérebro. O coração é apenas um músculo que recebe e envia sangue pelas veias e artérias. Já o cérebro humano é o órgão responsável pela maldade, bondade, decisão, inveja, desprezo, ciúme etc. Se o escritor hebreu estivesse vivo hoje, em sua lenda, teria colocado que o Deus hebreu haveria de endurecer o cérebro do Faraó, e não seu coração. Muito bem! Como se trata de lenda, mais uma ingenuidade extrema: o Deus hebreu procura um homem chamado Moisés. Um leitor cuidadoso poderia fazer as seguintes perguntas:


             “Já que o Deus hebreu é onipotente, por que ele permitiu que seu povo permanecesse sob escravidão egípcia durante quase 5 séculos? E por que precisou da ajuda de um homem chamado Moisés?”


               As respostas são fáceis. Deus algum existe, deus algum salva povo algum. Obviamente, um ser qualquer com poderes fenomenais não iria permitir que seu próprio povo permanecesse escravo de outro durante um dia sequer, imagine durante um ano, dez ou quinhentos anos. E, na lenda, o Deus hebreu recorreu a um homem chamado Moisés porque, como não existem, os deuses nada fazem por si sós. Os deuses sempre necessitam do homem para fazer o que eles não têm condição de fazer sozinhos. Veja a ingenuidade da lenda. Um Deus onipotente poderia de imediato destruir o Faraó, que era o mandante no Egito. Ele não necessitaria da ajuda de homem algum, não é mesmo? E um leitor cuidadoso poderia formular outra pergunta:


              “Já que o Deus hebreu endureceu o coração do Faraó para que não deixasse o povo hebreu sair do Egito, então a culpa foi exclusiva do próprio Deus, ou seja, a responsabilidade do Faraó é nula, não é mesmo?”


             Claro que sim! Na lenda, o Deus hebreu endureceu o coração do Faraó para que não deixasse o povo hebreu sair do Egito. Logo, o Faraó estava inocente nessa situação. Se Deus não tivesse endurecido o coração do Faraó, o povo hebreu teria saído do Egito na primeira tentativa de Moisés.
               Terminamos este artigo com a repetição da afirmação de Juan Arias:


               “É lógico, portanto, que a Bíblia apresente erros e contradições, exageros e mitos misturados com fatos reais.”


terça-feira, 7 de maio de 2019

O QUE JESUS DISSE À MARIA MADALENA?




Eustáquio




                Antes de analisarmos mais duas passagens bíblicas que estão em discrepância, façamos uma rápida pesquisa na história do Brasil. A pergunta é a seguinte:



                     No dia 9 de janeiro de 1822, o que D. Pedro I disse aos liberais do Partido Brasileiro?



                    Se você, leitor amigo, abrir todos os livros de História do Brasil encontrará a resposta à pergunta formulada acima. Até mesmo algum historiador poderá dizer que não foi bem assim, mas com certeza reproduzirá a fala de D. Pedro I que ficou gravada assim:



                 “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”



                  Repito, caro leitor: você, em qualquer livro de História do Brasil, encontrará a mesma fala de D. Pedro I. Por quê? Porque foi realmente um fato histórico, que ocorreu de fato. Essa fala de D. Pedro I não sofre mudança alguma em todos os livros. Permanece a mesma.
                  Saindo agora da História do Brasil, entremos no mundo da Bíblia, recheado de lendas, mitos, alegorias, fábulas, contradições, discrepâncias e erros de toda espécie. Antes, vejamos a mensagem de um especialista em Bíblia. O norte-americano Bart D. Ehrman (teólogo, historiador, graduado em grego e hebraico, especialista em Novo Testamento, escritor, professor de cristianismo há mais de 30 anos numa universidade na Carolina do Norte (EUA), em seu livro “Quem Jesus foi? Quem Jesus não foi?”, 2010, editora Ediouro, nas páginas 17 e 18, escreve:



                    “A Bíblia está repleta de discrepâncias, muitas delas contradições inconciliáveis (...) Os Evangelhos se contradizem em muitos pontos e incluem material não histórico.”



                       Façamos, pois, a seguinte pergunta à Bíblia:



                       “Quando Jesus ressuscitou, o que ele disse à Maria Madalena?”



                      Como vimos acima, no caso da fala de D. Pedro I, que é a mesma em todos os livros de História do Brasil, então, com certeza, a fala de Jesus também será a mesma nos 4 evangelhos do Novo Testamento, não é mesmo?  Afinal de contas, foi a primeira fala de Jesus após sua ressurreição, não é mesmo? Se você, leitor, respondeu sim, errou profundamente. A fala de Jesus muda totalmente, não é a mesma, porque não se trata de um fato histórico, mas de uma lenda reproduzida livremente ao gosto de cada evangelista. Vamos comparar aqui apenas a fala do Jesus ressuscitado no evangelho de Mateus e no evangelho de João. Por que deixamos de lado os evangelhos de Marcos e Lucas? Simplesmente porque existem mais discrepâncias: nesses dois evangelhos, Jesus nada fala para Maria Madalena. Então, vamos ver apenas a fala do Jesus ressuscitado à Maria Madalena em Mateus e João. No evangelho de Mateus, mais uma discrepância: o Jesus ressuscitado fala para 2 mulheres: Maria Madalena e a outra Maria. Vejamos a fala de Jesus, no capítulo 28, versículos 9 e 10:



                   “9  E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram-lhes os pés e o adoraram.

                    10  Então, Jesus lhes disse: Não temais! Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à Galiléia e lá me verão.”




                 Muito bem! Segundo o relato de Mateus, a primeira fala do Jesus ressuscitado à Maria Madalena e à outra Maria foram 2: “Salve!” e “Não temais! Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à Galiléia e lá me verão.” Pois bem, caro leitor! Será que essa fala do Jesus ressuscitado à Maria Madalena é a mesma que está no evangelho de João? Tem que ser, não é mesmo? Então vejamos. No capítulo 20, versículos 15 a 17:



                  “15  Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, supondo ser ele o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.

                    16  Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, lhe disse, em hebraico: Rabôni (que quer dizer mestre).

                    17  Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.”



                  Você, leitor, já percebeu que a fala de Jesus que está em Mateus é completamente diferente da que está em João, não é mesmo? Isso ocorre porque não estamos diante de um fato histórico, mas de relatos lendários em que cada evangelista trabalha livremente, sem compromisso algum. Nesses dois relatos, um mundo de contradições e discrepâncias. No relato de Mateus, Jesus aparece primeiramente a 2 mulheres. E as duas mulheres o reconhecem imediatamente. Já no relato de João, Jesus só aparece primeiramente a 1 mulher, Maria Madalena. E Jesus não é reconhecido por ela imediatamente. Maria Madalena olhava para Jesus, porém pensava que ele era o jardineiro do sepulcro (por favor, não ria, caro leitor!). No relato de Mateus, Jesus cumprimenta as 2 mulheres com um “Salve!”. E pede a elas que vão aos onze discípulos para se dirigirem à Galileia a fim de se encontrarem com Jesus lá. Já no relato de João, Jesus não cumprimenta Maria Madalena com um “Salve!”, ao contrário, Jesus dirige uma pergunta a ela. E a recomendação de Jesus à Maria Madalena não é para que ela vá aos onze discípulos a fim de eles se dirigirem à Galileia. Jesus diz apenas que vai subir para o pai dele.
                   Percebeu, caro leitor, como as falas atribuídas a Jesus em Mateus e João são completamente diferentes, discrepantes? E por que esse fenômeno ocorre? Ora, porque não estamos tratando de fatos históricos, realmente ocorridos, mas de lendas, relatos ingênuos criados pela imaginação dos apreciadores de Jesus. Quem escreveu o evangelho de Mateus não estava preocupado com o que estava nos evangelhos de Marcos, Lucas e João, e vice-versa. Esses autores copiavam-se, mas mudavam os textos de acordo com sua criatividade, daí as contradições e discrepâncias. Na verdade, Jesus algum ressuscitou e reapareceu a quem quer que seja.