terça-feira, 27 de setembro de 2022

A BÍBLIA E A CRIAÇÃO DO HOMEM E DA MULHER

                            Leitor amigo, 


No vídeo anterior “Deus, o homem e os animais”, afirmei que, na Bíblia, em Gênesis, existem 2 relatos sobre a Criação. E são relatos lendários diferentes e contraditórios. É fácil perceber que existem ali, no mínimo, dois escritores hebreus, com pontos de vista próprios, portanto, nada de Moisés. Apresentei ali uma contradição entre os dois autores hebreus, acerca do surgimento do homem e dos animais irracionais. Para esse vídeo, mostrarei mais uma contradição entre os 2 relatos. Eis a pergunta, amigo leitor:


De acordo com a Bíblia, o homem e a mulher foram criados no mesmo dia, ao mesmo tempo, numa sexta-feira, ou o homem, o macho, foi criado há muito tempo antes da mulher?


A resposta à pergunta acima, leitor, dependerá do relato a que você se refere. Se você recorrer ao 1º relato, dirá que o homem e a mulher foram criados ao mesmo tempo, numa sexta-feira. Se você recorrer ao 2º relato, dirá coisa diferente e contraditória: o homem (macho) foi criado primeiramente, muito antes da mulher. Para a coisa ficar mais clara, veja, leitor, o quadro abaixo:









              1º RELATO

                2º RELATO


                  1: 27


                  2: 7


 

 HOMEM E MULHER CRIADOS AO MESMO TEMPO

  

    O HOMEM (MACHO) CRIADO PRIMEIRAMENTE

    

 “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”


“Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, e o homem passou a ser alma vivente.”



Afirmei, no vídeo anterior, que alguém não precisa ter uma bagagem de conhecimentos para ser um ateu. Não, não há necessidade. Porém, para conhecer a Bíblia, sim, exige-se conhecimento. Da mesma forma que se exige conhecimento, por exemplo, para analisar as obras antigas de escritores brasileiros, tais como: Machado de Assis, José de Alencar, Jorge Amado, Joaquim Manoel de Macedo e outros. 

Os textos que estão na Bíblia foram criados por escritores hebreus e são muito mais antigos que os textos de Machado de Assis, por exemplo. É preciso, então, conhecer o estilo literário deles para ter uma visão melhor de seu mundo. Uma pessoa que não conhece a análise literária crítica lê os textos bíblicos sem perceber o que está lendo. É a mesma coisa que ocorre, por exemplo, durante a exibição de um filme. Uma coisa é uma pessoa comum assistindo a um filme. Coisa bem diferente é um crítico de cinema assistindo ao mesmo filme. A pessoa comum não verá os defeitos presentes no filme. Não é mesmo, leitor?

No 1º relato bíblico, o escritor hebreu quis colocar em destaque o dia de sábado. Ao criar sua visão de mundo, após cada coisa criada, ele escreve: “Houve tarde e manhã, o primeiro dia.” E ele vai até ao 6º dia (sexta-feira): “Houve tarde e manhã, o sexto dia.” E aí ele chega ao que queria: dar destaque ao dia de sábado. Diz que o deus hebreu descansou no sábado, depois de tanto trabalho. Diante desse texto, um universo de pessoas diz que isso é um absurdo, como pode um deus ficar cansado! Aí está o problema. Esse texto é uma criação de um escritor hebreu, por isso ele escreve o que quiser de acordo com sua imaginação. Na verdade, deus algum existe, deus algum cria alguma coisa. Agora, na imaginação dos escritores, deuses são criados, da mesma forma que Machado de Assis criou seus personagens. Assim, no texto do escritor hebreu, o deus hebreu, depois de tanto trabalho, ficou cansado e resolveu descansar no dia de sábado. Nesse 1º relato, o escritor hebreu inventou que o deus hebreu criou o homem e a mulher no último dia da criação, numa sexta-feira. 

No 2º relato, tudo diferente! Outro escritor hebreu colocou em sua história que o deus hebreu criou primeiramente o homem, o macho. Somente depois de muito tempo, é que teve a ideia de criar a mulher, a fêmea. E esse escritor, diferentemente do escritor do 1º relato, não quis dar destaque ao sábado, por isso não citou dia da semana algum. Ele não estava preocupado com isso. 







Esse relato lendário é mais fiel que o primeiro porque mostra como era aquele mundo. A sociedade hebraica era patriarcal, com o homem, o macho, numa posição superior, em relação à mulher. Em toda a Bíblia, a mulher apanha, sofre, desespera-se, sendo tratada como mera propriedade do marido. Por isso mesmo, o escritor hebreu fez esse relato imaginário. Por isso mesmo, ele escreveu que o deus hebreu criou primeiramente o homem, o macho. Não estava nos planos divinos a criação da mulher, da fêmea. 

Assim, em Gênesis, capítulo 2, versículo 7, o deus hebreu resolveu criar o homem, o macho. Depois criou os animais irracionais. E aí o homem Adão passou a conviver com esses animais, no Jardim do Éden. Até aqui não existia a mulher ainda. E, na ingênua lenda, Adão passou a colocar nomes em todos os animais. Alguém pode dizer que isso é um absurdo. Só que não percebe que isso é uma criação imaginária do escritor. Os escritores têm essa liberdade de escreverem o que bem entendem. Pois bem! Adão vivia, no Jardim do Éden, com os animais irracionais. Ele observava que os animais formavam casais, cada macho tinha uma fêmea, mas ele, não. E ficou muito triste. E o que aconteceu? O deus hebreu, vendo a tristeza do homem Adão por não ter uma companheira, resolveu fazer uma mulher para lhe servir de companhia. Entendeu, leitor? Nesse relato, diferente do primeiro, o deus hebreu criou primeiramente o homem, o macho. Somente depois de muito tempo, é que resolveu criar a mulher apenas para que o homem Adão não ficasse sozinho, que tivesse uma companheira. 

É o retrato de um mundo extremamente machista. O homem, o macho, uma criação por excelência do deus hebreu. Já a mulher, a fêmea, uma criação acessória, apenas para servir de companhia ao homem. 


segunda-feira, 26 de setembro de 2022

DEUS, O HOMEM E OS ANIMAIS IRRACIONAIS

                            Leitor amigo, 

De acordo com a Bíblia, o deus hebreu criou primeiramente o homem ou os animais irracionais? O que você acha, leitor amado? 

Para alguém ser ateu, não se exige conhecimento. Mas, para conhecer a Bíblia, sim, exige-se conhecimento. E a pergunta acima mostra essa verdade. Uma pessoa que não tem conhecimento bíblico afirmará que, de acordo com a Bíblia, o deus hebreu criou primeiramente os animais irracionais. Depois, por último, criou o homem e a mulher. Então, os animais irracionais foram criados antes do homem.

Eu, com, mais ou menos, 16 anos de idade, lá, em Sobral, no Ceará, sem ter conhecimento bíblico, também pensava assim. Mas, com o tempo, estudando com seriedade a Bíblia, quebrei a cara. E por que quebrei a cara? Ora, quebrei a cara porque, na Bíblia, existem 2 relatos lendários sobre a Criação, e não apenas um. E são 2 relatos diferentes e contraditórios entre si. 

Esses 2 relatos lendários estão no primeiro livro da Bíblia, Gênesis. Veja, leitor amado, o quadro abaixo:



              1º RELATO

                2º RELATO


                  1: 1 a 27


                  2: 4 a 25


      OS ANIMAIS IRRACIONAIS

                        O HOMEM

      “No princípio, criou Deus os céus e a terra.”

“Esta é a gênese dos céus e da terra quando foram criados, quando o Senhor Deus os criou.”



Moisés algum escreveu os 5 primeiros livros bíblicos: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Na verdade, os textos foram escritos por vários escritores hebreus, ao longo de séculos. O 1º relato da Criação foi escrito por um hebreu. O 2º relato da Criação, por outro hebreu. E esse fenômeno já ocorre logo nos 2 primeiros capítulos do primeiro livro bíblico. 

O escritor hebreu que criou o 1º relato deixou registrado que o deus hebreu criou os animais irracionais antes do homem. O homem e a mulher foram as últimas criações. Já o escritor hebreu que criou o 2º relato deixou registrada coisa diferente. Escreveu que o deus hebreu criou o homem, o macho, antes dos animais irracionais. As diferenças e contradições entre os 2 relatos são gritantes, mas, para esse vídeo, vou me ater apenas à criação do homem e dos animais irracionais.

Retornando à pergunta acima, nas lendas bíblicas que estão em Gênesis, o deus hebreu criou primeiramente o homem ou os animais irracionais, a resposta será: depende do relato a que a pessoa está se referindo. 

Se a pessoa disser que o deus hebreu criou primeiramente os animais irracionais, estará, então, se referindo à lenda que está no 1º relato. 

Se a pessoa disser que o deus hebreu criou primeiramente o homem, estará, então, se referindo à lenda que está no 2º relato. 

Com esses textos contraditórios, os dois hebreus que os escreveram apenas registraram sua visão ingênua acerca do mundo em que eles viviam, pouco importando a eles se ocorreram de uma forma ou de outra. 

Eles não estavam fazendo Ciência.


sexta-feira, 23 de setembro de 2022

OS 2 PROFETAS DE DEUS

                                      Leitor amigo,

No vídeo anterior 2 sacrifícios para Deus, fiz uma análise sobre atrocidades praticadas por um casal cristão fanático, na cidade Rexburg, estado de Idaho, nos EUA, em junho de 2020, há 2 anos e 3 meses. Chad Daybell e Lory Vallow, cristãos fanáticos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons), entre outras coisas, mataram e queimaram o menino Colby, 7 anos, e a menina Tylee, 17 anos, filhos de Lory, em sacrifício ao deus da Bíblia, inspirando-se na lenda bíblica do sacrifício de Isaque, que está no livro de Gênesis. 

Em toda a história do homem na Terra (2 milhões de anos), jamais um casal ateu matou e queimou um animal irracional, muito menos um ser humano, em sacrifício a qualquer deus. Jamais! É o homem religioso que, em muitos casos, adora sacrifícios e holocaustos. É por isso também que Edson Martins, residente em Rio Grande da Serra, no estado de São Paulo, sempre escreve:


"Não existe coisa pior que as religiões para fazer o homem de idiota.”


Nesse vídeo, caro leitor, vou trazer mais um fato horroroso ocorrido também nos EUA, e novamente com cristãos fanáticos, “profetas” da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons). Por que trago esse caso? Ora, trago esse caso porque foi lançado, neste ano, na NETFLIX. Se você, leitor amigo, for assinante, procure o excelente documentário Rezar e Obedecer, com 4 episódios. Antes de entrar no assunto, é bom explicar uma coisa. Veja, leitor, o quadro abaixo:




IGREJA DE JESUS CRISTO

 DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS



IGREJA FUNDAMENTALISTA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS

 DOS ÚLTIMOS DIAS


Os nomes são parecidos, não é mesmo, leitor? Eles são diferentes apenas no adjetivo “fundamentalista”. Qual o motivo da diferença? O motivo é simples. No quadro, à esquerda, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, sem a palavra “fundamentalista”. O espertalhão e lunático Joseph Smith (1805 - 1844) foi o fundador da igreja, hoje, uma das mais ricas da Terra, com sede na cidade de Salt Lake City, nos EUA. Desde o início, os conhecidos mórmons pregavam o casamento plural, ou seja, a poligamia, na modalidade poliginia, um homem casado com duas ou mais mulheres, no mesmo formato do mundo da Bíblia. Como os EUA já haviam adotado o monoteísmo, apenas um homem com apenas uma mulher, houve o choque, o conflito. O espertalhão Joseph Smith e seus seguidores foram perseguidos pelo estado norte-americano a fim de abandonarem a prática da poligamia. Após anos e anos sob fortes pressões e perseguições, os mórmons resolveram abandonar a prática da poligamia. 

E o que aconteceu? Ora, os mórmons que não concordavam com o fim da poligamia, resolveram sair da Igreja tradicional, fundando outra com o nome Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Entendeu agora, leitor, a diferença? Na Igreja Fundamentalista, os mórmons praticam até hoje a poligamia. É comum você ver, lá, nos EUA, um mórmon vivendo com várias mulheres.Já os mórmons da Igreja tradicional hoje são contra a poligamia. Eis a diferença. 

Os fatos que você, leitor, verá aqui, se referem aos membros da Igreja Fundamentalista, que defendem a poligamia, um homem com duas ou mais mulheres. Em destaque, o “profeta” Rulon Jeffs e, depois de sua morte, seu filho Warren Jeffs. Na verdade, não existe esse negócio de “profeta”. Alguns líderes religiosos espertalhões dizem que são “profetas”, que conversam com o deus da Bíblia, e os pobres fiéis passam a acreditar nessa enganação. Como diz o Edson Martins, não existe coisa pior que as religiões para fazer o homem de idiota. Deus algum existe, deus algum conversa com alguém. Se alguém lhe disser que conversou com um deus qualquer, essa pessoa está pensando que você é um idiota. Muito cuidado, leitor!

Nesse maravilhoso documentário, mulheres que foram estupradas pelos 2 “profetas”, na época crianças e adolescentes menores, narram o sofrimento que vivenciaram dentro da igreja cristã. Logo no início, aparece a passagem bíblica que está em Efésios, capítulo 5, versículo 22:


“Esposas, sujeitai-vos a vossos próprios maridos, como ao Senhor.”


Na Bíblia, de Gênesis ao Apocalipse, a mulher era considerada um ser inferior ao homem, uma propriedade do marido. O texto acima foi atribuído ao apóstolo cristão Paulo de Tarso, o verdadeiro fundador do cristianismo. Está escrito aí que a esposa deve ser submissa ao marido, como também é submissa a Jesus. Quando uma mulher cristã elogia a Bíblia, é fácil ver que a lavagem cerebral está presente. Como é possível uma mulher elogiar um conjunto de livros que a coloca numa posição de inferioridade diante do homem? Se uma mulher cristã brasileira de hoje estivesse vivendo na época do apóstolo Paulo de Tarso, choraria de sofrimento todos os dias.

A primeira mulher que aparece falando no documentário é a Rebecca Wall, filha de uma família rica. Ela, segurando o choro, narra seu sofrimento quando era membro da Igreja Fundamentalista. Na época, o chefe maior era o “profeta” cristão Rullon Jeffs, que estava com 86 anos de idade. Rebecca diz que realmente acreditava ser a poligamia uma ordem dada pelo deus da Bíblia. Quando chegou aos 19 anos de idade, linda, seu pai, Lloyd Wall, a entregou, como esposa, ao “profeta” Rullon Jeffs, repito, com 86 anos de idade. Ela jamais queria se casar com um velho, porém, não havia saída. O “profeta” dizia-lhe que era ordem do deus bíblico, e a pobre jovem acreditava nessa maluquice. O pai dela, Lloyd Wall, também cristão fanático, louco pelo “profeta” Rullon, tinha 2 esposas: Myrna, 1ª esposa, com quem teve 9 filhos, e Sharon, 2ª esposa, com quem teve 14 filhos. Rebecca diz também que pensava ser o “profeta” um homem imortal, que não morreria. No dia 6 de agosto de 1998, estava no quarto com ele, quando percebeu que o velho havia abaixado a cabeça. Teve um derrame, ficou inutilizado. Morreu no dia 8 de setembro de 2002. Os membros da Igreja diziam que o “profeta” ressuscitaria durante o sepultamento. Rebecca estava aguardando, pensando mesmo que haveria a ressurreição. Seu filho Warren Jeffs assumiu o comando, e a situação ficou ainda pior. 

A segunda mulher a falar no documentário é a Elissa Wall, irmã de Rebecca. Ela diz que foi a 19ª filha de seu pai, Lloyd Wall. Acreditava também que o “profeta” Rullon era o representante do deus bíblico na Terra. E aí seu pai a entregou também ao velho tarado.

Wallace Jeffs também fala no documentário. Ele é um dos filhos do “profeta” Rulon. Diz que seu pai teve 62 filhos com 23 esposas. Rulon lhe dizia que o homem deve ter, no mínimo, 3 esposas para alcançar o céu. Diz também que as mulheres na Igreja eram consideradas uma propriedade do homem. 

A terceira mulher a narrar seu sofrimento é a Alícia Rohbock. Com apenas 20 anos de idade, foi forçada a ser mais uma das esposas do “profeta” Rulon, que estava com 86 anos. Ela diz que amava um garoto da Igreja, mas teve seus sonhos defeitos. Narra que, quando recebeu o primeiro beijo na boca, ficou com nojo, com vontade de vomitar, colocando listerine, aquele líquido que proporciona um bom hálito. 

A quarta mulher a comentar sobre seu sofrimento foi a Ruby Jessop. Vivendo na comunidade da Igreja, aos 14 anos de idade, era apaixonada por um rapaz chamado Joe Rohbock, também cristão fanático, mas não podia revelar essa paixão. Num dado dia, foi chamada pelo “profeta” Warren Jeffs, substituto de seu pai Rulon, que havia falecido. O “profeta”, que ficou com todas as mulheres do pai, lhe disse que ela se casaria com um primo de 2º grau. Ruby ficou desesperada, conhecia o primo, mas não gostava dele. Chorou diante do “profeta” Warren, pedindo-lhe que não a obrigasse a se casar com o primo, mas o “profeta” lhe disse que o deus da Bíblia havia dito aquilo a ele, ela não podia desobedecer à ordem do deus bíblico. Ela se casou, mas, num certo dia, resolveu fugir da comunidade. Dias depois, longe dali, aparece diante dela o Joe Rohbock, fanático cristão por quem ela era apaixonada, a mando do “profeta”, sem que ela soubesse. Joe pediu que ela voltasse para a comunidade da Igreja porque o “profeta” havia dito que casaria os dois. Tudo mentira! Ela acreditou, voltou para a Igreja e foi obrigada a ficar com o esposo Haven, seu primo. No documentário, Joe Rohbock, fora da Igreja hoje, fala também sobre seu relacionamento com ela. 

O “profeta” cristão Warren Jeffs, além de ter ficado com as esposas de seu pai, pegou mais esposas ainda, menores de idade, configurando estupros, mas tudo isso não chegava ao conhecimento da polícia. Pais cristãos entregavam suas próprias filhas para a satisfação sexual do “profeta”, pensando que estavam agindo conforme a vontade do deus da Bíblia. Warren proibiu também qualquer tipo de divertimento (televisor, vídeos, livros) e instituiu para as mulheres o uso obrigatório de roupas cobrindo quase o corpo todo, do pulso aos pés. E fixou os tipos de cortes de cabelo, somente para as mulheres, claro. E elas aceitavam porque ele lhes dizia que o deus bíblico havia estabelecido essas regras. Como diz o Edson Martins, nada pior que as religiões para fazer o homem de idiota!  

A cada dia, a Igreja ia ficando mais rica, apossando-se dos bens dos fiéis (imóveis, empresas, carros, máquinas agrícolas). Os adolescentes eram usados como mão de obra gratuita, nas várias construções da comunidade. Em fevereiro de 2002, as olimpíadas chegaram à cidade de Salt Lake City. O “profeta” Warren havia propagado que, se as olimpíadas chegassem à cidade, a Terra seria destruída pelo deus da Bíblia, com Jesus voltando pelas nuvens. As olimpíadas chegaram. E o que aconteceu, leitor? Calma, muita calma nessa hora! O “profeta” disse aos membros da comunidade da Igreja que vendessem seus imóveis e fossem para a localidade de Short Creek, na fronteira entre Utah e Arizona. No documentário, aparecem os fiéis deixando, de carro, em filas imensas, Salt Lake City. Dez mil pessoas acreditaram no “profeta”, aguardando a volta de Jesus. Como é óbvio, Jesus algum apareceu. Em Short Creek, muitos fiéis perguntaram ao “profeta” por que sua revelação não se concretizou, ou seja, porque Jesus não desceu pelo céu. E o “profeta”, muito esperto, disse àqueles abestados que o deus da Bíblia havia mudado de ideia, que resolveu fazer apenas um teste. E os fiéis acreditaram de novo. Não se esqueça, leitor, das palavras do Edson Martins: nada pior que as religiões para fazer o homem de idiota.  

Muito bem! E, a partir de quando, a coisa começou a ficar feia para o “profeta” cristão Warren Jeffs?  Até então nenhuma autoridade de Short Creek ligava para essas maldades praticadas contra mulheres fiéis cristãs e, pior ainda, contra crianças. Policiais, comerciantes e muitos ricos da região também eram membros da Igreja e sabiam de tudo, mas nada faziam. Então, a partir de quando a coisa começou a ficar feia para o “profeta” Warren Jeffs? Ora, graças à ação do detetive particular, Sam Brower, e do jornalista Mike Watkiss.   

Em 2004, o detetive Sam Brower viu, num jornal, que o “profeta” Warren havia expulsado da comunidade vários garotos do sexo masculino, que passaram a viver perambulando pelas ruas. Veja, leitor, como a lavagem cerebral religiosa é forte. Esses garotos aparecem no documentário, sentados no chão. Seus pais, adoradores do “profeta”, rejeitaram os próprios filhos. A partir daí, Sam Brower passou a dedicar atenção à Igreja do “profeta”. Entra em cena o jornalista Mike Watkiss, que começa a investigar a vida dos cristãos fundamentalistas. Encontrou um policial polígamo, Rod Holm, levando-o a julgamento, tendo sido condenado por ter se casado com uma menor. O “profeta” Warren já começou a ficar com medo. Sabe o que ele fez, leitor? Não, não orou ao deus da Bíblia. Fugiu, leitor, isso mesmo, fugiu! Foi para uma fazenda em Eldorado, no Texas. Lá, com muito dinheiro oriundo dos fiéis bobos, passou a construir vários imóveis, inclusive uma grande igreja, dizendo aos fiéis que era a terra prometida pelo deus bíblico. E os fiéis foram para lá. E já havia mandado de prisão contra ele.

No dia 28 de agosto de 2006, a polícia, à noite, vê um carro com a placa meio apagada, na estrada deserta, dando ordem para que o motorista parasse o veículo. Adivinhe, leitor, quem estava no carro? Isso mesmo: Warren Jeffs, seu irmão Isaac Jeffs e uma mulher. A cena também está no documentário. Os 3 foram presos, encaminhados a uma penitenciária. Em 13 de setembro de 2007, a realização da primeira audiência. Warren, ainda preso desde 2006, comparece algemado e escoltado. Mulheres vítimas do abuso sexual são ameaçadas por cristãos fanáticos ligados ao “profeta”. Ao ser chamada pelo juiz para depor, Elissa Wells, chorando, diz que foi obrigada a se casar com o “profeta” quando tinha apenas 14 anos de idade. Segundo as leis americanas, estava configurado o estupro. E seguiram outras acusações. 12 dias depois, em 25 setembro de 2007, o “profeta” foi condenado por 2 estupros. Em 3 de abril de 2008, uma garota da Igreja, com apenas 16 anos de idade, abre a boca, dizendo que tem um filho do “profeta” e está grávida de novo. No dia seguinte, a polícia vai à fazenda, com uma ordem judicial para retirar todas as crianças. 421 crianças são colocadas em ônibus e levadas para a cidade, sob o desespero das mães cristãs fanáticas. Em seguida, a polícia entra em contato com Rebecca Wall, solicitando-lhe ajuda para pôr a mão em mais provas contra o “profeta”. Ela diz à polícia que, na igreja, existe um cofre numa sala secreta, com vários documentos. No dia seguinte, a polícia entra no luxuoso templo, encontrando o cofre. Ao abri-lo, mais provas contra o “profeta”: certidões de casamento com meninas com 13 e 14 anos, áudios do “profeta”, com sua própria voz, orientando crianças a fazer carinhos sexuais, fotos de crianças nuas etc. Diante dessas provas, o “profeta” foi condenado por vários estupros. Possuía 78 esposas, sendo 24 delas menores de idade. No total, foi condenado a 100 anos de prisão. Infelizmente, na prisão, recebe visitas de fiéis que estão à frente da Igreja, sendo considerado ainda um homem do deus bíblico. 

Você, leitor, já esqueceu o que o Edson Martins disse? Vou repetir aqui. Ele disse o seguinte:


“Não existe coisa pior que as religiões para fazer o homem de idiota!”