domingo, 20 de fevereiro de 2022

FREI BETTO E A ARROGÂNCIA CRISTÃ

                                      Leitor amigo,



Em meu vídeo de ontem, sábado, com o título Jesus e o estuprador de minha irmã, fiz mais uma análise sobre um texto do teólogo cristão Frei Betto, em seu livro Um Deus muito humano - Um novo olhar sobre Jesus, Editora Schwarcz, 2015. Naquele vídeo, recebi vários comentários, sendo que um deles me levou a fazer este vídeo, o comentário de Denicarla Oliveira. Ela mostra facilmente a ausência de raciocínio dos cristãos diante das mais diversas situações. Em um trecho de seu comentário, Denicarla escreve:

 



“ (...) Agora só uma pergunta ao Frei Beto, caso deus existisse, ele estaria de braços cruzados e nada o faria para impedir o estupro né ! Quantas mulheres acreditam em deus e mesmo assim são violentadas todos os dias, isso ninguém mostra.”

 



Denicarla está se referindo aos estupros sofridos pela irmã do advogado amigo de Frei Betto. A mulher, bastante bonita, foi sequestrada durante 3 dias, tendo sido estuprada várias vezes pelos sequestradores. Quando foi libertada, estava em estado deplorável, razão pela qual permaneceu durante 15 dias em um hospital. 

Denicarla diz que, se estivesse diante de Frei Betto, lançar-lhe-ia uma pergunta: por que o deus adorado pelos cristãos não impediu o estupro? Por que ficou de braços cruzados, apenas assistindo aos estupros praticados pelos sequestradores? Por que não teve compaixão com os gritos de socorro da mulher estuprada? 

Denicarla sabe muito bem que deus algum existe, deus algum socorre ou deixa de socorrer alguém. O problema é que ela fica indignada ante as afirmações de cristãos acerca desse caso, por exemplo. Assim, cristãos aparecem dizendo que seu deus não agiu porque não pode interferir no livre-arbítrio. Seu deus estava lá, naquele lugar em que a mulher sofria vários estupros, apenas assistindo às cenas horríveis, de braços cruzados. A pobre mulher gritava por socorro, mas o deus cristão não pôde ajudá-la, em respeito ao livre-arbítrio dos estupradores. Percebeu o absurdo, caro leitor? 

O homem religioso não diz coisa por coisa! Isso é fato público e claro! Ora, quando cristãos escapam de situações terríveis, alegam que seu deus interveio para salvá-los. Não é mesmo, leitor? Se eles dizem que seu deus agiu para salvá-los, então não podem jamais dizer que seu deus não socorreu a mulher estuprada porque não pôde intervir no livre-arbítrio dos estupradores. Entendeu o absurdo, leitor? A falta de raciocínio é assim:

 



Se um cristão escapa de uma situação perigosa, seu deus agiu. O livre-arbítrio não o impediu de agir.

Se um cristão não escapa, seus familiares dirão que seu deus não pôde agir por causa do livre-arbítrio dos criminosos. 

 



Percebeu a maluquice, leitor? Então, como é que fica? Deus age contra o livre-arbítrio ou não? Sob a visão do cristão, depende. Se o cristão escapa, deus não está nem aí para o livre-arbítrio dos criminosos. Deus age! Se o cristão não escapa, Deus não agiu por causa do livre-arbítrio. Entendeu o absurdo, leitor?

Denicarla diz que inúmeras mulheres que acreditam no deus da Bíblia são estupradas a cada dia. Isso também é fato público e notório. O que Denicarla quer dizer com essa afirmação? Ora, ela quer dizer que a crença em deuses não oferece proteção a quem quer que seja. Deus algum existe, deus algum protege ou deixa de proteger alguém. E aí estão os fatos para comprovarem essa verdade. 

E outro problema: quando uma mulher cristã escapa de um estupro, afirmando que seu deus agiu para salvá-la, não dando a mínima atenção para o livre-arbítrio do estuprador, ela não percebe a arrogância presente nessa afirmação. Ela, sem querer, está dizendo que é superior às mulheres estupradas, que não tiveram a mesma “sorte”. Seu deus a salvou, não respeitou o livre-arbítrio dos criminosos, mas deixa de salvar inúmeras mulheres e crianças, até recém-nascidos, que são estuprados a cada dia.

 Existe arrogância, prepotência maior do que essa? Existe irracionalidade maior do que essa? 


sábado, 19 de fevereiro de 2022

FREI BETTO, JESUS E OS ESTUPRADORES DE MINHA IRMÃ

                                   Leitor amigo,



Mais um vídeo em que analiso outra afirmação de Frei Betto presente na página 60 do citado livro. 

Antes, porém, como se trata de um texto de cunho religioso, sinto-me na obrigação de trazer uma afirmação de Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise, que foi judeu e ateu, em seu livro O futuro de uma ilusão, Editora Pallotti, 2010. Nas páginas 111 e 112, Freud escreve assim:

 



“As verdades contidas nas doutrinas religiosas estão de tal maneira deformadas e sistematicamente disfarçadas que a massa dos seres humanos não pode reconhecê-las como verdades.”

 



No texto acima, Freud foi tão claro que nem há necessidade de explicar o teor de sua afirmação. Pois bem! Agora voltemos ao teólogo cristão Frei Betto. Na página 60, ele narra um fato horrível ocorrido com a irmã de um advogado paulista, muito amigo dele. Segundo Frei Betto, a mulher, muito bonita, foi sequestrada durante 3 dias, tendo sido estuprada pelos sequestradores. Ao ser libertada, encontrava-se em estado deplorável, sendo obrigada a passar 15 dias em um hospital. Um mês depois, os sequestradores foram presos. Frei Betto diz que, num certo dia, o delegado de Polícia Civil que acompanhava o caso chamou à delegacia o advogado, irmão da mulher sequestrada, dizendo-lhe:

 



“Eles estão em minhas mãos. Agora quero que o senhor decida que tipo de tortura vamos aplicar neles.”

 



Você, leitor, está entendendo, não é mesmo? O delegado prendeu os sequestradores e estupradores da irmã do advogado. E chamou o advogado para escolher o tipo de tortura que seria aplicado aos criminosos. Ao ouvir aquilo vindo do delegado, o advogado lhe disse:

 


“Se o senhor encostar a mão em um deles, vou denunciá-lo ao Ministério Público.”





Entendeu, leitor? O delegado queria torturar os estupradores da irmã do advogado, mas este não permitiu. Frei Betto citou esse fato para mostrar um exemplo de amor por parte de seu amigo advogado. A irmã dele foi estuprada várias vezes. Ele tinha motivo para escolher a tortura, mas agiu diferente, não permitiu que o delegado torturasse os sequestradores. Segundo Frei Betto, o advogado agiu conforme a bondade de Jesus, de acordo com a ética de Jesus. Frei Betto até pergunta a seus leitores:



“Eu seria capaz de reagir assim? De conter a minha ânsia de vingança? De evitar o olho por olho, dente por dente? Seria capaz de ter a ética de Jesus?”




Frei Betto faz as perguntas acima endereçadas aos leitores do livro. O que você, leitor, faria se uma irmã sua tivesse sido estuprada? Você permitiria que o delegado torturasse os estupradores? Você seria capaz de ter a ética de Jesus, ou seja, impediria que o delegado torturasse os estupradores, deixando que a Justiça decidisse conforme a lei? Segundo Frei Betto, Jesus é sinônimo de amor, portanto, não permite tortura alguma. 

Com todo respeito à pessoa de Frei Betto, não há como concordar com sua afirmação, diante dos textos atribuídos a Jesus no Novo Testamento. Como sempre afirmo, quando tratamos de Jesus, tratamos do Jesus que está presente nas lendas do Novo Testamento. E ali não temos apenas 1 Jesus, mas vários com pontos de vista diferentes. Frei Betto diz que a ética de Jesus não permite tortura alguma porque Jesus é amor. Será isso verdade, caro leitor? Para descobrirmos se é verdade ou não, temos que folhear o Novo Testamento. Pergunto-lhe, leitor:

 



Qual é a principal mensagem do cristianismo endereçada às pessoas, de acordo com os textos atribuídos a Jesus no Novo Testamento? O que sacerdotes católicos e pastores evangélicos pregam com ênfase?






Ora, a principal mensagem do cristianismo, o que padres e pastores evangélicos pregam com ênfase é que se você, leitor, não aceitar a Jesus como seu salvador pessoal, quando morrer, queimará eternamente no fogo do inferno. E Frei Betto ainda afirma que Jesus é contra qualquer tipo de tortura. Por favor, não ria, leitor, não ria porque está atrapalhando minha concentração aqui. Quem conhece o cristianismo sabe muito bem que essa é a mensagem principal. Basta ler todos os livros do Novo Testamento. Veja, por exemplo, leitor, a fala atribuída a Jesus que está no Evangelho de Marcos, capítulo 16, versículos 15 e 16:




“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.

 Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.”




As palavras acima foram atribuídas a Jesus, atribuídas! Jesus diz a seus discípulos que quem não crer nele, quando morrer, será queimado eternamente no fogo do inferno, um lugar onde haverá choro e ranger de dentes. Em outro vídeo, já analisamos os absurdos contidos aqui. Fiquemos com a fala de Frei Betto acima. Ele diz que o advogado, irmão da mulher estuprada, não permitiu que o delegado torturasse os estupradores. E afirmou que o advogado agiu conforme a ética de Jesus, que Jesus é contra qualquer tipo de tortura. Mas como? Ora, em todo o Novo Testamento, Jesus afirma que a pessoa que não o aceitar como seu salvador pessoal, quando morrer, queimará eternamente no fogo do inferno. Ora, Jesus está pregando TORTURA ETERNA, sofrimento eterno para as pessoas que não acreditarem nele. Entendeu, leitor, como o que diz Frei Betto não tem apoio algum? 

Frei Betto condena o comportamento do delegado porque queria torturar os estupradores, e elogia a decisão de seu amigo advogado que não permitiu essa maldade. Ora, leitor, façamos uma comparação com o delegado e o Jesus do Novo Testamento. O delegado queria praticar uma tortura passageira contra os estupradores. Já Jesus promete uma tortura eterna, sem fim, às pessoas que não acreditarem nele. Nem há necessidade de uma pessoa estuprar alguém, basta que não acredite em Jesus. E aí, leitor, qual dos dois, delegado ou Jesus, possui uma carga maior de maldade? Veja que o delegado queria torturar estupradores durante apenas algumas horas, depois pararia. Já Jesus condenará eternamente pessoas apenas porque não acreditam nele, essas pessoas nem precisam estuprar ou roubar, basta não acreditarem em Jesus. Entendeu, leitor? Então, com quem está a maldade em grau elevado, com o delegado ou com Jesus? 

Responda, leitor! 

Responda!!!


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

FREI BETTO, JESUS, OS MAGOS E A ESTRELA

                                 Leitor amigo,


Na página 25, Frei Betto, referindo-se à lenda bíblica sobre o nascimento de Jesus, escreve o seguinte:




“Conta a Bíblia que sobre a cidade de Belém da Judeia reluziu uma estrela quando nasceu Jesus. Provenientes da Babilônia, os reis astrólogos, também conhecidos por magos, orientaram-se por ela até chegarem à manjedoura, junto à qual adoraram o menino.” 

 



Frei Betto, no fundo, sabe que esse relato é uma lenda criada pelo cristão que escreveu o texto que está no Evangelho de Mateus. Vamos entender, caro leitor, direitinho isso aqui. No Novo Testamento, só existem 4 evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Apenas 2 evangelhos trazem narrativas sobre o nascimento de Jesus: Mateus e Lucas. Os outros 2 evangelhos ( Marcos e João) não tocam no assunto, nada dizem sobre o nascimento de Jesus. 

Então, apenas os evangelhos de Mateus e Lucas falam sobre o nascimento de Jesus. E agora vem a pergunta, leitor: os relatos que estão em Mateus e Lucas são iguais? Não, leitor, são diferentes! São diferentes porque não são relatos sobre um fato histórico, que realmente ocorreu, mas lendas. Em lendas, as pessoas escrevem livremente, escrevem o que querem, pouco importando o que outras pessoas escrevem. Por isso, o que está em Mateus é totalmente diferente do que está em Lucas. 

Frei Betto, no texto acima, se refere ao relato que está em Mateus, ou ao relato que está em Lucas? A resposta é mais fácil do que empurrar um bêbado ladeira abaixo: ele faz referência ao relato que está em Mateus, mas pega um ponto que está em Lucas. Ou seja, Frei Betto faz uma mistura, entendeu, leitor? Ele escreve que apareceu uma estrela quando Jesus nasceu, em Belém da Judeia. Mostra também que magos foram orientados pela estrela. Tudo isso, leitor, está no Evangelho de Mateus, capítulo 2º. E qual é o ponto utilizado por Frei Betto que está em Lucas, mas não está no Evangelho de Mateus? A manjedoura, caro leitor, a manjedoura! A manjedoura só existe na lenda de Lucas, não está na lenda de Mateus. Em Mateus, os magos chegam à casa de José e Maria. Casa, e não manjedoura. Em Lucas, nada de magos. Pastores é que foram visitar o menino Jesus numa manjedoura, um lugar para abrigar animais, um estábulo. Como são lendas, invenções, tudo diferente! Em Mateus, uma estrela, os magos e a casa de José e Maria. Em Lucas, nada de estrela, nada de magos e nada de casa de José e Maria.

Veja, leitor, a ingenuidade do relato que está em Mateus. Uns magos saíram do Oriente para visitarem o menino Jesus. Eles não sabiam em que lugar Jesus havia nascido. E o que aconteceu? Ora, apareceu uma estrela, sim, uma estrelinha lá, no céu, para guiá-los. Por favor, leitor, não ria, porque você está atrapalhando minha concentração aqui! Por favor! Os magos olhando a estrela, e ela indo para a frente. E eles seguindo a estrela. Mais à frente, um problema: a estrela errou o caminho. Por favor, não ria, leitor! Não ria! Sim, a estrela errou o caminho! Ora, está escrito que Jesus havia nascido em Belém da Judeia. Então a estrela deveria ter levado os magos a essa cidade, não é mesmo? Só que ela conduziu os magos à cidade de Jerusalém, onde morava o rei Herodes. Lá, em Jerusalém, os magos, mais perdidos que cego em tiroteio, perguntavam a todos em que lugar havia nascido Jesus. E o rei Herodes, com medo de perder futuramente o reino para Jesus, queria matá-lo. Para isso, pediu aos magos que lhe informassem o endereço de Jesus. E aí os magos seguiram viagem com destino a Belém da Judeia, sempre acompanhando a estrelinha. Você, leitor, está rindo novamente! Por favor, não ria agora! 

Vamos parar por aqui, leitor. Agora vem a pergunta: por que os magos foram parar em Jerusalém? Por que eles não foram direto para Belém da Judeia? A resposta é simples: nessa lenda, o escritor queria colocar na cabeça daquele povo que Jesus seria futuramente um rei forte e poderoso quanto o foi o lendário Davi. Por isso mesmo, inventou que os magos chegaram a Jerusalém, onde morava o rei Herodes. Daí, Herodes, com medo de perder o reino para Jesus, no futuro, resolveu mandar matá-lo. Essa foi a intenção do escritor cristão que escreveu essa lenda em Mateus, entendeu, leitor? Os magos passaram por Jerusalém para que Herodes ficasse desesperado. E a outra ingenuidade aqui é que Jesus, na lenda, cresceu, tornou-se adulto, e nunca foi rei em Jerusalém, nem em toda a Palestina. Entendeu, leitor? Quando Herodes morreu, deixou seus filhos no poder. Ou seja, o poder continuou com a família de Herodes. Jesus jamais foi o rei profetizado pelo cristão que escreveu a lenda que está em Mateus. 

Entendeu, leitor?