terça-feira, 14 de setembro de 2021

A BÍBLIA SEM CONTRADIÇÕES

                                   Como mostrei no vídeo “A bela esposa de Caim”, publicado ontem, domingo, dia 12 de setembro do corrente ano, o folheto das Testemunhas de Jeová afirma que não existem contradições na Bíblia. Para esse vídeo, trago mais um trecho:


“Não raro os críticos simplesmente procuram contradições, e talvez digam: ‘O escritor bíblico Mateus diz que um oficial de exército veio pedir um favor a Jesus, ao passo que Lucas diz que para isso foram enviados representantes. Qual dos dois é correto? (Mateus 8:5, 6; Lucas 7:2,3). Mas é isto realmente uma contradição?”


O folheto diz que, em Mateus 8: 5 e 6, é dito que um oficial de Exército se encontrou com Jesus, pedindo-lhe um favor. A mesma passagem foi copiada em Lucas 7:2 e 3, só que o relato é diferente. Lucas afirma que nenhum oficial de Exército se encontrou com Jesus, mas enviou representantes. É o que está no folheto. E diz que não há contradição entre as duas passagens. Por favor, leitor, não ria porque você atrapalhará minha concentração aqui. Veja as passagens bíblicas citadas pelo folheto. Em Mateus 8: 5 e 6, está escrito:



“5 Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, apresentou-se-lhe um centurião, implorando:

 6  Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente.”



Muito bem, amigo leitor! Está dito que, quando Jesus entrou em Cafarnaum, um centurião se apresentou diante dele. Um centurião conversou com Jesus. Um centurião fez um pedido a Jesus, que ele curasse um escravo dele. Grave bem essa passagem, leitor. Veja, agora, a mesma passagem no evangelho de Lucas 7:1 a 3:







“1  Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. 

 2   E o servo de um centurião , a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte.

 3     Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo.”



É dito aqui, em Lucas, coisa diferente. Em Mateus, o centurião se encontrou pessoalmente com Jesus, pedindo-lhe um favor. Em Lucas, isso não ocorreu. O centurião ficou em sua casa, não se encontrou com Jesus, não falou com Jesus. O centurião enviou alguns representantes para fazer o pedido a Jesus. E o folheto ainda afirma que não existe contradição aqui. Por favor, leitor, pare de rir porque atrapalha minha concentração aqui. Por favor! Veja agora a explicação do folheto:


“Quando a atividade ou o trabalho de certas pessoas é atribuído àquele que é responsável por isso, uma pessoa razoável não aponta nisso uma discrepância. Por exemplo, você considera errada uma informação que diga que o prefeito construiu uma estrada, embora a construção propriamente dita tenha sido feita pelos seus engenheiros e operários? Naturalmente que não! Similarmente, não é contraditório da parte de Mateus dizer que o oficial de exército fez um pedido a Jesus, ao passo que, como escreveu Lucas, tal pedido tenha sido feito através de certos representantes. À medida que se conhecem mais pormenores, as aparentes discrepâncias na Bíblia desaparecem.”









Como afirmei no vídeo anterior, esses folhetos cristãos são feitos para enganar fiéis ingênuos. A explicação para afirmar que as passagens bíblicas acima não são discrepantes é extremamente ingênua, profundamente ridícula. Só mesmo uma pessoa boba para aceitá-la passivamente. O exemplo do prefeito é para você, leitor, morrer de rir. Diz o folheto, como exemplo, que um prefeito diz que construiu uma determinada ponte, mas, na verdade, foram os engenheiros e os operários que a construíram. Mais um exemplo agora trazido por mim: o presidente da República, em 1960, Juscelino Kubitschek. Todos dizem que Juscelino construiu a linda Brasília, mas, na verdade, ela foi construída pelos engenheiros e operários. Esses exemplos nada têm a ver com as passagens bíblicas acima, como insinua o folheto cristão. 

Ora, uma coisa é alguém afirmar que um homem se encontrou com Jesus, fazendo-lhe um pedido. Coisa bem diferente é afirmar que esse homem não se encontrou com Jesus, ao contrário, enviou a Jesus outras pessoas. Imagine, leitor, uma testemunha de um crime, dizendo a um juiz de Direito que se encontrou com a vítima, que conversou com a vítima. E, em outro momento, ao ser ouvida novamente, afirma ao juiz que não se encontrou com a vítima, que não conversou com a vítima, que, ao contrário, enviou pessoas para conversarem com a vítima. O que o juiz de Direito fará diante dos dois relatos diferentes, contraditórios? Ora, ele mandará prender a pessoa por falso testemunho. A testemunha entrou em contradição porque, num dado momento, disse que se encontrou com a vítima, já em outro momento disse que não se encontrou com a vítima, mas enviou representantes. Entendeu, leitor? É justamente o caso dos relatos criados pelos escritores cristãos. 

Outro exemplo bem claro. Em 1919, em Sobral, minha terra natal, no estado do Ceará, foi comprovada, por meio de um eclipse, a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein. Isso foi um fato histórico, e não uma lenda bíblica. Todos os livros relativos ao evento afirmam que Albert Einstein não foi a Sobral, mas enviou representantes. Verdade pura! Imagine, leitor, um livro de Física, afirmando que Einstein esteve em Sobral, pessoalmente, e outro dizendo o contrário, ou seja, que ele não foi a Sobral, mas enviou representantes. Seria uma loucura, não é mesmo? 

Pois essa loucura está na Bíblia porque são livros repletos de lendas, mitos, alegorias, fábulas, contradições, discrepâncias e erros. 


domingo, 12 de setembro de 2021

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E A ESPOSA DE CAIM

                        As Testemunhas de Jeová são mais uma fantasia religiosa cristã norte-americana, fundada na década de 1870 por Charles Taze Russel.

No folheto “Por que se pode confiar na Bíblia”, está escrito:


“(...) Embora alguns afirmem que a Bíblia se contradiz, será que alguém já lhe mostrou um exemplo específico? Nós nunca vimos algum que pudesse resistir a um escrutínio. Talvez pareça haver discrepâncias em certos relatos bíblicos, é verdade. Mas geralmente o problema é a falta de conhecimento sobre detalhes e circunstâncias da época.”


Esses folhetos cristãos são feitos para enganar pessoas ingênuas. É dito acima que a Bíblia não contém contradição. Se alguém afirmar que existem contradições nela, falta a essa pessoa o conhecimento. Ora, isso é uma piada! Na verdade, a Bíblia está lotada de contradições, discrepâncias, lendas, mitos, alegorias, hipérboles e erros. Qualquer estudioso sério da Bíblia tem esse conhecimento. Deus algum existe, deus algum escreve alguma coisa, deus algum deixou algum livro. A Bíblia, na verdade, é um conjunto de livros muito antigos, escritos, ao longo de mil anos, por homens de uma sociedade chamada hebraica, retratando os costumes vivenciados naquelas épocas. E o folheto continua:


“(...) Por exemplo, alguns apontam para o que consideram ser uma discrepância na Bíblia, perguntando: ‘Onde Caim arranjou a sua esposa?’ Mas o pressuposto é que Caim e Abel eram os únicos filhos de Adão e Eva. No entanto, tal pressuposto se baseia num mal-entendido quanto ao que a Bíblia diz. A Bíblia diz que Adão ‘se tornou pai de filhos e de filhas’. (Gênesis 5:4) Assim, Caim casou-se com uma de suas irmãs, ou talvez com uma de suas sobrinhas.”






Veja, caro leitor, a ingenuidade do texto acima. É dito que muitas pessoas veem essa discrepância na Bíblia, a de que Caim arranjou uma esposa quando a única mulher existente até então era sua mãe Eva. Como foi possível Caim se casar com uma mulher, se não existia ainda essa mulher? Diz o folheto que quem afirma tal coisa não conhece a Bíblia porque lá está escrito que o casal Adão e Eva teve filhos e filhas. Assim, Caim deve ter se casado com uma de suas irmãs ou talvez com uma de suas sobrinhas. 

Ora, o folheto das Testemunhas de Jeová está mais perdido que cego em tiroteio numa das favelas do Rio de Janeiro. É muita bobagem escrita, amigo leitor! Em primeiro lugar, Adão, Eva, Caim e Abel são personagens fictícios, nunca existiram de fato. São entes lendários. Um relato criado pela imaginação do escritor hebreu. Em segundo lugar, justamente por ser um relato criado, está repleto de ingenuidades e absurdos. Veja, leitor, que o folheto está afirmando que, quando Caim encontrou uma esposa, sua mãezinha Eva já havia parido filhos e filhas. Ora, o folheto está DETURPANDO o texto bíblico! Ao contrário do que diz o folheto, está escrito na Bíblia que, quando Caim encontrou uma esposa, sua mãe Eva só havia parido até então dois filhos, Abel e Caim. Não havia parido ainda uma menina para se casar com Caim. O folheto engana o leitor bobo quando traz uma informação que se encontra em capítulos posteriores. Para ser mais claro, veja, leitor, a sequência do livro de Gênesis:

1º capítulo:  a criação dos céus e da Terra

2º capítulo:  a formação do homem e da mulher

3º capítulo:  a queda do homem

4º capítulo:  Eva pariu Abel e Caim (2 filhos)

                       Abel morre. Caim se casa. 

                       Eva vem a parir mais um filho: Sete                                             

5º capítulo:  Descendentes de Adão

                       Eva vem a parir mais filhos e mais filhas






Percebeu, leitor, o erro do folheto? Ele afirma que Adão e Eva tiveram vários filhos e filhas, então, Caim se casou, talvez, com uma de suas irmãs. Eis o erro do folheto! Ora, a Bíblia afirma que o casal teve vários filhos e filhas depois do nascimento do 3º filho chamado Sete, e isso está no capítulo 5º, posterior. Na lenda, no capítulo 4º, Caim se casou, antes do nascimento do irmão Sete. Ou seja, quando Caim se casou, não havia uma irmã dele. Nem o irmão Sete ainda existia. O primeiro filho do casal foi Caim. O segundo, Abel. Abel foi assassinado. Caim se casou, mas não havia mulher alguma para isso. Após o casamento de Caim (risos), nasce o 3º filho do casal: Sete! Somente depois do nascimento de Sete é que o casal Adão e Eva teve mais filhos e filhas, conforme o capítulo 5º, versículo 4:



“Depois que gerou a Sete, viveu adão oitocentos anos; e teve filhos e filhas.”



Como se vê, o capítulo 4º traz a prole do casal Adão e Eva, citando nominalmente os filhos, na sequência: Caim, Abel e Sete. Não há filha alguma aqui ainda. Abel morre, restam Caim e Sete. Caim se casou. Aqui, a ingenuidade! Não se casou porque ainda Eva não havia parido uma filha. Caim tem um filho. Depois, Eva vem a parir o filho Sete. Depois de Sete, o casal teve mais filhos e filhas. Isso no capítulo 5º, e não no 4º.

E mais uma ingenuidade da lenda: a perversão sexual da família lendária, um irmão se casando com uma irmã, ambos sentindo um desejo sexual entre si. É o que ocorre quando alguém imagina a humanidade surgindo de apenas 1 casalzinho. Se, em minha lenda, eu coloco apenas 1 casal na Terra, então cairei no absurdo, afirmando que um irmão manterá relações sexuais com uma irmã. Que depravação, não é mesmo, leitor? Eu, no lugar do hebreu que escreveu esse texto, teria colocado, na lenda, que o deus hebreu fez mil casais a fim de evitar o desejo sexual de um irmão por uma irmã e também problemas advindos de casamentos consanguíneos e por afinidade, uniões entre parentes. O relato bíblico é tão bobo que o deus hebreu fez inúmeras estrelas, todavia, se esqueceu de fazer inúmeros casais. 


quarta-feira, 8 de setembro de 2021

O MINISTRO QUEIROGA E A MALDITA VÍRGULA

 O jornalista Luiz Carlos Azedo inicia seu artigo assim:


“A notícia de que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, havia pedido demissão foi a sensação nas redes sociais, ontem, até ser desmentida pelo próprio. (...) A história toda começou por causa de uma vírgula, na coluna publicada pelo jornalista Matheus Leitão, no site da revista Veja, intitulada “Queiroga, pede para sair”.


Amigo leitor, o jornalista do jornal Correio Braziliense Luiz Carlos Azedo diz que, nas redes sociais, foi veiculada a exoneração do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Queiroga havia pedido sua saída. Mais uma notícia falsa, que foi desmentida pelo próprio ministro. E qual foi a causa do surgimento da notícia? Ora, o desconhecimento do emprego de uma miserável vírgula em um artigo do jornalista Matheus Leitão, no site da revista Veja. Matheus Leitão empregou corretamente a vírgula, só que um exército de pessoas, por não dominar o emprego da vírgula, deu sentido totalmente diferente ao texto. Leitão escreveu:


“Queiroga, pede para sair”


Na oração acima, Leitão está pedindo ao ministro Queiroga que saia do poder, que deixe o ministério da Saúde. Pede para sair, Queiroga, por favor, pede para sair! Coisa bem diferente seria a oração sem a vírgula:


“Queiroga pede para sair”


Na oração acima, o sentido é outro. A ausência da vírgula faz a diferença. O ministro Queiroga pediu sua saída, solicitou sua exoneração. Só que não foi isso que afirmou o jornalista Leitão. Ele colocou a vírgula depois de Queiroga, indicando que o ministro não pediu sua exoneração. Assim, temos:




QUEIROGA, PEDE PARA SAIR

QUEIROGA PEDE PARA SAIR




Eis, leitor, mais um exemplo no mundo da realidade de que uma simples vírgula é capaz de mudar completamente o sentido de uma oração, de uma afirmação. Veja mais exemplos que ocorrem no dia a dia.



    NÃO, ESPERE.

          NÃO ESPERE.



As duas orações acima trazem as mesmas palavras, a única diferença é a vírgula. Ela muda o sentido da oração. Na primeira oração, com o emprego da vírgula, “Não, espere”, alguém está pedindo que outra pessoa não aja no momento, que espere um pouquinho mais para agir, que deixe para depois. Na segunda oração, sem a vírgula “Não espere”, alguém está pedindo que outra pessoa aja logo, imediatamente, que não deixe para depois. Sentidos, pois, diferentes!




  ISSO SÓ, ELE RESOLVE.

     ISSO, SÓ ELE RESOLVE.



 Nas orações acima, com as mesmas palavras, há mudança de sentido causada pelo uso da vírgula. Na primeira oração “Isso só, ele resolve”, com a vírgula depois da palavra “só”, o sentido é de que alguém resolve algo que é fácil. Isso só, ou seja, esse problema tão simples é resolvido por ele, por alguém. Na segunda oração “Isso, só ele resolve”, com a vírgula antes da palavra “só”, o sentido é outro, o de que determinado problema só será resolvido por uma pessoa em especial. Somente ele, alguém, resolverá o problema, outra pessoa, não! 



    NÃO QUEREMOS SABER

NÃO, QUEREMOS SABER



Na primeira oração “Não queremos saber”, sem vírgula, o sentido é de que nós não queremos saber, não queremos tomar conhecimento acerca de algo. Na segunda oração “Não, queremos saber”, com a vírgula, o sentido é outro, o de que nós, sim, queremos saber, queremos tomar conhecimento acerca de algo. 




      NÃO TENHA CLEMÊNCIA

NÃO, TENHA CLEMÊNCIA



Na primeira oração “Não tenha clemência”, sem a vírgula, o sentido é de que alguém não deve ter clemência, não deve ter compaixão pela dor de alguém. Na segunda oração “Não, tenha clemência”, com a vírgula, o sentido é outro, o de que alguém deve ter clemência diante de outra pessoa, deve ter compaixão com o sofrimento de outrem. 




VAMOS PERDER, NADA FOI              RESOLVIDO


VAMOS PERDER NADA, FOI RESOLVIDO





Na primeira oração “Vamos perder, nada foi resolvido”, com a vírgula antes da palavra ‘nada”,  alguém está afirmando que a derrota é iminente, próxima, porque nada foi resolvido. Na segunda oração “Vamos perder nada, foi resolvido”, com a vírgula depois da palavra ‘nada’, o sentido é outro. Alguém está afirmando que o problema foi resolvido, que ninguém perderá alguma coisa. 



ROBERTO CARLOS CANTA MUITO

ROBERTO, CARLOS CANTA MUITO

 


Na primeira oração “Roberto Carlos canta muito”, está-se afirmando que o cantor brasileiro Roberto Carlos canta bem. Na segunda oração “Roberto, Carlos canta muito”, o sentido é outro. Alguém está afirmando a uma pessoa de nome Roberto que outra pessoa de nome Carlos canta bem. Carlos canta muito, e não o Roberto. 

Cuidado, leitor, muito cuidado com as vírgulas!


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

ALEXANDRE GARCIA E A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO

 


Esse é o 3º vídeo em que faço uma pequena análise acerca das afirmações do jornalista Alexandre Garcia, publicadas no jornal Correio Braziliense, quarta-feira, dia 25 de agosto do corrente ano, na página 3. Eis o trecho da matéria:



“O Supremo é o intérprete da Lei Básica. Ser intérprete não significa traduzir o inverso do que está escrito. Se está escrito que um deputado é inviolável por suas palavras, então significa que ele é inviolável por suas palavras. Se está escrito que é vedado todo e qualquer tipo de censura, é porque assim é. Se está escrito que é isenta de restrição a manifestação do pensamento, que a casa é o asilo inviolável, que o Ministério Público é essencial à função da Justiça, que é livre o exercício dos cultos, que há liberdade de locomoção, que o presidente condenado fica oito anos inabilitado para função pública, então é assim que tem que ser.”



Nos dois vídeos anteriores, foram analisadas as 4 primeiras afirmações do jornalista. Veja agora, leitor, a 5ª:



“(...) Se está escrito (...) que a casa é o asilo inviolável, (...) então é assim que tem que ser.”





Como você, leitor, está vendo, o jornalista Alexandre Garcia cometeu vários erros em seu artigo porque pensa erroneamente que, na Constituição Federal, existem direitos absolutos, sem limites. Ele diz aqui que a casa é o asilo inviolável da pessoa, que jamais pode ser violado por alguém. E insinua que o STF não vem respeitando esse dispositivo da Constituição. Ora, como venho sempre afirmando, não existem direitos absolutos, ilimitados, sem limites. Até o direito à vida não é totalmente garantido pela Constituição porque essa lei maior admite a pena de morte em caso de guerra declarada. Além disso, há 3 casos permitidos de aborto em nosso país. O aborto, como é óbvio, anula o direito à vida. 

A Constituição, no art. 5º, XI, diz:



“A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou durante o dia por determinação judicial.”



O jornalista, em seu artigo, apenas transcreveu a parte inicial do dispositivo da Constituição: “A casa é o asilo inviolável”. Se ele tivesse lido o restante do artigo, teria uma surpresa desagradável. Por quê? Porque o restante do dispositivo constitucional mostra que essa regra não é absoluta, sem limites. Existem situações em que a inviolabilidade da casa, do domicílio, cai, deixa de ter eficácia. Regra geral, a Constituição diz que a casa é o asilo inviolável do indivíduo, ninguém pode entrar nela sem consentimento do morador, SALVO em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação de um juiz de Direito. Percebeu, leitor, como esse direito não é absoluto? Por exemplo: se, de madrugada, um homem estiver espancando sua esposa dentro de sua casa, qualquer pessoa que passar por ali poderá arrombar a porta da casa a fim de socorrer a mulher, mesmo sem a autorização do marido. Ou seja, o direito à inviolabilidade do domicílio perdeu o efeito. Não é absoluto, ilimitado, como insinua o jornalista Alexandre Garcia. Outro exemplo: Se a polícia militar tiver certeza de que um homem guarda em sua casa uma quantidade grande de drogas, mesmo sendo à noite, poderá arrombar a porta, entrando na residência, mesmo sem autorização do morador porque está ocorrendo um flagrante. Isto é, o flagrante de um crime anula o direito à inviolabilidade do domicílio. E, durante o dia claro, a polícia pode entrar em qualquer casa, mesmo sem a autorização do morador, desde que tenha um mandado determinado por um juiz de Direito. Entendeu, leitor?

Veja o que diz o Código Penal Brasileiro, no art. 150, parág. 3º, II:



“Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser.”



Entendeu, leitor, como não existem direitos absolutos, sem limites?


quarta-feira, 1 de setembro de 2021

AS TRAGÉDIAS DE MAITÊ PROENÇA

                                              Esse é o 5º crime da série “Um crime que abalou o Brasil”. Com certeza, leitor, você já viu a atriz Maitê Proença, não é mesmo? Ela trabalhou em muitas novelas da Rede Globo de Televisão. Mas será que você tem conhecimento das tragédias que abalaram sua vida? Você sabe o que ocorreu com o pai e a mãe dela? 

Augusto Carlos Eduardo da Rocha Monteiro Gallo era casado com Margot Proença Gallo. Tiveram 2 filhos, um deles a bela jovem que se tornaria atriz global, Maitê Proença. Augusto, em 1970, era procurador de Justiça, em Campinas, no estado de São Paulo. Margot, professora de Filosofia. A filha Maitê Proença estava com 12 anos de idade. 

Há algum tempo, Augusto vinha desconfiando da fidelidade de sua esposa. Num certo dia, pegou uma carta dela que seria endereçada a um professor francês chamado Ives Gentilhomme, que estivera em Campinas, ministrando um curso, do qual Margot era aluna. Augusto, arrasado pela descoberta, perguntou à esposa qual seria sua relação com o professor, tendo obtido resposta negativa. Margot lhe dissera que não tivera relação íntima com o francês, que tudo aquilo era imaginação do marido. Augusto não acreditou nas palavras da esposa. Teve a ideia de questionar a empregada  que prestava serviço em sua residência, a Zenilza. Fofoqueira, ela lhe disse que o professor francês realmente entrou várias vezes em sua residência quando Augusto estava viajando. A partir daí, certo de que sua esposa lhe era infiel, ele passou a procurar mais provas a fim de fundamentar uma futura separação. Sua própria filha Maitê Proença, com apenas 12 anos de idade, na época, disse ao juiz José Augusto Marin que viu o professor na cama de sua mãe, vestido de pijama. Jorge das Dores Silva, filho de criação do casal, com 23 anos de idade, afirmou também que havia visto Margot em casa, em companhia de um oficial do Exército. Augusto, não satisfeito ainda, procurou uma antiga empregada da família, Maria Bombonato, que lhe disse ter visto sua esposa trancada no escritório da casa com um ex-aluno de nome Mílton, sempre durante as ausências do esposo. 



Com as provas da infidelidade da esposa em seu poder, Augusto chamou-a para acertar as condições da separação. Dia 7 de novembro de 1970, precisamente, às 16h. Por causa do comportamento errôneo dela, impôs certas condições que não foram aceitas pela esposa, entre elas, que deixasse os dois filhos com ele e que fosse embora de Campinas. Margot não aceitou e, com raiva, confessou que realmente havia traído o marido com outros homens. Ao ouvir a declaração, Augusto pegou uma faca, desferindo 11 golpes no corpo da esposa, que teve morte imediata. Para não ser preso em flagrante, fugiu com a arma do crime para Bragança Paulista e depois para Belo Horizonte. Os 2 filhos do casal (Maitê Proença, com 12 anos, e Renê, com 7) foram conduzidos a um internato. 

Dez dias depois do crime, no dia 17 de novembro de 1970, Augusto se apresentou à Polícia de Campinas, tendo sido ouvido pelo delegado Amândio Augusto Malheiros Lopes. Por não ter sido preso em flagrante, respondeu ao processo em liberdade. Foi absolvido nos dois julgamentos pelo Tribunal do Júri. Estando quite com a Justiça, casou-se novamente. 

Em julho de 1989, 19 anos depois do crime, Augusto, aposentado, estava com câncer em estado terminal. Morando no Condomínio Bosque de Notredame, em Sousas, na cidade de Campinas, disse à esposa Sônia que iria descer até a portaria para conversar um pouco com o porteiro José do Livramento Sousa. Augusto havia sido síndico do condomínio, daí por que exercia um poder de liderança diante do empregado. Augusto sabia que o porteiro tinha um revólver. Pediu-lhe então que lhe entregasse a arma, apenas com o intuito de tirar uma dúvida. Estava mentindo! Não tendo outra saída, o porteiro José Sousa lhe entregou a arma, mas, antes, retirara as balas. Imediatamente, Augusto partiu para cima do porteiro, subtraindo-lhe 4 balas. Colocou-as no revólver, encostou o cano da arma no próprio coração e disparou 2 tiros. Suicidou-se! Seu corpo foi cremado no dia 20 de julho de 1989, tendo comparecido à cerimônia 50 pessoas, incluindo sua filha Maitê Proença, com 31 anos de idade.


Tristes, caro leitor, muito tristes essas tragédias familiares vivenciadas pela bela atriz Maitê Proença.