quinta-feira, 14 de outubro de 2021

ATEU HENRIQUE X CRISTÃO RENATO (2 )

                                                                     Esse é o 2º vídeo da série “Ateu Henrique X Cristão Renato Romão”. Uma série em que analiso algumas afirmações do cristão Renato Romão presentes no debate ao vivo com o ateu Henrique. Esse debate rendeu um vídeo com duração de 3 horas, 58 minutos e 54 segundos, encontrando-se à disposição de qualquer pessoa nos canais de Ismael Oliveira (o intermediador) e de Henrique. 

No tempo de 5 minutos e 21 segundos, o ateu Henrique pergunta ao cristão Renato Romão:



“O que você acha da atitude de Adolf Hitler, que matou milhões de cristãos, entendeu? E...eu quero saber o que você acha de Adolf Hitler? Matou milhares de cristãos!”



E o cristão Renato se manifesta assim:



“É essa sua pergunta? (...) Se você me pergunta o que eu acho de Adolf Hitler...é...é um homem mau, podemos falar que é um homem mau.”


E o Henrique diz em seguida:


“Então, quando você falou pra mim que Hitler era uma pessoa má, entendeu? eu imagino o seu deus porque Hitler, quando ele morreu, acabou a maldade dele, entendeu? E, quando você vê, hoje em dia, um estuprador estuprando uma criança, a maldade continua. Se não é a mando de seu deus, é permissão dele ou omissão dele, entendeu? Então, é mais fácil você adorar Adolf Hitler do que o deus cristão. Se você olhar na Bíblia, Adolf Hitler era um anjinho perto do seu deus.”


E o cristão Renato se manifesta assim:



“Certo, ok! Tá! Agora vou te fazer uma pergunta, que é o seguinte: vamos debater fora ou dentro da Bíblia?”



Muito bem! O ateu Henrique, que foi cristão fervoroso durante 20 anos, pergunta ao cristão Renato Romão o que ele acha de Adolf Hitler. E Renato prontamente diz que Hitler foi um homem muito mau. E você, leitor, o que acha de Adolf Hitler? Com certeza, você me dirá que Hitler foi realmente um homem muito mau, não é mesmo? E por que você acha que Hitler foi um homem excessivamente mau? Ora, por causa das ações dele, não é mesmo? Hitler mandou matar 6 milhões de judeus, inúmeros comunistas, vários Testemunhas de Jeová e ciganos. Por esses atos, ele é tachado de homem mau. Então, má é qualquer pessoa que determina a morte de alguém, não é mesmo? Na mesma linha da maldade de Hitler, Josef Stalin, Augusto Pinochet, Alfredo Stroessner, Fidel Castro, Benito Mussolini e outros. Veja, leitor, que o próprio cristão Renato Romão afirmou que Hitler foi um homem mau porque mandou matar pessoas. Era essa a resposta aguardada pelo ateu Henrique. Era isso que o Henrique queria ouvir do cristão. E aí o Henrique diz para o cristão Renato Romão:




“Se você olhar na Bíblia, Adolf Hitler era um anjinho perto do seu deus.”


O cristão Renato, sem saída, mudou de foco. Por quê? Ora, se ele mesmo afirma que é má uma pessoa que determina a morte de alguém, então, forçosamente terá que fazer a afirmação de que o deus das narrativas lendárias da Bíblia é excessivamente mau porque determinou a matança de um número infinito de pessoas. Entendeu, leitor? O deus bíblico mandou matar. Hitler mandou matar. Stalin mandou matar. Ditadores militares mandaram matar. Logo, todos são maus! Só que existe um detalhe: o Renato é cristão. Sua fé religiosa, que o contamina, impede que ele afirme ser o deus bíblico mau. A fé religiosa afasta seu portador da realidade. Ora, se um cristão afirma que Hitler era mau porque mandou matar pessoas, deveria afirmar também que o deus bíblico era muito mau porque também mandou matar pessoas. Todavia, a crença religiosa o impede porque está divorciada da realidade, da razão. Entendeu, leitor? 

Diga-me uma coisa, nobre leitor: uma chacina com 25 pessoas assassinadas ocorrida no Brasil terá o mesmo impacto negativo que uma chacina com o mesmo número de mortos ocorrida na Argentina? Com certeza, você, leitor, me dirá que sim, que qualquer chacina, onde quer que ocorra, terá o mesmo impacto negativo, a mesma repugnância, a mesma reprovação. Muito bem, leitor. E, no mundo da fé religiosa, verificar-se-á a mesma repugnância? Claro que não! Só para clarear a situação, vou trazer uma chacina bíblica e uma chacina fora da Bíblia. Para mim, que não estou preso a religião alguma, chacina é chacina, dentro ou fora da Bíblia. Porém, para um cristão, a coisa não é assim apenas por causa da fé religiosa, que o afasta do mundo da realidade. 


De início, trago uma chacina fora da Bíblia. Em 2014, em Mossul, cidade do Iraque, membros do Estado Islâmico, religiosos adeptos do islamismo, perseguiram, expulsaram e mataram cristãos. Por quê? Porque queriam que os cristãos adorassem o deus Alá, que deixassem o cristianismo. Isso tem um nome e se chama intolerância religiosa, a não aceitação da crença religiosa das pessoas. Cristãos espalhados pelo planeta se revoltam contra essa perseguição, alegando que são perseguidos. Só que, esses cristãos, cegos pela fé, não veem que a Bíblia, o livro que eles invocam, é um manual de perseguições e ainda com carga maior. Entendeu, leitor? Sob a visão defeituosa de um cristão, a coisa funciona mais ou menos assim: 


“Se a intolerância religiosa está na Bíblia, eu não a vejo. Se está fora da Bíblia, aí eu vejo.”


Veja, agora, leitor, entre vários relatos bíblicos, um que mostra a intolerância religiosa da época, mais grave ainda que a intolerância ocorrida em Mossul, no Iraque. Em Êxodo, capítulo 32, o escritor hebreu cria uma lenda que nos mostra a intolerância religiosa da época. O lendário Moisés está guiando seu povo pelo deserto, em direção à terra prometida, Canaã. Num dado momento, Moisés sobe no Monte Sinai, e ali se encontra com o deus hebreu, que é o mesmo deus adorado pelos cristãos. E, na lenda, o que faz o deus hebreu? Ele, com seu dedo, escreveu, em dois grandes blocos de pedra, 10 mandamentos, que não são 10. Mas fiquemos com os 10. O povo hebreu, guiado por Moisés, não subiu no Monte porque o deus hebreu proibiu, razão pela qual ficou no pé do monte, esperando por Moisés. Já que Moisés estava demorando a descer, o povo pensou que ele havia falecido. E aí o povo resolveu fazer mais um deus para adorar porque, naquela época, a ignorância era tão grande que eles faziam deuses a rodo. Então, fizeram o deus Bezerro de Ouro, no formato de um bezerro. E o povo hebreu esqueceu o deus hebreu, o mesmo deus adorado pelos cristãos. E o que aconteceu? O deus hebreu, com bastante ciúme, ficou com raiva de seu próprio povo porque estava adorando outro deus. Isso tem um nome, caro leitor, e se chama intolerância religiosa. Com bastante raiva, o deus hebreu olhou para Moisés, dizendo:


“(...) Tenho visto este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma; e de ti farei uma grande nação.”


Você, leitor, está entendendo, não é mesmo? O deus hebreu, revoltado pelo fato de seu próprio povo adorar outro deus, diz a Moisés que vai matar esses traidores. E o que acontece? Moisés desce do Monte, determinando que seus soldados matem os hebreus que estavam adorando outro deus. Quase 3 mil hebreus foram barbaramente assassinados porque estavam adorando outro deus. Isso, repito, tem nome, e se chama intolerância religiosa. Entendeu, leitor? Os cristãos ficam indignados diante da intolerância religiosa dos membros do Estado Islâmico, mas não veem que essa intolerância religiosa está na Bíblia, livro que invocam como “sagrado”. E o pior: o deus hebreu e Moisés é que são os patrocinadores dessa intolerância, dessa selvageria. Por isso mesmo, o ateu Henrique diz ao cristão Renato Romão:


““Se você olhar na Bíblia, Adolf Hitler era um anjinho perto do seu deus.”

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

ATEU HENRIQUE X CRISTÃO RENATO ( 1º )

                                                                            Ontem, terça-feira, dia 12 de outubro do fluente ano, em seu canal no You Tube, o ateu Ismael Oliveira, cearense, conseguiu reunir para um debate ao vivo o ateu Luís Henrique e o cristão Renato Romão. Essa live rendeu um vídeo com duração de 3 horas, 58 minutos e 54 segundos. O ateu Luís Henrique, a exemplo do Ismael, possui um canal com o título “Religião X Realidade”. Quanto ao cristão Renato Romão, não sei se é portador de um canal também. 

Assisti a esse debate hoje, quarta-feira, pela manhã, após tomar meu café junto com minha inseparável tapioca. Adorei. Meu amigo ateu Luís Henrique, que foi um cristão evangélico durante 20 anos, mais uma vez, se saiu muito bem. Por que Henrique se saiu muito bem? Ora, porque ele estava diante um cristão evangélico, Renato Romão. É impossível um cristão qualquer defender o cristianismo, a crença cristã. Por essa razão, Henrique, repito, se saiu muito bem. Gostei tanto do debate que resolvi fazer uma pequena série de vídeos acerca das afirmações do cristão Renato, justamente para comprovar que é impossível alguém defender uma ilusão religiosa e, no caso presente, a ilusão cristã. Portanto, eis aqui o primeiro vídeo. 

No tempo de 39 minutos e 50 segundos, o cristão Renato Romão diz:

“Lá em Gênesis fala: ‘Maldito será a Terra por causa de você. Quando Deus fez a humanidade, ele colocou o domínio dos vegetais e dos animais na mão de Adão. Quando Adão caiu, tudo caiu, o mundo caiu. A Terra caiu.”


Em seguida, diz o ateu Henrique:





“Mas não é por causa do pecado? Você falou que é por causa do pecado, cara? A enfermidade vem por causa do pecado. Qual que é o pecado do cachorro, cara? Do gato?  Pecado de quem? Quem pecou?”



E o Renato respondeu:


“Pecado de quem? Quem pecou? Foi Adão!”


E o Henrique:


“E que culpa que eu tenho? Que culpa é que tem uma criança que é estuprada e morta? Por causa do pecado de Adão? Eu não sou Adão, cara!”


E o Renato conclui:

 “É a  humanidade, cara! A humanidade!”




Muito bem! Rubem Alves, falecido em 2014, foi um cristão fervoroso, pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Formou-se em Teologia no Brasil e depois fez mestrado e doutorado nos Estados Unidos da América do Norte. Além disso, foi psicanalista, professor universitário, palestrante e escritor. Tempos depois, abandonou o cristianismo. Dizia-se arrependido por ter acreditado nas ideias loucas cristãs. Eis, por exemplo, uma de suas afirmações:


“A teologia cristã é um edifício construído sobre o absurdo.”


E exemplos desse absurdo cristão aparece no debate entre o ateu Henrique e o cristão Renato Romão. Fazendo referência à lenda de Adão e Eva que se encontra em Gênesis, o cristão Renato afirma que, por causa do pecado de Adão, tudo caiu. Por causa do pecado de Adão, as pessoas adoecem e morrem ainda hoje. Você, leitor, está com câncer, sofrendo muito? Fique sabendo que, conforme a ideia cristã, isso ocorre porque Adão pecou. Você perdeu sua visão, ficou completamente cego? Entenda, pois, segundo o cristianismo, sua cegueira ocorreu porque Adão pecou. Se Adão pecou, então, você ficou cego! Não se assuste, por favor, leitor amigo, isso se chama ensinamento cristão. Entendeu, agora, leitor, por que o doutor em Teologia Rubem Alves, ex-pastor, afirmou acima que “a teologia cristã é um edifício construído sobre o absurdo”? 

O cristão Renato Romão, com todo respeito, está mais perdido que cego em tiroteio. É não só um absurdo, mas também uma maluquice afirmar que o ser humano adoece e morre por causa do pecado de Adão. Isso se chama loucura cristã! Em primeiro lugar, nunca houve Adão, nunca houve um Jardim do Éden. Esse relato bíblico é uma lenda, uma criação de um escritor hebreu. Até o papa Francisco sabe disso. Em segundo lugar, como se trata de um relato antigo, ele traz a ignorância do homem hebreu da época. E que ignorância era essa? Ora, a ignorância da transferência de culpa? No mundo da Bíblia, a punição recaía também sobre pessoas inocentes, uma lástima! Um atraso sem fim! Por isso mesmo, nessa lenda, o escritor hebreu colocou punições para o homem e a mulher apenas por causa do comportamento de Adão e Eva, transferindo culpas para os descendentes, aqueles que ainda nem existiam, ou seja, seres humanos inocentes. E, mais à frente, no Novo Testamento, escritores cristãos pioraram mais ainda a situação. É dito, pois, que, se homem e mulher adoecem e morrem, isso ocorre porque Adão e Eva pecaram. Ou seja, homens e mulheres pagando por algo que não fizeram. Pagando por algo que, na lenda, foi feito por Adão e Eva, seus pais imaginários. Para que você, leitor, veja o absurdo da doutrina cristã, imagine o seguinte:

 Você é casado e tem um filho com 21 anos de idade. Você e sua esposa contratam um pistoleiro no estado do Acre para matar um homem que invadiu sua chácara, apossando-se dela. O homicídio ocorre, e a polícia civil descobre tudo. O pistoleiro, que praticou o crime, é preso. Você e sua esposa também são presos porque foram os mandantes. E seu filho, que não teve participação alguma? Será preso? Claro que não, não é mesmo? Seu filho é inocente, nenhuma pena poderá sofrer! Mas, segundo a ideia cristã sobre a lenda de Adão, seu filho seria preso também porque é seu descendente, filho de Adão, então, herdará a punição do pai. Se o pai pecou e foi punido, o filho também será punido. Entendeu, agora, leitor, por que Rubem Alves dizia que “a teologia cristã é um edifício construído sobre o absurdo”?



O ateu Luís Henrique, que não sofre lavagem cerebral religiosa, vê facilmente esse absurdo cristão. Ele diz ao cristão Renato Romão que não pode sofrer punição alguma em relação à ação do lendário Adão. Se Adão cometeu pecados, que ele, somente ele, responda pelos seus pecados. As punições endereçadas a Adão, num mundo justo, não podem ser estendidas a seus filhos. Se um pai comete um estupro, ele deve ser preso, mas seu filho, não, porque não teve participação nesse crime. E Henrique vai mais além nessa louca doutrina cristã. Ele diz que é loucura afirmar que o ser humano adoece e morre porque Adão pecou. Ora, doenças e morte não são coisas exclusivas do homem, mas presentes também nos animais irracionais, que adoecem e morrem também. Assim, o homem e os animais irracionais adoecem e morrem porque são seres vivos, e não por causa da ação do lendário Adão. Um gato, por exemplo, não peca, obviamente, mas adoece e morre. Uma formiga, idem! Assim, o homem: adoece e morre. Por quê? Porque são seres vivos!!!! Entendeu, leitor, a loucura da doutrina cristã? Uma irmã minha que mora em Fortaleza nasceu com um defeito horrível no braço esquerdo. Um braço inutilizado até hoje. Quando ela estava no útero de minha mãe, era um ser indefeso, inocente. E sabe o que diz o cristianismo? Que minha irmãzinha é aleijada por causa do comportamento de Adão. Por favor, não ria, leitor, porque atrapalhará minha explicação aqui! Por que meu amigo ateu Edson Martins é careca? Diz o cristianismo que é por causa do comportamento de Adão. 

Entendeu, leitor, por que Rubem Alves dizia que “a teologia cristã é um edifício construído sobre o absurdo”?

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

ROMEIRO É SALVO POR NOSSA SENHORA

   No vídeo anterior, “Os santos te protegem”, analisei uma reportagem da Rede Globo de Televisão em que o padre Divino Alves afirma que Santa Edwiges é a protetora dos pobres e endividados. Ele, inclusive, citou duas pessoas, Celso e Fábio, que obtiveram ajuda da “Santa”. Naquela oportunidade, deixei claro que “santa” alguma existe, que “santa” alguma ajuda alguém. Santos e santas são também uma criação humana. Cristãos evangélicos e protestantes os desprezam, cristãos católicos os agasalham. 

É fácil ver que a fé religiosa é contrária à razão, à racionalidade. Se a primeira se encontra num lugar, a segunda estará a milhões de quilômetros de distância. Fé religiosa e razão não se unem, da mesma forma que a água e o óleo. Sempre estão separadas. Para esse vídeo, trago mais um caso real ocorrido anteontem,domingo, dia 10 do corrente ano, em Caçapava, no estado de São Paulo. Veja, caro leitor, essa matéria jornalística exibida, domingo passado, pelo Fantástico, com duração de 2 minutos e 30 segundos:


Diz a matéria que, até domingo, 11 romeiros foram atropelados quando caminhavam à margem das estradas, com destino à cidade de Aparecida, no estado de São Paulo, precisamente ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Dos 11, 4 morreram. A morte que mais me chocou foi a de um pobre romeiro, com apenas 40 anos de idade. Ele caminhava à margem da Rodovia Presidente Dutra para “pagar” uma promessa. Veja, leitor, o que a religião é capaz de fazer com um ser humano. Ele caminhava para “pagar” uma promessa! Pagar uma promessa por meio de sofrimento físico! Passando pela cidade de Caçapava, avistou um posto de gasolina e, ali, vários caminhões enormes parados. Bastante cansado, com fome e sono, sem dinheiro para pagar um mísero quarto, viu uma carreta, decidindo dormir ao lado dos pneus traseiros à esquerda. Veja a carreta aí, leitor. Pegou no sono! De madrugada, na escuridão, o motorista ligou a carreta, passou a primeira marcha e...e esmagou o pobre romeiro, que morreu na hora. Na letra da lei, houve um homicídio porque alguém morreu por ação de outra pessoa. Só que o motorista será absolvido, já que jamais imaginava que havia um homem dormindo ao lado dos pneus, na traseira do longo veículo. 

Muito bem! Vamos entrar agora no mundo da religião cristã. Cristãos católicos dizem que Nossa Senhora Aparecida age para salvar seus devotos. Como é que é? Sim, afirmam que Nossa Senhora Aparecida entra em ação para salvar seus devotos. Existe até aquele slogan: “Maria passa na frente!” Na verdade, os pneus é que passaram na frente do pobre romeiro, esmagando-o. Vem agora a pergunta que não quer calar: Por que Nossa Senhora Aparecida não acordou o pobre homem a tempo de sair da frente dos pneus? Bastaria que ela dissesse:


--- Meu filho, acorde, porque o motorista vai dar partida à carreta!


Nossa Senhora Aparecida, que, segundo os católicos, pode agir para salvar, resolveu ficar de braços cruzados, assistindo ao esmagamento de um fiel seu, um pobre homem que saiu de sua humilde casa para prestar homenagem a ela. Há alguma coisa esquisita em relação à não ação da “Santa” ou, então, em relação à fé religiosa católica? Sim, a esquisitice é no tocante à fé, à imaginação do fiel cristão porque “santa” alguma existe. Como dizia Freud, o homem religioso se satisfaz com fundamentações miseráveis para seus pontos de vista. É uma fundamentação miserável afirmar que Nossa Senhora Aparecida age em benefício de seus fiéis. É maluquice dizer que a “Santa” decidiu não ajudar aquele pobre romeiro, que saiu de sua humilde casa, caminhando quilômetros e quilômetros apenas para lhe pagar uma promessa. Um cérebro que faz tal raciocínio é um órgão que se encontra paralisado por causa da fé religiosa. Na verdade, “santa” alguma existe, “santa” alguma não quis ajudar aquele pobre homem, “santa” alguma decidiu que ele tivesse uma morte tão bárbara. 

Eis a verdade nua e cristalina: o homem religioso não diz coisa por coisa. Suas afirmações agridem a razão, a racionalidade. Não têm fundamentação lógica. Veja mais um exemplo, leitor. Há 8 anos, precisamente na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013, na cidade de Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul, houve um grande incêndio na Boate Kiss, que causou a morte de 242 jovens, a maioria universitários. Na época, padres e pastores evangélicos, em sua loucura religiosa, afirmaram que esses jovens morreram porque estavam no lugar errado, marcado pelos pecados. Mais uma maluquice religiosa alimentada por fundamentação miserável. Ora, inúmeros cristãos morrem em igrejas, quando estão orando, diante do desabamento de tetos, por disparos de armas de fogo, bombas etc. Será que esses cristãos morrem por estarem no lugar errado também? E esses 4 romeiros que morreram até agora? Será que morreram porque não deviam ir ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida? Eles morreram porque estavam pecando também? 


domingo, 10 de outubro de 2021

SANTA EDWIGES TE PROTEGE

                                                         Sigmund Freud (1856 - 1939), o Pai da Psicanálise, judeu e ateu, em seu livro O futuro de uma ilusão, 2010, editora Pallotti, na página 88, escreve:

 


“(...) Nenhum homem racional se comportará tão levianamente em outros assuntos nem se contentará com fundamentações tão miseráveis para seus juízos, para sua tomada de partido; ele se permite isso apenas em relação às coisas mais elevadas e mais sagradas.”




Freud faz uma afirmação irrefutável! É impossível alguém contestá-la. Ele afirma que o homem, quando age racionalmente, quando coloca seu cérebro para funcionar, não se contenta com fundamentações miseráveis para sua tomada de partido, para seus pontos de vista. Vamos pegar como exemplo um professor de Direito Penal. Na sala de aula, ele ouve um aluno dizer que qualquer homicídio causado por um motorista na direção de um veículo será um homicídio culposo. Esse professor concordará com a afirmação do aluno? Claro que não, porque, na direção de um veículo, um motorista pode ser autor de um homicídio doloso. Esse professor rejeitou a afirmação miserável de seu aluno porque agiu racionalmente. E se esse professor for um cristão evangélico? Ora, como ele está atolado no mundo do “sagrado”, passará a aceitar fundamentações miseráveis para seus pontos de vista. Se um aluno disser que a Bíblia é um manual muito antigo, lotado de erros, superstições, fábulas, lendas, discrepâncias, contradições etc., o professor dirá que esse aluno está afirmando besteiras, que não conhece a Bíblia. Na verdade, o aluno está dizendo a verdade, só que o professor, como está invadido pela fé religiosa, passa a aceitar fundamentações miseráveis para seus pontos de vista. Entendeu, leitor? Como professor de Direito Penal, ele rejeita as fundamentações miseráveis. Como cristão evangélico, ele se contenta com as fundamentações miseráveis.

Trago um exemplo prático que vi na Rede Globo de Televisão, no Jornal DFTV, que começa precisamente ao meio-dia, quarta-feira passada, dia 6 de outubro do corrente ano. A matéria 

jornalística tem apenas 4 minutos e 39 segundos de duração. Veja-a, leitor:

Como você, leitor, viu, trata-se de uma reportagem feita no Santuário Santa Cruz e Santa Edwiges, situado aqui, em Brasília, na Asa Sul. O entrevistado é o padre Divino Alves. E qual é o assunto religioso? A “Santa” Edwiges, a padroeira dos pobres e endividados. Padroeira de quem? Dos pobres e endividados! Eis aqui, leitor, mais um exemplo de que o homem religioso se contenta com fundamentações miseráveis para seus pontos de vista, como afirma Freud. Logo de início, não existem santos e santas. Por exemplo, no mundo do cristianismo evangélico, santos e santas não existem. Mas existem no mundo do cristianismo católico. A Igreja Católica Apostólica Romana fabrica santos e santas para agradar o gosto do freguês. E outro absurdo: a “santa” Edwiges é a protetora dos pobres e endividados. Ora, olhando para o Brasil, por exemplo, lotado de pobres e endividados, é fácil ver que “Santa” Edwiges não oferece proteção alguma. Quanto mais os pobres e endividados rezam para a santa, mais pobres e endividados ficam. Entendeu, leitor? O homem religioso se contenta com fundamentações miseráveis para seus pontos de vista. 

Na reportagem da Rede Globo, o padre Divino Alves fala logo no início:




“Boa-tarde, Letícia. Olha, realmente, a nossa igreja, como a protetora dos endividados, Santa Edwiges, e as pessoas do país e, de modo especial, em Brasília, muitas e muitas famílias estão endividadas. Está valendo hoje, mais de 700 mil famílias endividadas.”




O próprio padre Divino Alves mostra um quadro enorme de cristãos endividados em Brasília: 700 mil famílias! É fácil ver a ineficácia da proteção atribuída à “Santa”, não é mesmo? Não é, pois, racional afirmar que uma determinada santa é protetora dos pobres e endividados quando temos um universo de pobres e endividados. Só para clarear sua mente, veja, leitor, as imagens daquelas crianças africanas extremamente pobres, cadavéricas por falta de comida. E o padre Divino diz que Santa Edwiges socorre os pobres e endividados. Entendeu, leitor, como Freud tem razão quando afirma que o homem religioso se contenta com fundamentações miseráveis para seus pontos de vista? 

Você, leitor, é cristão católico, devoto de Santa Edwiges? É muito pobre? Está endividado? Dou-lhe um conselho: não faça orações à “santa”! Orações não servem para nada, não têm eficácia alguma! Procure um emprego para que você possa sair dessa situação de miserabilidade. Encontra-se endividado? Entre em contato com seus credores para um acordo, peça mais tempo para efetuar o pagamento da dívida. Santo algum ou santa alguma existe, santo algum ou santa alguma protege pessoas, muito menos pessoas pobres e endividadas. É mais fácil entender isso do que empurrar um bêbado ladeira abaixo. 

Na reportagem, sobre o cristão Celso, devoto da santa, padre Divino diz à jornalista Letícia de Oliveira:




“Olha, Celso, diante dessa pandemia, ele consegue um grande milagre de abrir 3 lojas em Brasília. É um milagre!”




Padre Divino diz que o cristão Celso conseguiu um milagre graças à Santa Edwiges: abriu 3 lojas em Brasília. Mais uma afirmação religiosa sem fundamentação, sem suporte algum. Em primeiro lugar, deuses, santos e santas não existem, logo, não agem, não interferem na vida de alguém. Em segundo lugar, o cristão Celso, devoto de Santa Edwiges, não foi a única pessoa de Brasília que, com a pandemia, obteve sucesso empresarial. Cristãos católicos não devotos de Santa Edwiges, cristãos evangélicos que rejeitam Santa Edwiges e até ateus conseguiram lucro diante da pandemia. Celso, pois, repito, não foi a única pessoa que se deu bem diante da pandemia e, claro, não teve ajuda alguma por parte da Santa.  Em terceiro lugar, quando o padre Divino afirma que o devoto Celso abriu 3 lojas em Brasília, graças à Santa Edwiges, ele não percebe a dimensão do absurdo. Quer dizer, então, que Santa Edwiges teve dó do cristão Celso, resolvendo ajudá-lo, mas não teve dó de milhões de brasileiros cristãos que, com a pandemia, foram reduzidos à pobreza e ao desemprego. Entendeu o absurdo, leitor? Celso, com a pandemia, com a ajuda da Santa, obteve êxito, abrindo 3 lojas, enquanto milhões de cristãos brasileiros deixaram de receber ajuda da Santa, foram a óbito, outros foram reduzidos à pobreza, ao desemprego e às dívidas. Percebeu, leitor, como o homem religioso se contenta com fundamentações miseráveis para seus pontos de vista?

E, mais à frente, padre Divino, sobre o cristão Fábio, diz à jornalista:




“O Fábio, há 4 anos atrás, estava desempregado e com muitas dívidas, e a Simone convida pra ele vir romar, preparar todo o andor e toda a imagem da Santa, a ornamentação. E, a partir daí, Fábio nunca mais ficou desempregado.”





Padre Divino afirma que o cristão Fábio se encontrava, há muitos anos, desempregado e com muitas dívidas. Uma cristã devota de Santa Edwiges, a Simone, o convidou para ajudar nos preparativos da festa em homenagem à Santa. A partir daí, Fábio nunca mais ficou desempregado e conseguiu zerar suas dívidas. É fácil ver que o homem religioso se contenta com fundamentações miseráveis para seus pontos de vista. Sob o horrível e defeituoso ponto de vista do padre, Santa Edwiges resolveu arranjar um emprego para o Fábio, além de zerar as dívidas financeiras dele. Só que essa mesma Santa abandonou um exército de cristãos também seus devotos que se encontram hoje desempregados, reduzidos à pobreza e a dívidas. Percebeu, leitor, como o homem religioso fica satisfeito diante de fundamentações miseráveis para a formação de seu raciocínio? Santa alguma existe, santa alguma consegue emprego para alguém, santa alguma anula dívidas de alguém.

 E um conselho a você, leitor: se você está cheio de dívidas, desempregado, não vá a igreja alguma. Indo a igrejas suas dívidas podem até aumentar porque será incentivado a pagar o dízimo e a entregar ofertas, principalmente nas igrejas evangélicas, cuja fome por dinheiro é maior ainda.