quarta-feira, 14 de julho de 2021

UM ATEU E A 2ª DOSE DA VACINA

 



                                Sexta-feira passada, dia 9, precisamente às 14h,  fui a um posto de saúde aqui, em Brasília, para a 2ª dose da vacina Astrazeneca. Não tive reação adversa alguma, nem na primeira e nem na segunda aplicação. O posto estava praticamente vazio, apenas 2 pessoas à minha frente, duas mulheres idosas. Quando uma delas estava sendo vacinada, uma jovem filmava a cena. E a idosa, chorando, dizia:

                                  "Deus é maravilhoso, Deus é pai! Graças a Deus!"


                                  Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise, judeu e ateu, falecido em 1939, há 82 anos, em seu livro "O futuro de uma ilusão", 2010, editora Pallotti, página 88, deixou registrado:

                                     "Nenhum homem racional se comportará tão levianamente em outros assuntos nem se contentará com fundamentações tão miseráveis para seus juízos, para sua tomada de partido; ele se permite isso apenas em relação às coisas mais elevadas e mais sagradas."


                                      Essa afirmação freudiana é uma verdade! O homem racional só se contenta com fundamentações lógicas, convincentes, razoáveis para seus pontos de vista. Trago, como exemplo, um homem com câncer no cérebro. Inicialmente, é submetido a uma cirurgia cerebral para a retirada do tumor. Em seguida, passa pela radioterapia e quimioterapia, com queda de cabelos, vômitos, enfim, um sofrimento intenso. Ao ser curado, esse homem racional diz que sua cura se deve à Ciência porque, sem a retirada do tumor e os procedimentos de radioterapia e quimioterapia, teria falecido. Sua afirmação, pois, está apoiada na razão, é lógica, indiscutível. 
                            Coisa bem diferente é o homem religioso. Ele se contenta com fundamentações miseráveis para seus pontos de vista, para sua tomada de partido. O que ele afirma não tem sustentação alguma. O que ele diz fica no vazio. E trago, como exemplo, aquela mulher idosa quando estava recebendo a vacina. Ela, chorando, afirmou que aquela vacina estava à sua disposição porque o deus dela a providenciou. Eis mais uma afirmação ingênua, desprovida de racionalidade, totalmente afastada da realidade, própria do homem religioso. Ora, aquela idosa estava sendo vacinada por dois fatores sem terem ligação alguma com entidades "espirituais". Em primeiro lugar, a vacina estava ali porque é um resultado de estudo profundo e complexo desenvolvido por cientistas. Em segundo lugar, porque o Brasil gastou uma fortuna para adquiri-la. Vê-se, pois, que não há entidade "espiritual" alguma envolvida nesse processo. 
                                         Aquela idosa não percebe a bobagem dita. Com certeza, continua dizendo por aí: "Graças a Deus, estou vacinada!" Na verdade, ela deveria propagar que está vacinada graças, principalmente, aos cientistas e também ao governo brasileiro que, embora tardiamente, comprou a vacina. Deus algum existe, entidade "espiritual" alguma é responsável por vacinas. A pessoa religiosa não consegue ver os absurdos contidos em suas afirmações com carga religiosa. Se nenhum cientista tivesse agido em relação à pandemia, se não houvesse vacinas, com certeza, mais de um bilhão de brasileiros teriam ido a óbito. Deus algum teria evitado um exército de mortos em todo o planeta. Atualmente, graças à vacinação, embora lenta ainda, no Brasil, o número de internações e mortes está caindo. A mesma idosa deve estar dizendo por aí: "Deus é bom, a pandemia está caindo no Brasil!" Não, minha Senhora! Graças à vacinação!!!! Isso é óbvio, isso é fato, isso é real! Aquela idosa, coitada, não vê o tamanho da ignorância pronunciada. Quando em sua fantasia ela afirma que a pandemia está caindo graças a Deus, está afirmando indiretamente que seu deus nada fez quando a pandemia estava em alta no Brasil. Houve semanas em que mais de 2 mil brasileiros morriam por dia. Pelo ingênuo raciocínio daquela idosa, o deus dela não agia porque simplesmente não queria. Atualmente, já que surgiram as vacinas, o deus dela agora passou a agir. Por favor, não ria, caro leitor, porque você está atrapalhando a leitura deste texto. 
                             É público e notório que, no mundo fantasioso das religiões, os deuses pegam carona no trabalho humano, ou seja, os cientistas trabalham, trabalham, trabalham, mas são os deuses que levam a fama!
                                 










segunda-feira, 12 de julho de 2021

AS ORAÇÕES NÃO SALVARAM MINHA MÃE

 


                        Em meu vídeo de ontem com o título "Orações não salvaram meu cunhado", fiz uma análise sobre o comentário de Edson Martins acerca da morte de seu cunhado em decorrência da covid-19. Edson enfatizou a ineficácia das orações. Um grupo grande de cristãos composto pela esposa, filha evangélica, parentes e amigos oravam pela recuperação da saúde do paciente, todavia, as orações não surtiram efeito algum. O cunhado veio a óbito. 

                                          Nesse mesmo vídeo, Rodrigo Oliveira, a exemplo do Edson, traz um fato ocorrido com sua querida mãe. Ei-lo:


                      

"Ótimo vídeo! Minha família é cristã, ou seja, uma parte católica e outra evangélica! Minha mãe contraiu aquela terrível doença...a esclerose lateral amiotrófica. Todos oraram(exceto eu) para ela ser curada. Meu irmão quando percebeu que isso não ia acontecer...mudou a oração: ´´Então leve ela logo para parar de sofrer!`` Mesmo vendo a ineficácia da oração, todos continuam com essa crença religiosa e frequentando a igreja. Minha mãe se foi e isso e mais outras coisas só aumentaram o meu ceticismo."

Rodrigo Oliveira diz que sua família é cristã, uma parte, católica, a outra, evangélica. Sua mãe contraiu uma das piores doenças de que tenho conhecimento: ELA (esclerose lateral amiotrófica). Lembrei-me da esposa de um querido amigo de trabalho, cujo fato narrarei mais à frente. Quando sua mãe começou a apresentar os primeiros sintomas da terrível enfermidade, à exceção do Rodrigo, os filhos, parentes e amigos começaram a orar pela recuperação da paciente. Rodrigo, claro, queria que sua mãe se livrasse daquilo, mas não orou porque sabia que oração é pura perda de tempo, uma ilusão religiosa. Seu irmão, cristão fervoroso, orava intensamente, pedindo ao seu deus que curasse aquela mulher que lhe era muito cara. Quanto mais ele orava, mais sua mãezinha piorava. Percebendo que suas orações não estavam surtindo efeito, ele passou a orar de forma diferente, solicitando a seu deus que levasse logo sua mãezinha para que ela não sofresse tanto. Sua mãezinha veio a óbito.
Rodrigo, o único cético da família, bom observador, diz que seus familiares continuam frequentando igrejas e ainda confiando no poder das orações, apesar da inutilidade vivenciada. Como é possível? Um grupo de pessoas passou a fazer orações em benefício de uma mulher, constatando que não houve melhora alguma, resultado algum, e, mesmo assim, ainda continua dando credibilidade às orações? Como isso é possível? É possível porque a fé religiosa conduz o homem a um estado semelhante ao de amência (demência), como já dizia Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise, que era judeu e ateu. O homem religioso não consegue raciocinar, daí as afirmações sem fundamentação alguma. Para que você, amigo leitor, entenda melhor esse comportamento, trago aqui um caso hipotético fora da religião, e você verá que a visão de um cristão será diferente. Um determinado cristão está sentindo tonturas diárias, não conseguindo desempenhar funções básicas. Sem saber por que está passando por aquilo e sem vontade de procurar um médico, resolve ouvir um conselho de um amigo. Esse amigo lhe diz que também tinha os mesmos sintomas e que conseguiu a cura tomando chá de erva-cidreira. O cristão agradece o conselho do amigo, passando a tomar 3 chás de erva-cidreira por dia. Porém, as tonturas continuam, mais fortes ainda. O que o cristão fará? Com certeza, ele chegará à conclusão de que erva-cidreira não tem efeito algum para seu problema. Não serve para seu problema. E aí deixará de tomar o chá. O cristão no presente caso raciocinou, percebeu a inutilidade da erva-cidreira para suas tonturas. Assim, deveria agir da mesma forma em relação às orações, só que a coisa aqui é diferente porque ele está no mundo do "sagrado" para ele. O "sagrado" não permite que ele venha a questionar, que ele venha a raciocinar. Por mais inúteis que sejam as orações, ele continuará a propagar sua eficácia, que é nula em todos os aspectos. Como dizia Freud, o homem religioso faz uso de fundamentações miseráveis para seus pontos de vista. Rodrigo, que é cético, vê isso com uma facilidade incrível, mas seus irmãos cristãos não conseguem visualizar por causa da fé religiosa.
Agora narrarei o fato que ocorreu com a esposa de um grande amigo meu, aqui, em Brasília. Não vou citar os nomes. Meu amigo morava em Taguatinga, uma cidade do Distrito Federal, com a esposa e duas filhas. Ele mantém a mesma casa ainda hoje, mas está morando em São Paulo, na capital. Quando ele morava com a família aqui, eu sempre os visitava. A esposa dele era uma mulher extremamente gentil e educada, cristã católica. Certo dia, começou a sentir dormência nos dedos das mãos, perda de sensibilidade. Após os exames, o resultado: ELA. Aquela mulher tão forte, tão alegre, tão gentil, começou a definhar, a perder os movimentos musculares. Seu marido a levou à Alemanha, infelizmente nenhum resultado positivo. Ela viveu ainda durante 8 anos, paralisada totalmente sobre uma cama, nenhuma ação, nenhum movimento. Um quadro realmente muito triste! Ela faleceu há 2 anos em São Paulo. Uma semana antes de seu falecimento, fui visitá-la pela última vez. Uma filha é médica, a outra, advogada, na capital paulista. E meu amigo mora lá e ainda vem a Brasília, onde mantém a casa ainda em Taguatinga.







     

domingo, 11 de julho de 2021

ORAÇÕES NÃO SALVARAM MEU CUNHADO

                                 
                          

                              Edson Martins mora no estado de São Paulo e acompanha meus vídeos desde quando abri esse canal no YOU TUBE. E sempre comenta em todos. Em meu primeiro vídeo (Não creio mais em Deus) acerca do documentário "PERDENDO A FÉ", exibido pelo Globoplay, Edson narra um fato ocorrido com seu cunhado, esposo de sua irmã mais velha. Ei-lo:
                                  


"Meu cunhado, marido de minha irmã mais velha, morreu em decorrência da covid 19. Isso tem uns 3 meses. Pois bem. Ele não tinha comorbidade alguma.Um cara sensacional que, além ser meu cunhado, era um grande amigo. Assim que ele foi internado com dificuldade de respirar, após 3 dias, o entubaram. Na minha família, todos são crentes de alguma forma. Minha sobrinha, filha desse meu cunhado, que se diz evangélica, logo passou a pedir orações no grupo da família, e todos prontamente se propuseram a orar por seu pronto reestabelecimento. Todos os dias ela colocava no grupo a situação do pai emitida pelos médicos, e a coisa só piorava apesar das orações. Logo percebi que estava perdendo meu cunhado e grande amigo. Como eu sempre digo: cristão algum reflete antes de se pronunciar, daí as bobagens ditas por eles, uma mais imbecil que a outra. Eu também fazia minhas postagens sempre dizendo que torcia por ele, porém, no meu íntimo sabia que não adiantaria. A cada dia mais pessoas se juntavam à corrente de orações, e as bobageiras cresciam na mesma proporção. De nada adiantou. Meu cunhado se foi após 11 dias de internação. Se meu cunhado se recuperasse, com certeza, todos iriam atribuir sua recuperação às orações. Como não aconteceu, todos se calaram diante da ineficácia das orações."

Edson nos diz que seu cunhado casado com sua irmã mais idosa contraiu a covid-19, vindo a falecer há 3 meses. Era um homem sadio, sem comorbidades, tais como: diabetes, hipertensão, hepatite etc. Logo no início, sentiu dificuldades para respirar. 3 dias depois, foi levado ao hospital e submetido à intubação. A família, como é óbvio, ficou desesperada. A esposa e uma filha evangélica formou um grupo de orações. Parentes e amigos aderiram a essa corrente, lançando diariamente mensagens de ânimo. A filha evangélica postava dia a dia o estado do pai querido, de acordo com as informações que lhe eram passadas pelos médicos. Edson, ateu, sabendo da ineficácia das orações, torcia de outra forma pela recuperação do cunhado querido. Após 11 dias de internação, seu cunhado foi vencido pela pandemia, foi a óbito. No final de seu comentário, Edson escreve:

"Se meu cunhado se recuperasse, com certeza, todos iriam atribuir sua recuperação às orações. Como não aconteceu, todos se calaram diante da ineficácia das orações."


Edson é um homem sábio! O que ele afirma acima é mais uma verdade inatacável. Se o cunhado dele tivesse vencido a pandemia, obtido recuperação, sua esposa, a filha evangélica, os parentes e os amigos cristãos iriam afirmar que as orações surtiram efeito, que as orações o salvaram. Já que o cunhado faleceu, diz o Edson, todos se calaram diante da ineficácia das orações. Qualquer pessoa com um mínimo de racionalidade haverá de concordar com o Edson. De fato, orações não servem para nada, não têm efeito algum! Quando uma pessoa faz orações, não está conversando com entidade espiritual alguma. Ao fazer suas orações, está falando consigo mesma, está falando para si. É uma atitude completamente irracional, ingênua e improdutiva. O problema é que a fé religiosa cega seus portadores a ponto de não verem essa realidade que é tão clara, mais clara do que a clara de um ovo.
É fácil entender o fato. O cunhado de Edson, contaminado pela covid-19, permaneceu no hospital durante 11 dias, intubado. Durante esse estado, um grupo grande de pessoas cristãs, principalmente, oravam ao deus da Bíblia pela recuperação do paciente. A esposa e a filha evangélica com mais intensidade ainda. Oravam, oravam, oravam, porém, o resultado almejado não veio. O cunhado morreu! É fácil ver que não houve relação de causa e efeito entre o ato de orar e a morte do doente. Os cristãos estavam orando pela recuperação, e não para que o cunhado morresse. Como se vê facilmente, o resultado foi diferente do almejado pelos religiosos. O homem religioso vive uma fantasia, uma superstição. Ele faz afirmações irracionais e ingênuas sem perceber. Aquilo que ele afirma não se apoia num exercício de raciocínio. São meramente afirmações descabidas, contrárias ao senso comum. É por isso que o Edson diz:


"cristão algum reflete antes de se pronunciar, daí as bobagens ditas por eles, uma mais imbecil que a outra."


E Edson tem razão! Edson não tem intenção alguma de ferir a crença de quem quer que seja. Mas ele não pode deixar de afirmar o óbvio. A relação de CAUSA e EFEITO não existe entre orações e curas. Veja alguns exemplos. No Brasil, já morreram mais de 500 mil pessoas por causa da covid-19. Os familiares e amigos dessas vítimas, com certeza, ficaram com a língua seca de tanto orarem ao deus dos cristãos ou aos "santos" criados pela Igreja Católica Apostólica Romana. Oraram, oraram, oraram, mas as vítimas morreram, não conseguiram êxito. Logo, as orações não surtiram efeito! O papa Francisco, que é uma simpatia, orava por sua saúde, mas hoje está internado num hospital, após sofrer uma delicada cirurgia no intestino grosso. Suas orações obviamente não tiveram resultado algum. Se ele tivesse ficado em seu aposento no Vaticano, apenas orando, hoje, com certeza, estaria morto e sepultado. É simples, pois, entender isso. Não é coisa de ateus! É coisa natural, própria da racionalidade! Relação de CAUSA e EFEITO existe sim, mas fora do mundo fantasioso das religiões. Se você, amigo leitor, estiver com dor de cabeça, com certeza pegará, por exemplo, 40 gotas de dipirona diluídas em um pouco de água, e em 20 minutos a dor desaparecerá, não é mesmo? A mesma coisa com o doril, como diz o ditado: "tomou doril, a dor sumiu!" Isto é, entre a dipirona e o doril e a extinção da dor de cabeça existe a relação de CAUSA e EFEITO. A dipirona ou o doril CAUSARAM a extinção da dor de cabeça (O EFEITO). É certo que, nesses remédios, existem componentes que realmente extinguem a dor de cabeça. Não é conversa fiada! E assim todos os medicamentos!
Oração a deuses, a entidades "espirituais", mera fantasia! Deuses não existem, nada fazem! Orar é perda de tempo, um ato infantil, ingênuo e irracional.



sexta-feira, 9 de julho de 2021

PERDENDO A FÉ CRISTÃ

            Esse é o 2º vídeo acerca do documentário exibido pelo Globoplay, intitulado “Perdendo a fé”, com duração de 52 minutos. Como já mostrei no 1º vídeo “Não creio mais em Deus”, essa película criada em 2017 traz líderes cristãos ( pastores, pastoras, padre e uma freira) que abandonaram a crença religiosa para abraçar o ateísmo. De início, eu trouxe um trecho do ex-pastor evangélico Brendan Murphy que, ao lado de sua esposa Jenn Murphy, mais se destaca ao longo do documentário. 

Trago agora para esse vídeo uma das falas da esposa do pastor, a Jenn Murphy. No início, o casal estava muito preocupado porque sua única fonte de renda era o salário que o esposo recebia como pastor. Se o esposo Brendan revelasse que era ateu, com certeza iria ser demitido. Por isso, ele escondia seu ateísmo, mas não aguentou por muito tempo. Ao fazer a revelação, ao sair do armário, foi demitido, todavia, um amigo dele, também um ex-pastor evangélico e ateu, conseguiu um trabalho para Brendan. Preste bem atenção, amigo leitor! Quando Brendan era pastor, os fiéis o adoravam com fervor, era um homem de Deus, juntamente com sua bondosa esposa Jenn. Bastou o casal revelar seu ateísmo para o disco mudar totalmente. Veja o que diz a esposa Jenn, no tempo de 19 minutos e 54 segundos:


“Eu saí uma noite com três amigas minhas. Perdi o controle e falei que meu marido era ateu. E uma moça que conheço há quase 3 anos vem me atormentando. Ela diz que eu não sou cristã, que sou uma pessoa má.”



Percebeu, leitor? Ora, quando Jenn estava ao lado de seu esposo pastor, sem tornar público ainda seu ateísmo, os dois eram adorados pelos fiéis, eram amados por todos da igreja. Esse “amor cristão” se transformou em ódio quando o casal revelou seu ateísmo. Como se vê facilmente, não havia amor algum, mas tão somente falsidade. A Jenn, coitada, esposa dedicada e mãe de duas crianças, antes elogiada pelos fiéis, passou a ser tachada de pessoa má. Má apenas por ser ateia. Mais à frente, no tempo de 31 minutos e 21 segundos, Jenn afirma:


“Alguém me abordou e disse aquela clássica frase cristã. Me disseram: ‘Agora, você está no vale da sombra da morte”. Disseram: ‘Vou orar por você!” Estou chegando à conclusão de que as piores pessoas que conheço são os cristãos. Não deveriam ser assim. Eles são maus e cheios de ódio.”



Jenn, somente depois de ter saído da igreja com seu esposo Brendan, é que descobriu não existir o verdadeiro amor entre os fiéis cristãos. Diz ela que chegou à constatação de que cristãos são maus e cheios de ódio. Ora, ela era adorada pelos fiéis, mas bastou sair da igreja para que uma tempestade de desejos ruins por parte dos fiéis caísse sobre o casal. Ela diz que as amigas da igreja, atualmente, viram o rosto quando a veem. E só agora é que ela constata que aquelas mulheres não eram suas amigas de fato. Pura realidade, caro leitor! Essa falsidade que existe no cristianismo evangélico quase é nula em outras religiões. Por exemplo, os cristãos católicos são menos fanáticos. É muito difícil encontrar no cristianismo católico pais cristãos que odeiam filhos ateus, ou filhos cristãos que odeiam pais ateus. Esses males se verificam com facilidade no cristianismo evangélico. Eu sou um exemplo. Nasci numa família cristã católica. Sou o único ateu de minha família. Meus pais me adoravam, meus irmãos vivos me amam com toda intensidade. Nunca me olharam com um olhar de rejeição, de ódio. Nunca! Se eu tivesse nascido numa família cristã evangélica, com certeza a situação seria outra. Conheço pessoalmente várias famílias evangélicas marcadas pela rejeição, infelicidade, discórdia e até mesmo ódio. Nesses lares evangélicos não há amor quando um dos membros é ateu ou adepto de religião diferente. São tantos os exemplos! Veja a paraibana Célia Quirino, que mora em João Pessoa, na Paraíba. Célia vivia com seu pai, sua mãe e um irmão viciado em drogas ilícitas. Era uma família feliz, apesar do problema do irmão. Essa família passou a ser profundamente infeliz quando a mãe dela se tornou evangélica fanática. Sua mãe ficava extremamente infeliz porque não conseguia levar o marido, a Célia e o filho à sua igreja. Ou seja, o cristianismo evangélico desgraçou mais uma família. Célia diz que sua mãe ficou doida, só falava sobre punição e inferno, só vivia na igreja. E assim em inúmeros lares cristãos evangélicos. Conheço mães evangélicas que deixam de falar com filhos que não aderem à sua fantasia religiosa. Isso é fato!!! Essas mães, coitadas, que, por causa da religião, se afastam do marido e dos filhos, quando necessitam de ajuda financeira ou médica, recorrem a eles porque sua igreja não entra sequer com um real para a solução dos problemas. 

Jenn ficou abismada diante do comportamento dos cristãos evangélicos. Bastou sair da igreja para ser desprezada e odiada por eles. Esse é um dos males da religião, dos evangélicos fanáticos. No fundo, não há razão alguma para alguém de uma religião rejeitar ou odiar alguém de religião diversa ou sem religião, sem crença religiosa. 


terça-feira, 6 de julho de 2021

O RABINO JONATHAN, A BÍBLIA E A HOMOSSEXUALIDADE

                         A revista “Veja” do dia 15 de janeiro de 2014, nas páginas amarelas, traz uma entrevistacom o rabino e filósofo inglês Jonathan Sacks. Entre outras coisas, o religioso fala acerca de judaísmo,de Bíblia hebraica, de homossexualidade, de alguns ateus famosos, do poder da oração, do conflito entre israelenses e palestinos etc. Ao ler a matéria somente agora, depois de 2 anos, veio a mim a vontade de fazer alguns artigos acerca de alguns pontos da entrevista para mostrar a você, leitor, que as ideias religiosas levam facilmente as pessoas ao erro, ao absurdo. Neste artigo, analisarei a ideia religiosa de Jonathan Sacks sobre a homossexualidade. Na página 18, o jornalista Jerônimo Teixeira pergunta a Sacks qual é a posição judaica sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Veja, leitor, a resposta do rabino: 


                     “Nossa posição é muito parecida com a católica: a Bíblia proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Portanto, não podemos admiti-lo.”


                     O psicanalista Sigmund Freud (1856-1939), também judeu, mas ateu, dizia que “a religião é uma neurose obsessiva universal da humanidade”. E Freud tinha toda razão! A afirmação acima do rabino Sacks é uma prova incontestável de que Freud realmente tinha razão. O que diz o rabino? Ora, ele diz que é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ou seja, que é contra a homossexualidade simplesmente porque a Bíblia proíbe. Você, leitor, percebeu a ingenuidade da afirmação do rabino? De acordo com o raciocínio dele, se a Bíblia proíbe uma coisa, então ele é contra essa coisa. Ou seja, se a Bíblia proíbe a homossexualidade, então o rabino é contra a homossexualidade. Ora, ser contra a homossexualidade apenas porque a Bíblia a proíbe é assinar um atestado de pura ignorância, de puro desconhecimento da evolução da humanidade ao longo do tempo. A civilização hebraica viveu há muitos anos, no mínimo, há 4 mil anos, na região hoje conhecida por Oriente Médio. É público e notório o atraso dos costumes do povo hebreu se comparados aos costumes das civilizações ocidentais da atualidade. As civilizações egípcia, hebraica, grega, maia etc. foram marcadas por profundos atrasos que envergonham qualquer ser humano que vive no mundo ocidental: sacrifícios e holocaustos aos deuses, envolvendo seres humanos e animais irracionais, invasões e roubos de terra, matança indiscriminada de mulheres, crianças e velhos, destruição de sítios arqueológicos, estupros, intolerância religiosa etc. E tudo isso está registrado na Bíblia. E tudo isso fazia parte dos costumes daqueles povos, inclusive do povo hebreu. Era um mundo de profundo atraso! Recorrer à Bíblia para condenar hoje a homossexualidade é simplesmente uma irracionalidade humana, uma “demência”, no dizer de Freud. O rabino Jonathan Sacks e os cristãos recorrem aos livros de Gênesis, Êxodo e Levítico para condenarem a homossexualidade. Ora, esses mesmos livros eram a favor da intolerância religiosa, ou seja, traziam como regra a matança ao fio da espada dos hebreus que viessem a adorar outros deuses.               
                    Já que o rabino e os cristãos são contra a homossexualidade porque é proibida, por exemplo, em Levítico, então deveriam invocar a mesma proibição para a liberdade religiosa que existe hoje no mundo ocidental. Você, leitor, está entendendo, não é mesmo? Serei mais claro! Se o rabino e os cristãos recorrem à Bíblia para condenarem a homossexualidade, deveriam pregar hoje também a intolerância religiosa porque esse monstro era regra na Bíblia. Se o rabino e os cristãos recorrem à Bíblia para condenarem a homossexualidade hoje, deveriam recorrer à Bíblia também para condenar hoje a posição que a mulher ocupa no mundo ocidental, já que a mulher na Bíblia tinha uma posição inferior ao homem, comparada quase a mero objeto. No mundo da Bíblia, a mulher não podia nem falar em público. Obviamente, ninguém vê, no Brasil, religiosos cristãos invocando a Bíblia para calarem as mulheres brasileiras. Deveriam invocar a Bíblia para essa loucura porque as fontes são as mesmas. No mundo da Bíblia, a mulher podia ser traída pelo marido, mas não podia traí-lo. A prova está lá, em Êxodo, em Levítico. Ou seja, nos mesmos livros em que a homossexualidade era condenada. Ora, se o rabino e os cristãos invocam esses livros para condenarem a homossexualidade, deveriam invocar também os mesmos livros para aprovarem a infidelidade por parte do marido. Muitos homens iriam adorar esse discurso. Percebeu, leitor amigo, a ignorância da afirmação do rabino Jonathan Sacks?
                            É loucura tentar trazer costumes antigos de civilizações atrasadas para implementá-los num mundo evoluído como o que vivemos hoje. Costumes antigos devem ficar no passado. O mundo evolui. Já pensou, amigo leitor, se aparece um louco aqui, no Brasil, invocando a Bíblia para restabelecer a escravidão?

domingo, 27 de junho de 2021

JAIR BOLSONARO E O REI HERODES BÍBLICO

JAIR BOLSONARO E O HERODES BÍBLICO O jornal Correio Braziliense, ontem, sábado, dia 26 de junho do corrente ano, em sua coluna “Sr. Redator”, página 10, trouxe um pequeno texto de autoria do advogado Túllio Marco Soares Carvalho. Ei-lo na íntegra: “A perversidade em tirar a máscara do rosto de uma criança, ou em ordenar que outra assim procedesse, em plena pandemia, expondo esses pequeninos à morte, como fez Bolsonaro, é algo tão aterrador que faz lembrar o infanticida Herodes --- governador da Judeia na época do nascimento de Jesus Cristo ---, responsável pelo episódio bíblico conhecido como “massacre dos inocentes”. Os evangélicos bolsonaristas professam um cristianismo tão distorcido e falso que os faz até idolatrar um Herodes disfarçado de messias.” Não conheço o advogado Túllio. Em seu texto, ele compara o político Jair Messias Bolsonaro ao rei Herodes que aparece no Novo Testamento da Bíblia cristã. Em que o advogado se apoiou para fazer essa comparação? Ele se apoiou na palavra “criança”. Uma criança, em relação a Jair Bolsonaro, e crianças, em relação ao rei Herodes. Túllio afirma que Bolsonaro praticou um ato aterrador, hediondo, quando anteontem, sexta-feira passada, ao receber um abraço de uma criança, retirou a máscara que cobria a boca e o nariz da inocente criatura. Sob a visão de Túllio, esse ato praticado por Bolsonaro é tão infame quanto a ação do rei Herodes que mandou matar todos os meninos de Belém e de todos seus arredores, de 2 anos para baixo, a fim de atingir o menino Jesus. Em relação ao comportamento de Jair Messias Bolsonaro, nenhuma discordância minha com o nobre advogado Túllio. Não consigo agregar ao político Jair Bolsonaro a palavra “presidente do Brasil”. Não consigo. Por isso, refiro-me a ele somente usando seu nome próprio. Ao retirar a máscara do rosto daquela criança, um ser inocente, Bolsonaro, mais uma vez, assinou um atestado de ignorância e de desrespeito à vontade dos pais. Um absurdo, uma atitude realmente reprovável sob todos os aspectos! No tocante à comparação com o rei Herodes, faço uma análise sobre o erro cometido pelo advogado. O rei Herodes que aparece no evangelho de Mateus nunca mandou matar meninos de Belém, de 2 anos para baixo, como está escrito. Esse massacre de inocentes não foi um fato, um caso real, algo que realmente ocorreu, mas uma lenda criada pelo cristão que escreveu o evangelho de Mateus. As narrativas lendárias sobre o nascimento de Jesus, que nunca foi o Cristo (Messias), estão apenas nos evangelhos de Mateus e Lucas. Os evangelhos de Marcos e João nada falam sobre o nascimento de Jesus. O primeiro evangelho a surgir foi o de Marcos e nele não havia relato algum sobre o nascimento de Jesus. Somente muitos anos depois é que surgiram outros evangelhos, e cristãos resolveram inventar as narrativas do nascimento. O cristão que escreveu o evangelho de Mateus inventou sua narrativa que é completamente diferente da narrativa inventada pelo cristão que escreveu o evangelho de Lucas. Por exemplo, essa matança de meninos de Belém e de seus arredores só existe no evangelho de Mateus. Ela não está no evangelho de Lucas. E não está por quê? Porque não se trata de um fato, de um episódio que realmente ocorreu. São lendas, e, nas lendas, os escritores são livres para escrever o que querem. Qualquer estudioso sério da Bíblia sabe a razão pela qual essa matança de inocentes não se encontra no evangelho de Lucas. A razão é simples: quem escreveu a narrativa lendária sobre o nascimento de Jesus que se encontra em Mateus, queria passar para aquele povo ignorante que Jesus era o novo Moisés. Por isso mesmo, criou sua lenda, trazendo para ela elementos lendários atribuídos a Moisés que estavam nos textos hebraicos, hoje precisamente no livro de Êxodo. Em relação a essa matança de meninos, veja o que está no livro de Êxodo, capítulo 1, versículo 22: “Então, ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem aos hebreus lançareis no Nilo, mas a todas as filhas deixareis viver.” Percebeu, caro leitor? Quando o texto acima foi escrito, não havia um cristão sequer na face da Terra. Não havia um texto cristão, pois. E, nessa lenda sobre Moisés, é fácil ver que o Faraó mandou matar todos os meninos hebreus, somente os machos, e não as fêmeas. Por quê? Para impedir o surgimento do menino hebreu Moisés. E, na lenda, mesmo assim, Moisés escapou da matança! Depois de mais de mil anos após a feitura desse texto lendário, quando os cristãos surgiram, eles liam essas lendas que estão no Velho Testamento hoje, que não é velho para os judeus. E o cristão que escreveu a lenda sobre o nascimento de Jesus que está em Mateus, querendo passar a ideia de que Jesus era o novo Moisés, pegou essa matança de meninos e a colocou em sua lenda. O Faraó mandou matar todos os meninos para impedir o nascimento de Moisés. E aí quem escreveu o que está em Mateus deixou escrito: o rei Herodes mandou matar todos os meninos de 2 anos para baixo a fim de matar o menino Jesus. Moisés escapou da matança. Jesus, também. Entendeu, caro leitor? Quem escreveu a narrativa lendária que está em Mateus queria simplesmente isso: dizer que Jesus era o novo Moisés. Como, na lenda, Moisés foi o salvador do povo, Jesus seria o novo salvador do povo. É simples entender isso. O cristão que escreveu a narrativa do nascimento que está em Lucas não via Jesus como o novo Moisés, daí não ter se utilizado de passagens atribuídas a Moisés. Por isso, essa matança de meninos não está no evangelho de Lucas, apenas no de Mateus. Além disso, essa narrativa que está em Mateus é extremamente ingênua, infantil e hedionda! O cristão que escreveu essa bobagem não tinha a menor ideia de amor, de solidariedade. E o advogado Túllio nem percebe isso. Ele afirma que o rei Herodes praticou uma monstruosidade, isto é, mandou matar todos os meninos de 2 anos para baixo a fim de atingir o menino Jesus. Insinua o advogado que o deus da Bíblia, criado pelos hebreus, protegeu o menino Jesus, ajudou o menino Jesus a escapar da morte. Só que o advogado é incapaz de entender, por causa de sua crença, que o deus hebreu permitiu uma monstruosidade, ou seja, permitiu que todos os meninos de 2 anos para baixo, de Belém e de seus arredores, fossem mortos ao fio da espada. Isto é, o deus hebreu salvou apenas uma criança, Jesus, todavia, deixou as outras criancinhas nas mãos dos terríveis soldados do rei Herodes. O advogado Túllio e outros cristãos não percebem a loucura no que afirmam. Imagine o deus hebreu dizendo: “Vou salvar somente meu filho Jesus. Já os outros meninos, que morram sob o fio da espada dos soldados do rei Herodes” Essa lenda sobre o nascimento de Jesus está lotada de erros e absurdos que exigem outras análises, mas, para o momento, o que foi escrito acima basta.

A MORTE DO JOGADOR DE FUTEBOL ATEU SÓCRATES

 

 DEUS MATOU O EX-JOGADOR SÓCRATES?


Ontem, segunda-feira, dia 5 de dezembro do fluente ano, o jornal Correio Braziliense trouxe uma matéria acerca do ex-jogador de futebol Sócrates, no caderno de esportes, páginas 9 a 12.

Na capa do retrocitado jornal, uma foto do Sócrates vestido com a camisa amarela da Seleção brasileira e um pequeno texto intitulado “O revolucionário da bola”. Ei-lo na íntegra:

 

“O primeiro domingo de dezembro costuma ser o mais feliz para os milhões de brasileiros apaixonados pelo futebol. Mas Deus quis que um ateu e um dos maiores ídolos do esporte se fosse justamente nesse dia. Ontem, às 4h30, o agora eterno craque Sócrates morria no Albert Einstein, por causa de uma infecção generalizada. Sócrates foi mais que um jogador de futebol: foi o doutor (era formado em medicina), o camisa 8 das inesquecíveis Seleções de 1982 e 1986 e o líder da democracia corintiana. Crítico e Politizado, combateu a ditadura e brigou pelas Diretas, já! Nos últimos tempos, lutava contra o alcoolismo. O corpo do Paraense foi enterrado, ao som de violão e do hino do Corinthians, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.”

 

Do texto acima, destaco:

 

“MAS DEUS QUIS QUE UM ATEU E UM DOS MAIORES ÍDOLOS DO ESPORTE SE FOSSE JUSTAMENTE NESSE DIA.”

 

Religião é superstição! Os religiosos são extremamente criativos. Cristãos, por exemplo, dizem que Deus está por trás de tudo o que ocorre no mundo. Ou seja, as coisas ocorrem porque Deus deseja realmente que elas ocorram.

Há poucos dias, encaminhei aos leitores um artigo que abordava aquele acidente automobilístico que vitimou fatalmente 10 fiéis católicos e feriu outros. Uma cristã católica, Anatália Maria Franca, 56 anos, disse com fervor:

 

“Eu acho que Deus sabe o que faz. Não havia pessoas más na excursão. Todo mundo amava Nossa Senhora. Tenho certeza de que o Nosso Senhor sabe o que fez.”

 

Anatália, levada pela fantasia religiosa, diz que Deus causou aquela desgraça, matando 10 pessoas, inclusive crianças, e ferindo outras. Deus resolveu matar aquelas pessoas que, com muito custo, juntaram um dinheirinho para fazer uma excursão puramente religiosa. Os romeiros católicos foram visitar o santuário católico de Aparecida, no estado de São Paulo. Quando o ônibus estava retornando para Santo Antônio do Descoberto, no estado de Goiás, perto de Brasília, Deus resolveu agir num trecho da rodovia. Deu uma porrada no braço do motorista, levando-o ao descontrole do veículo. O ônibus bateu numa mureta e capotou. Caiu sobre várias pessoas, esmagando-as. E isso aconteceu porque, segundo a católica Anatália, Deus quis.

A mesma fantasia religiosa é repetida aqui, no caso da morte do ex-jogador Sócrates. Quem escreveu a matéria acerca do Sócrates é cristão porque afirma que Deus quis que o ateu Sócrates morresse justamente no primeiro domingo de dezembro, dia em que seu clube Corinthians ganhou o campeonato brasileiro.

Pura ilusão, caro leitor! Pura ilusão! A superstição cria na cabeça das pessoas um mundo repleto de ilusões. Cada um pensa do seu modo. E cada um escorrega na casca de banana.

Deus algum decidiu matar os 10 católicos que foram prestar culto a Ele. E Deus algum matou o ateu Sócrates, ex-jogador de futebol.

Sócrates morreu no primeiro domingo de dezembro de 2011. E daí? O que há de especial nesse dia? Ah, tá! O Corinthians ganhou o campeonato brasileiro! Sim, e daí? E daí nada, caro leitor! Nada! Apenas um festival de alucinações: Deus mata Sócrates no dia em que o seu time é declarado campeão brasileiro. Que loucura!

Ora, Sócrates faleceu no dia 4 de dezembro porque é normal que uma pessoa morra num dia qualquer. O dia primeiro de qualquer mês é um dia, assim como o dia 2, o 3, o 4, o 15 e o dia 31. Todos os dias são iguais. Sócrates morreu no primeiro domingo de dezembro do corrente ano. Ele foi a única pessoa a morrer nesse dia? Não! Centenas de pessoas em todo o mundo morreram também nesse dia. O Corinthians, paixão de Sócrates, ganhou pela primeira vez um título nesse dia? Não! Já ganhou vários títulos em outras datas. E Sócrates, como é óbvio, sobreviveu a todas. Percebeu, amigo leitor, a infantilidade da fantasia religiosa?

Deus algum destrói a vida de alguém. Deus algum salva a vida de alguém. Em nossa existência, tudo se resume em probabilidades. Não há interferência de deuses em nada. Os deuses são frutos da imaginação humana. E a imaginação humana é uma fábrica de superstições. Na realidade, tudo conspira contra as superstições.

Ocorrem acidentes de carro não porque Deus assim o quer, mas porque o índice de probabilidade é altíssimo em decorrência do número excessivo de veículos e também por causa da falibilidade humana. Aviões comerciais, por exemplo, dificilmente caem. Por quê? Será que Deus protege os aviões, e não os veículos? Nada disso! Os aviões são meios de transporte muito mais seguros do que os veículos por vários fatores: não se locomovem um ao lado do outro, não andam por estradas precárias, os pilotos não o conduzem sob efeito de álcool, os seus motores são mais potentes, não há muretas para eles colidirem etc. Ou seja, o avião é um dos meios de transporte mais seguro do mundo não porque Deus algum assim o quer, mas por outros fatores.

O elevador é considerado o meio de transporte mais seguro do mundo. Deus protege o elevador, abandonando os carros? Nada disso! Não há Deus algum. O elevador é o mais seguro, o mais confiável, por vários fatores: Só se locomove na vertical, numa reta, sem curva alguma. Movimenta-se sozinho, num espaço apenas seu, sem que haja outro elevador para a ocorrência de choques. Sua velocidade é reduzidíssima, quase parando, à moda de Rubinho Barrichello. E, se por alguma irregularidade atingir uma velocidade maior, uma trava entra em ação, segurando o elevador, para evitar que ele desabe. Por esses fatores, o elevador é considerado o meio de transporte mais seguro do mundo, e não porque Deus adora os elevadores.

Tudo, amigo leitor, se resume em probabilidade. Qual é, por exemplo, o índice de probabilidade que existe no fato de uma jumenta cair do céu na cabeça de um cristão ou de um ateu? O índice de probabilidade é zero! É zero porque não existe jumenta alguma passeando no céu da Terra. Jumenta, como é óbvio, não voa. E qual é o índice de probabilidade no fato de um passarinho cagar na cabeça de uma pessoa? O índice é baixo, mas existe. Muitas pessoas já tiveram a cabeça atingida por um pedaço de bosta soltado por um cu de pássaros. Eu mesmo já passei por isso. Estava no estádio do Gama, assistindo ao jogo do Gama e Grêmio. Num dado instante, senti uma coisa leve e quente em minha cabeça. Pensei até que a cabeça estava sangrando. Passei a mão e peguei uma coisa líquida. Olhei e vi que era bosta de um passarinho. Olhei para o céu e avistei alguns passarinhos passeando. Deus algum quis que aquele passarinho cagasse na minha cabeça. Caiu na minha cabeça por mera probabilidade. A minha cabeça é grande por ser cearense. Só aí já levo desvantagem em relação às outras pessoas. E o passarinho caga no ar, sem se preocupar com quem está lá embaixo. Ele não tá nem aí.

Sócrates morreu no primeiro domingo de dezembro de 2011 porque é normal que pessoas morram em qualquer dia. E o Corinthians ganhou o campeonato brasileiro nesse dia porque já era a data programada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para o jogo final. E o Corinthians foi um dos finalistas porque vinha apresentando um bom futebol. Havia, portanto, uma forte probabilidade de ele ser o campeão.

O resto, amigo leitor, não passa de superstição!