sexta-feira, 5 de julho de 2019

A REVISTA “ISTOÉ” E O ERRO DE ORTOGRAFIA





Eustáquio

Caro leitor,



A revista ISTOÉ desta semana, datada de 3 de julho do fluente ano (2019), na página 42, traz uma palavra escrita erroneamente. No primeiro parágrafo, entre outras coisas, está escrito:


“(...) Quando foram adotadas, ainda crianças, elas podem ter trazido histórico de abusos, agressões e frustações, nem sempre visíveis.”


O erro, amigo leitor, se localiza na palavra “FRUSTAÇÕES”. Escrever “FRUSTAÇÕES” é uma grande FRUSTRAÇÃO. Portanto, o correto é FRUSTRAÇÕES, com os dois erres.

A XUXA MENEGHEL E O FILME PROIBIDO





Eustáquio


Caro leitor,



A revista ISTOÉ desta semana, datada de 3 de julho do fluente ano (2019), nas páginas 18 e 19, traz várias frases pronunciadas por pessoas que se destacam no mundo da televisão, esporte, música, política e arte. Achei bastante interessante a afirmação da apresentadora de programa de televisão Xuxa Meneghel, com o seguinte teor:


“FOI O ÚNICO TRABALHO QUE O PELÉ ME FEZ FAZER, PARA AJUDAR UM AMIGO. FIZ E ME ESTREPEI.”



A própria revista esclarece que Xuxa está se referindo ao filme “Amor Estranho Amor” do qual ela participou. Todavia, poucas pessoas hoje têm conhecimento desse caso. Xuxa afirma acima que resolveu participar desse filme por indicação do nosso rei Pelé. Segundo ela, Pelé queria ajudar um amigo que estava numa situação difícil e aí pediu à Xuxa que aceitasse um determinado papel no filme. Xuxa atendeu ao pedido de Pelé e afirma que, depois, se estrepou, ou seja, se lascou.
O filme “Amor Estranho Amor” foi lançado em 1982, com duração de 1 hora e 50 minutos. Que eu saiba, ninguém encontra esse filme em exibição em lugar algum do Brasil, nem em vídeo, nem mesmo no “You Tube”, em razão da proibição judicial, determinada por juízes de Direito. Porém, eu assisti a ele no mesmo ano de lançamento. Fez sucesso nacional. Assisti a esse filme no Cine Diogo, em Fortaleza, que estava situado na Rua Barão do Rio Branco, por trás do Cine São Luiz. Hoje o Cine Diogo não existe mais, igual ao cantor Nélson Ned. Os principais atores que participaram desse filme foram Tarcísio Meira, Vera Fischer, Walter Forster, Mauro Mendonça e Íris Bruzzi. Xuxa ainda não era famosa. Durante a exibição do filme em todo o Brasil, permanecia, nos cinemas, obviamente o cartaz, uma foto gigante. Nesse cartaz, apareciam a Vera Fischer, o Tarcísio Meira, a Xuxa, o Mauro Mendonça e a Íris Bruzzi. Na foto, todos estavam bem vestidos, exceto a Xuxa, que estava completamente nua. Nua e linda! Xuxa, na época da produção do filme, estava com apenas 16 anos de idade, e, no lançamento, com 19. Muito jovem, pois!
Xuxa afirmou acima que se estrepou, que se lascou, que se arrependeu amargamente de ter participado do filme. E por quê? Ora, ela se arrependeu a partir do momento em que começou a apresentar um programa de televisão voltado para o público infantil, para as criancinhas. Assim, em 1983, um ano após o lançamento do filme, com apenas 20 anos de idade, Xuxa estreia, na Rede Manchete, o programa de televisão “Clube da Criança”. Já que ela havia decidido se dedicar somente às criancinhas, resolveu então apagar sua imagem do passado. Por exemplo, as cenas do filme supracitado não cairiam bem em sua nova vida. Com toda razão, Xuxa procurou a Justiça para resolver esse problema. Conseguiu vitória, proibindo a veiculação do filme, mediante altíssima indenização paga aos proprietários dos direitos autorais.
E o que aparece no filme, em relação à Xuxa? Ora, como eu afirmei no início deste artigo, assisti a ele na data de lançamento nacional, em 1982. A história é a seguinte: o cenário principal é um lindo e luxuoso prédio destinado à prostituição, com várias garotas belíssimas de programa, prostitutas de luxo, que moravam ali, entre outras, Anna (Vera Fischer), Tamara (Xuxa) e Olga (Matilde Mastrangi). O dr. Osmar (Tarcísio Meira) era um poderoso político paulista, casado, e amante da prostituta Anna. Quase todos os dias, ele ia ao luxuoso prédio para afogar o ganso, como se diz na linguagem popular. Certo dia, chegou o garoto Hugo (Marcelo Ribeiro), com apenas 6 anos de idade, filho da prostituta Anna. O garotinho passou a morar com sua mãe Anna, junto com as outras prostitutas. A linda prostituta Tamara (Xuxa) botou os olhos naquela inocente criancinha, passando, durante a noite, a dar-lhe lição sobre os prazeres do sexo. Não houve cenas de sexo explícito, mas apenas simulações. Cenas de sexo explícito são aquelas em que a gente vê, por exemplo, o pênis se movimentando dentro da vagina, do ânus (popularmente chamado de cu) ou da boca. De forma alguma, isso aparece nas cenas envolvendo os atores Xuxa e Marcelo Ribeiro. Repito, foram apenas cenas de simulações, na verdade, nada de sexo propriamente dito.
Muitas pessoas extremamente ignorantes condenam filmes que mostram cenas de sexo explícito ou implícito. Só que essas pessoas não percebem que fazem a mesma coisa quando estão entre 4 paredes. E o mundo do cinema, que é uma coisa fascinante, apenas reproduz os fatos da vida real.


quinta-feira, 4 de julho de 2019

O BOLSONARO E A TOMADA DE 3 PINOS





Eustáquio
  

Dentre as maluquices propagadas pelo presidente Jair Bolsonaro, destaca-se a de extinguir a tomada de 3 pinos. Diz o presidente que é a “tomada do Lula”, por isso deve ser extinta.
Como nosso presidente é ignorante! Se o Lula possui uma tomada, a de 3 pinos nada tem a ver com ele. Lula assumiu, pela primeira vez, a presidência deste país no dia 1º de janeiro de 2003. Já a tomada de 3 pinos permaneceu sob consulta pública durante vários meses do ano de 1998, concretizando-se no ano 2000, ou seja, 3 anos antes de Lula iniciar seu governo. Logo, se o presidente quer atribuir essa tomada a alguém, deve colocá-la nas costas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que era nosso presidente em 2000.
Mesmo assim, a tomada de 3 pinos é mais eficiente que a de 2. O 3º pino, o do meio, foi criado para receber o pino do fio terra, ou seja, para oferecer mais segurança aos usuários.

                   Se o Bolsonaro não gosta dos 3 pinos, então, com um alicate, deveria retirar o pino do meio e enfiá-lo no... no.... no... no LIXO, macho!

AMOR, MATE MEU MARIDO!




Eustáquio



Caro leitor,


Em 1994, aqui, em Brasília, por meio de concurso público, ingressei no quadro de pessoal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, no cargo de analista judiciário, nível superior, e comecei a trabalhar na 1ª Vara Criminal do Gama, uma cidade do Distrito Federal, distante 37 quilômetros do centro de Brasília. Permaneci ali durante 12 anos. Ao longo desse tempo, muita experiência na área criminal, em processos criminais. Analisei a fundo uma infinidade de processos, de capa a capa, razão pela qual tenho conhecimento acerca de inúmeros fatos criminais horríveis ocorridos naquela cidade. Neste artigo, narrarei um desses fatos, o da mulher Dinorá Veneroso que mandou matar seu marido.
No dia 27 de outubro de 1992, à noite, por volta das 20h30, no Setor Oeste do Gama, na frente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, um homem chamado Dorival da Mata levou 5 tiros e estava agonizando. Foi rapidamente socorrido por populares e levado ao Hospital do Gama, onde, dois dias depois, faleceu. E agora, caro leitor? Quem matou o Dorival da Mata? E por que o matou? Obviamente, isso aí é trabalho de investigação da polícia civil. A polícia investigou e descobriu tudo. É um trabalho muito bonito e técnico, não é mesmo? A primeira coisa: quando um homem casado é assassinado, a primeira suspeita é a própria esposa. Da mesma forma, quando uma mulher casada é assassinada, a primeira suspeita é o próprio marido.
A polícia fez uma grande investigação. A esposa da vítima, Dinorá Veneroso, negava que estivesse envolvida nesse homicídio. Ela chorava diante dos investigadores, afirmando que amava muito o Dorival da Mata. Como o ser humano mente na maior cara de pau! A prova mais importante, caro leitor, foi a audiência com o filho menor do casal. O delegado de polícia ouviu o menino com apenas 6 anos de idade. Ora, uma criança com apenas 6 anos de idade dificilmente consegue mentir, inventar ou aliviar a barra de alguém. Fala o que ouviu, ou o que viu. E essa criança revelou tudo, mesmo sem perceber que estava mandando sua mãe para a prisão.
Dinorá Veneroso, a esposa, como afirmei acima, negava tudo. Dizia para o delegado que amava o esposo e que jamais havia olhado para outro homem. Pura mentira, que o próprio filho desmascarou. O delegado perguntou àquela criança:


--- Meu filho, diga-me uma coisa: algum homem aparece lá, na sua casa? Seu pai recebe a visita de algum amigo?


A criança, com apenas 6 anos de idade, na maior inocência, disse ao delegado:


--- O papai não tem amigo. Minha mãe tem um amigo que só aparece lá, em casa, quando o papai não tá.


E o delegado continuou:


--- E, meu filho, me diga outra coisa: diga-me o nome desse amigo de sua mãe e me diga também se ele entra na casa de seu pai. E o que ele faz lá?


E a criancinha respondeu:


--- O nome do homem é tio Francisco. Quando ele entra lá, em casa, vai direto para o quarto com a mamãe e ela fecha a porta.


Ora, amigo leitor, o próprio filho do casal revelou tudo, toda a verdade. A esposa mentia absurdamente, dizendo que nunca havia olhado para outro homem. O amante Francisco Antônio de Carvalho só aparecia na casa quando o pobre esposo corno Dorival da Mata saía para o trabalho. A polícia descobriu tudo: Dinorá Veneroso pediu ao seu amante Francisco que matasse seu esposo. E assim foi feito. O objetivo dela era se livrar do esposo, passando a viver com Francisco com a boa pensão deixada pelo pobre marido. Como o ser humano é mau, caro leitor! Narrarei agora como foi isso.
Naquele dia 27 de outubro de 1992, Dinorá, em seu carro dado pelo esposo, que era evangélico, saiu de Taguatinga em direção à cidade do Gama. Ela, na direção, e o marido, ao lado. Ele, coitado, nem imaginava que estava a caminho da morte, e uma morte trágica preparada pela própria esposa. Dinorá deixou o marido na frente da Igreja Assembleia de Deus. Quando ele desceu do carro, ela saiu, indo para um supermercado bem próximo. Tudo estava armado. O Francisco, seu amante, já estava há muito tempo na frente da Igreja, só aguardando a chegada de Dinorá e de seu esposo. Quando o esposo Dorival da Mata ia entrando na igreja, Francisco deu-lhe 5 tiros, ou seja, descarregou o revólver, já que a Dinorá havia determinado. Ela havia dito ao Francisco que era para descarregar o revólver para que seu esposo não escapasse de forma alguma. O pobre esposo Dorival caiu ao chão, agonizando. Nisso, o amante Francisco foge, desaparecendo na escuridão. Dorival é levado ao hospital. Poucos minutos depois, a esposa Dinorá volta ao local onde havia deixado o marido. Disseram a ela que um homem havia levado tiros e que fora levado para o hospital. Dinorá correu para o hospital, pura encenação, pura falsidade, e nada mais! Dorival estava numa maca, a caminho da cirurgia. Dinorá, com a maior falsidade do mundo, disse a ele:


--- Meu amor, o que lhe fizeram?


E o pobre marido, com muitas dores, disse a ela:


--- Oh, minha querida! Veja a desgraça que fizeram comigo!



Pobre Dorival! Ele morreu sem imaginar que aquela desgraça foi causada pela sua própria esposa. Pobre Dorival!
Dinorá Veneroso foi condenada a 18 anos e 6 meses de reclusão, e seu amante Francisco, a um pouco mais. Os dois foram presos. Só que foram soltos há muito tempo, em razão do cumprimento da pena.
No Brasil, caro leitor, o crime compensa! Ora, Dinorá mandou o amante matar seu marido para ficar com os bens e a pensão. O pobre esposo Dorival morreu, não existe mais. Dinorá e seu amante Francisco, os criminosos, devem estar vivos. Pode ser que Dinorá atualmente esteja vivendo com Francisco e com o filhinho dela, recebendo a pensão do esposo e com os bens deixados por ele. Percebeu, leitor, como o crime compensa no Brasil? Se houvesse pena de morte, a história seria outra: Dinorá e seu amante Francisco não iriam desfrutar dos bens deixados pela vítima. Nunca!
Um abraço!

quarta-feira, 3 de julho de 2019

A REVISTA “ÉPOCA” E O ERRO DE GRAMÁTICA




Eustáquio



   A revista ÉPOCA desta semana, datada de 24 de junho de 2019, traz em sua capa a foto do general de Exército Santos Cruz que foi recentemente exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro.
Nas páginas 62 a 66, uma matéria acerca do turismo dos argentinos no Brasil, sob o título “ADIÓS, HERMANOS” e escrita pelas jornalistas Glauce Cavalcanti e Karen Garcia. Na página 64, no primeiro parágrafo, está escrito:


“No Sul do Brasil, onde os argentinos conseguem chegar também de carro ou de ônibus, o efeito é mais forte.”


Muito bem! No período acima, há um erro de gramática, de regência verbal. O erro se localiza na palavra “ONDE”. O certo seria “AONDE”. Veja, caro leitor, que o verbo da oração é “CHEGAR”. Esse verbo, nesse contexto, exige a preposição “A”. Quem chega, chega A algum lugar. A preposição deve aparecer. Veja os exemplos:


1) Maze Gondim chegou ao Teatro José de Alencar;

2) Em Camocim, aonde Francisco Torres chegou ontem…;

3) Aonde Rita Damasceno chegou?



Grave bem uma coisa, caro leitor! Se você usa o verbo “CHEGAR”, deve colocar o “A” antes de “ONDE”, formando “AONDE”.
E se você não usa o verbo “CHEGAR”, nem outro verbo que exija preposição, então escreverá apenas “ONDE”. Veja os exemplos:


1)   Maze Gondim mora onde eu lhe disse;

2)   A casa onde Aleuda Lins mora é própria;

3)   Nonato Lins estava onde eu me encontro agora.


Um abraço!


terça-feira, 2 de julho de 2019

O PREÇO DE UMA LINDA AMIZADE






   Marta Vasconcelos e Maria das Dores nasceram no mesmo dia, na mesma rua. Sobral, no Ceará, foi o berço das duas. Suas famílias eram vizinhas, amigas há longos anos. Aos 19 anos de idade, as duas eram tão amigas que resolveram cursar Direito na Universidade Vale do Acaraú (UVA). Em 2002, concluíram o curso e instalaram um escritório de advocacia perto do Beco do Cotovelo. Marta já estava casada com um empresário do ramo de tecidos. Maria das Dores continuava solteira, apesar de ser muito bela. Amigas inseparáveis, Maria das Dores todos os dias comparecia à casa de Marta, e os três sempre saíam juntos. 
Num dia qualquer de novembro de 2004, Maria das Dores vai à casa de Marta, encontrando-a bastante triste. 


--- O que foi, querida? Por que essa cara tão triste?  --- perguntou-lhe Maria.


Marta desandou a chorar. Entre soluços, disse à Maria:


--- Minha amiga do peito, estou sofrendo muito. Há 2 dias, recebi um telefonema anônimo, informando-me que meu marido tem uma amante. Ontem, à noite, expulsei-o daqui. Não estou aguentando essa situação, querida!


Maria, muito triste, abraçou a amiga, acariciando com carinho seus cabelos e costas, dizendo-lhe:


--- Marta, não fique assim! Pense bem! Não dê atenção a telefonemas anônimos. Com certeza, deve ser alguém que inveja você e quer vê-la infeliz. Olhe, eu nunca vi um ato de seu esposo que demonstre ser ele um infiel. Ao contrário!

E a Marta desesperada:


--- Não, Maria, a coisa realmente é séria. A pessoa me informou que, se eu quiser pegar meu marido com a amante em flagrante, basta que eu vá, no finalzinho da noite, à Igreja da Sé. Eles ficam lá, sozinhos, trocando beijos e carícias. Amiga, quero perguntar se você vai comigo, amanhã, à noite, à Igreja da Sé. Você me acompanha?


--- Claro, Marta! Irei com você sem dúvida alguma! Se for verdade, estarei, como sempre, ao seu lado! --- afirmou a Maria. 


Maria, então, entrou em seu carro, dirigindo-se para seu apartamento. Entrando, pegou o celular, jogando a bolsa sobre o pequeno sofá. Do outro lado da linha, Inocêncio, o esposo de Marta. Maria lhe diz:


--- Amor, sujou! Marta descobriu! Algum dedo duro informou nosso romance a ela. Esqueça a Igreja da Sé porque informaram a ela que é nosso lugar de encontro. Amanhã, irei com ela até lá. Depois, escolheremos outro lugar. Certinho?


E o Inocêncio:


--- Certinho, meu amor! 

CLARO QUE ACEITO, DEPUTADO!




                                                               Eustáquio


Prezado leitor,

Na foto abaixo, a maior causa das piores desgraças do homem.
Os pais daquele garotinho já haviam previsto o futuro do filho. Rômulo Sampaio, com apenas 9 anos de idade, já trazia o costume de furtar brinquedinhos dos colegas. Certo dia, entrou em sua casa, conduzindo um carrinho com controle remoto. Sua mãe, preocupada, lhe perguntou:

--- Rômulo, de quem é esse carrinho?


--- Mãe, um amigo me deu! --- disse ele com convicção.


A mãe, obviamente, não engoliu a afirmação. Tornou a lhe dizer:


--- Olhe, meu filho! Eu quero saber quem é esse seu amigo e onde ele mora. 


Rômulo, correndo para seu quarto, disse à mãe:


---Ah, mãe, depois eu lhe digo. 


Quando seu pai Romualdo chegou do trabalho, a esposa Florbela contou-lhe o ocorrido. Bastante alterado, Romualdo gritou:


--- Mulher, já lhe disse! Já lhe disse! Esse menino, com apenas 9 anos de idade, adora passar a mão nos bens alheios, imagine quando crescer. Com certeza, terá um brilhante futuro na política brasileira. Será um importante político!


Dito e feito. Quando Rômulo chegou aos 18 anos, ingressou num partido político, candidatou-se ao cargo de deputado estadual e foi eleito com milhões de votos. Chegando à Assembleia Legislativa do seu Estado, encontrou disponíveis 28 cargos para livre nomeação, sem a prestação de concurso público. À noite, retornando à sua casa, pegou o celular e ligou para o Anastácio, seu amigo desde a infância:


--- Anastácio, boa-noite, meu chapa!


--- Diga aí, nobre deputado! 


--- Anastácio, estou com 28 cargos lá, na Assembleia, para preencher. Você, meu camarada, é o primeiro da lista. Vou colocá-lo como assessor parlamentar com um salário de R$ 6.000,00. 


O Anastácio, de tanta felicidade, começa a chorar. Possuía apenas o 1º Grau e fora reprovado num concurso recente para lixeiro de seu município, com um salário mínimo mensal. E, de repente, aparece seu amigo deputado lhe dando 6 salários mínimos, sem concurso algum. Um presente dos céus! Disse ao deputado:


--- Rômulo, meu nobre deputado, meu nobre amigo! Muito obrigado! Não sei como lhe agradecer! Você é um homem de fé, de Deus! Que Deus prolongue sua vida política, meu parceiro! Desse jeito, você vai chegar a presidente do Brasil!


E o Rômulo, bastante alegre:


--- Pois é, meu amigo Anastácio! Você receberá R$ 6.000,00 reais, como meu assessor parlamentar. Só que, todos os meses, me entregará a metade, ou seja, R$ 3.000,00 reais, em espécie, dinheiro vivo. Você sabe, né, isso é chamado de  “rachadinha” e é muito comum no meio político brasileiro. E digo mais: bico totalmente fechado porque é crime. Isso dá cadeia e extinção do mandato. Certinho, Anastácio?


--- Certinho, meu querido deputado! Pode confiar na minha pessoa! Eu ficando com R$ 3.000,00 reais já tá bom demais porque, se eu tivesse passado no concurso para lixeiro, iria ganhar apenas 1 salário mínimo. Que Deus lhe pague!


O deputado Rômulo permaneceu na Assembleia Legislativa durante 2 mandatos, ou seja, 8 anos. Só não seguiu sua carreira por causa do câncer no estômago que o levou ao cemitério. Seu corpo foi velado no salão central da Assembleia, ao som do Hino Nacional. Diante do caixão fúnebre, chorando sem controle, seu amigo Anastácio. Após o Hino, Anastácio, pediu silêncio a todos, e falou com toda a força de seus pulmões:


--- Amigos, obrigado pela presença de vocês! Neste caixão, nesta insignificante caixa de madeira, meu amigo deputado Rômulo, um homem simples, do povo, mas solidário e profundamente honesto! Que Deus o receba nos céus, ao lado dos anjinhos ao som das trombetas! Adeus, meu deputado querido! Em breve, nos veremos nos jardins celestiais!