segunda-feira, 10 de junho de 2019

O MÉDICO SALOMÃO DE FORTALEZA





Eustáquio



               Prezado leitor,


              Na foto abaixo, uma vista parcial da longa avenida Dr. Guarani, a mais alegre, movimentada e iluminada de Sobral, no Ceará, minha terra natal. Esse trecho da avenida é o cartão-postal e a sala de visita da cidade. Cartão-postal porque se localiza aí o monumento mais famoso, o Arco de Nossa Senhora de Fátima. E sala de visita porque é a principal entrada da cidade. No centro da foto, você, caro leitor, vê o Arco. À direita, aparecem dois prédios. E você vê, também, uma longa calçada central pela qual caminha um homem. Essa é a Sobral de hoje, mas não a de minha época. Em 1965, quando eu estava com 9 anos de idade, minha família morava justamente aí, numa casa alugada. O Arco existia, mas não havia os dois edifícios e nem a longa calçada central. Tanto à direita, quanto à esquerda da avenida, só existiam casas. E havia um posto de gasolina ocupando uma parte do calçadão, justamente no lugar em que se encontra o rapaz na foto.
                    Muito bem! Colocar cadeiras na calçada é um costume nordestino. Sobral é uma cidade nordestina, logo, é comum pessoas se sentarem em cadeiras para uma boa conversa ao longo das calçadas. Além das fofocas diárias, aparece o cafezinho acompanhado pelas tapiocas. Lembro-me bem de meu pai (João Lopes Lins), de minha mãe (Gerarda Alves Lins) e de meus irmãos (Aleuda, Graça, Liduína, Nonato, Deca, João e Elcias) sentados em cadeiras espalhadas ao longa da calçada, defronte para o posto de gasolina, observando o movimento dos carros que passavam, inclusive os ônibus da “Expresso de Luxo” que chegavam de Fortaleza. Minha irmã Célia já morava na capital.
                  Em dezembro de 1975, quando eu estava com 19 anos de idade, minha família se mudou para Fortaleza. Fomos morar na Rua Naturalista Feijó. E obviamente continuaram as cadeiras na calçada. Minha irmã Célia morava na Rua Mário Studart, bem próxima de minha casa. E lá também cadeiras na calçada. Em abril de 1984, com 27 anos de idade, eu, sozinho, fui morar em Brasília. Aqui, nada de cadeiras em calçada. Se um morador do centro de Brasília colocar uma cadeira em sua calçada, com certeza será levado imediatamente a um hospital psiquiátrico porque irão pensar que ele enlouqueceu. Como se vê, o povo de Brasília não tem ideia do que está perdendo. Por isso mesmo, é um povo de cara fechada, antipática, não dado a amizades.
                       Em fevereiro deste ano (2019), encontrava-me eu, mais uma vez, em Fortaleza, sentado numa cadeira sobre a calçada da casa de minha irmã Célia que mora atualmente na Rua Conrado Cabral. Ao meu lado, Célia e suas duas filhas, Mônica e Márcia. Conversa vai, conversa vem, eis que aparece uma das vizinhas de Célia, uma mulher morena e extremamente simpática, cujo nome me foge da memória neste momento. Ela me contou que trabalhou durante muitos anos como auxiliar de enfermagem, em vários hospitais da capital. E me disse também que, de todos os médicos com os quais trabalhou, o dr. Salomão se sobressaiu, se destacou, em razão de sua inteligência, solidariedade e criatividade. Infelizmente, o médico Salomão falecera no final do ano passado (2018). Como eu gostaria de tê-lo conhecido, de bater um papo prolongado com ele para absorver sua alegria e criatividade! Pois bem, caro leitor! Contar-lhe-ei agora um fato real ocorrido com o médico Salomão, que me foi passado pela vizinha feliz da Célia.
                   Num certo dia, dr. Salomão estava num hospital público de Fortaleza, atuando como clínico geral. O corredor estava lotado, com pacientes muito pobres acometidos pelas mais diversas enfermidades. Entra, no consultório do dr. Salomão, um homenzinho baixo e musculoso, morador do interior, que trabalha na agricultura. Após os cumprimentos iniciais, dr. Salomão lhe pergunta:


           --- Meu amigo, você trabalha na agricultura?


           --- Isso mesmo, dotô. Trabaio de sol a sol, na enxada, capinando, plantando, colhendo, jogando veneno. --- disse o humilde agricultor.


                   E o dr. Salomão:


                  --- E você mora sozinho?


           --- Não, dotô. Moro com minha muié e com meus fi. --- respondeu o agricultor com orgulho.


                     E o dr. Salomão pergunta novamente:


                  --- E você tem quantos filhos?


                  --- 12, dotô. --- afirmou o agricultor.


                  Dr. Salomão abriu um leve sorriso, dizendo:


                  --- Ah, meu amigo, agora entendi tudo! Você tem 12 filhos e é um agricultor! Agora entendi! Então, com você, a coisa é assim: de dia, na agricultura; de noite, NA CRIATURA!!!!


                        Que gênio, o dr. Salomão!

domingo, 9 de junho de 2019

O SONHO DA SOBRALENSE CÉLIA LINS




Eustáquio


                      Prezado leitor,

              Na foto abaixo, minha irmã Célia Lins, em agosto passado (2018), passeando de barco nas águas de Mundaú, um município de Trairi, a 140 quilômetros de Fortaleza, no Ceará.
                      Célia Lins está com exatos 80 anos de idade. Mora na rua Conrado Cabral, em Fortaleza, numa casa espaçosa, assobradada (dois pisos) e própria. É viúva, pois seu esposo Edvan Santos Dumont (que não tem parentesco algum com o famoso aviador brasileiro) faleceu há muitos anos. Edvan deixou para Célia apenas uma mísera pensão no valor de um salário mínimo. Obviamente, ninguém consegue comprar uma casa simples, e muito menos com um sobrado, com essa quantia. Célia adquiriu essa casa por meio de um seguro de vida cujas prestações eram pagas por seu filho Roger Lins. Com a morte do esposo, Célia finalmente realizou um sonho antigo: uma casa própria! Na casa, moram ela, suas duas filhas (Mônica e Márcia) e o genro Camilo, esposo de Márcia.
               Em fevereiro deste ano (2019), eu estava em Fortaleza para mais um mês de diversão. Quando estou na capital, fico num apartamento bem simples com minha irmã Liduína, situado na Avenida Sargento Hermínio Sampaio, bem próximo da casa da Célia, razão pela qual todos os dias vou à residência dela para colocar as fofocas em dia.  Num certo dia desse mês, eu, Célia e Mônica estávamos conversando na calçada da casa, sentados em cadeiras. Célia estava muito preocupada. Antes, seu sonho era ter uma casa própria. Foi realizado. Só que agora ela virou o disco. Seu sonho agora é se mudar para um apartamento. Na ocasião, ela me disse que iria trocar a casa por um apartamento pequeno, de 3 quartos, na Vila Cisne, defronte para a padaria “Gourmet”, na Avenida Sargento Hermínio. Não achei boa aquela ideia, e fui franco:

         --- Célia, pense bem! É bobagem trocar essa casa tão espaçosa, com sobrado, por um apartamento na Vila Cisne. E pior: a Mônica me disse que o condomínio está no valor de R$ 350,00 ( trezentos e cinquenta) reais. Ora, Célia, você ganha mensalmente apenas R$ 950,00 (novecentos e cinquenta) reais. Como é que você vai tirar todos os meses o dinheiro para pagar o condomínio, além disso, o valor do condomínio sobe a cada ano. Célia me respondeu assim.


              --- Eustáquio, você não tem ideia da minha tristeza nessa casa. A Mônica, a Márcia e o Camilo dormem lá em cima. Eu já estou velha, não tenho condições de subir por aquela infeliz escada. Sofro de depressão, e o pior momento é à noite. Sinto-me muito triste principalmente na escuridão da madrugada.


                --- Célia, não fique preocupada com a escuridão da noite. Alma não existe, lobisomem não existe e muito menos o Conde Drácula. O que pode aparecer em sua casa durante à noite, e realmente aparecem, são baratas e ratos. -- disse eu.


                   Célia soltou um sorriso. Nisso, entra a Mônica:


                  --- Eustáquio, você nem imagina a dor de cabeça da gente por causa dessa maldita venda da casa. O diabo do processo até hoje está parado no cartório ladrão por causa de um erro na metragem do terreno. O desgraçado do cartório errou, mas é a gente que paga. Mamãe já gastou R$ 480,00 (quatrocentos e oitenta) reais com taxas. Que cartório infame! E o outro ladrão, o tal de Régis, só liga para encher o saco.


                        --- Quem é esse Régis, Mônica? Será que é o filho do Manéis de Sobral? --- perguntei eu, brincando.

                        --- Não, esse Régis é um corretor de imóveis. O infeliz não resolve nada. Já disse até para a mamãe que desista de tudo. Vamos ficar aqui mesmo na casa e ponto final. Só aparece ladrão para pegar dinheiro. Outro dia, foi o miserável do engenheiro. Ele apareceu aqui, em casa, sozinho, sem um ajudante, com uma trena na mão para medir as dependências da casa. O desgraçado ainda pediu que eu segurasse a ponta da trena para que ele pudesse fazer a medida. Não gastou nem 10 minutos. No final, abriu a mão, e a mamãe pagou-lhe R$ 800,00 (oitocentos) reais. Mamãe já está devendo a um agiota quase R$ 1.000,00 (mil) reais. Num sei não, viu, haja dinheiro!


                        Eu olhei para a Célia e disse:


                 --- Célia, desista disso! Vamos amanhã ao cartório para cancelar o processo. Até agora, você já gastou R$ 1.280,00 (mil duzentos e oitenta) reais, e com certeza gastará mais. Vamos amanhã ao cartório, a gente cancela tudo e o cartório lhe devolverá os R$ 480,00. Quanto ao dinheiro pago ao engenheiro, pode esquecer. Já era.


                     No dia seguinte, peguei a Célia e fomos no meu carro ao cartório, situado no bairro Aldeota. Chegando lá, eu disse a um serventuário que minha irmã havia desistido de tudo. Ele chamou outro empregado que veio com a pasta do processo. Célia lhe disse que estava ali para cancelar tudo e pegar o dinheiro que havia torrado em taxas. O rapaz do cartório, bastante educado, disse à Célia que não desistisse porque o processo já estava quase no final a fim de regularizar a escritura da casa. Célia não aceitou suas explicações, estava decidida a pôr um ponto final em tudo. O empregado então pediu que ela esperasse porque ele iria buscar o formulário de desistência. Célia e eu ficamos aguardando. Nisso, um homem que estava sentado ao lado da Célia, começou a conversar com ela, e eu só ouvindo. O homem dizia a ela que não desistisse do processo porque já estava quase no final. E eu só ouvindo! O homem colocou tanta abobrinha na cabeça da Célia que ela realmente desistiu de desistir. Virou o disco. Quando o serventuário do cartório voltou, com o termo de desistência nas mãos, eu disse a ele que a Célia havia mudado de opinião, que ela queria a continuação do processo. O serventuário abriu um sorriso de felicidade, parabenizando a Célia pela inteligente decisão. Ele, nesse momento, mostrou à Celia 3 editais, dizendo:


                --- Muito bem, Senhora Célia, meus parabéns por não ter desistido! Agora, a coisa é bem simples. A Senhora vai levar esses 3 editais para providenciar a publicação em qualquer jornal de grande circulação em Fortaleza. Os editais devem ser publicados em dias diferentes, não no mesmo dia. Quando forem publicados, a Senhora destaca as 3 publicações e traz para o cartório. Certinho?


                  A Célia, já fechando um pouco a cara  diante do procedimento relativo aos editais, perguntou ao serventuário:


                  ---- Sim, moço, e quanto eu vou gastar com esses editais, hein?


                           --- A Senhora deve gastar com os 3 editais, mais ou menos R$ 1.600,00 (mil e seiscentos) reais. --- respondeu o homem.


                        Quando a Célia ouviu aquilo, quase desmaia. Parecia até que um terremoto estava destruindo Fortaleza. Célia ficou branca de tanta raiva. Devolvendo rapidamente os 3 editais ao serventuário, disse-lhe:

                       --- Moço, tome essas porcarias! Pode rasgar tudo! Não quero mais nem saber disso! Por favor, desisto de tudo agora mesmo! Isso é um absurdo, moço, uma viúva que recebe apenas 1 salário miserável por mês, como é que vai ter dinheiro para essas publicações miseráveis?

                            
                           E Célia assinou o termo de desistência, no que fez muito bem!   

sábado, 8 de junho de 2019

A JORNADA DE ROGER LINS EM BRASÍLIA


               

Eustáquio


              Na foto abaixo, o bacharel em Direito Roger Lins que mora em sua terra natal, Fortaleza, no Ceará.
            Roger é filho de Edvan e Maria Célia Lins (minha irmã) e neto do sobralense João Lopes Lins e de Gerarda Alves Lins, meus pais já falecidos. Conclui-se, pois, que Roger é meu sobrinho. Ele é muito parecido com o físico brasileiro Marcelo Gleiser, que mora há muitos anos nos EUA, porém não há parentesco algum entre eles, como também entre os músicos Sivuca e Hermeto Pascoal, um, o focinho do outro.
                 Em 2000, Roger trabalhava na Caixa Econômica Federal, lotado na agência situada na Avenida Bezerra de Menezes, no trecho “Estação Instituto dos Cegos”. Havia ingressado ali por meio de concurso público para o cargo de escriturário. O escriturário é aquele empregado que fica nos caixas, atendendo os clientes para efetuação de pagamentos, depósitos, saques etc. É um trabalho cansativo e de extrema responsabilidade. Roger ganhava mensalmente aproximadamente R$ 1.500,00 (mil e quinhentos) reais, e já estava casado, com duas filhinhas. Naquela época (ano 2000), eu já morava em Brasília há 16 anos. Eu já havia trabalhado na Polícia Civil do Distrito Federal, lotado na maior penitenciária daqui, conhecida popularmente por Papuda. E, na época, eu estava trabalhando no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, órgão do Poder Judiciário Federal em que me aposentei. Eu sempre dizia ao Roger:


               --- Rapaz, você é formado em Direito, e fica trabalhando como caixa, numa área que nada tem a ver com o Direito, além do mais, com um salário pequeno. Vá para Brasília porque estão abertas inscrições para o cargo de agente de Polícia Civil, na modalidade agente penitenciário, para trabalhar na penitenciária de lá, onde fiquei durante 5 anos. Roger, então, me perguntou:


                    --- E qual é o salário lá?


                  --- Rapaz, o salário é um pouco mais de R$ 6.000,00 (seis) mil reais, ou seja, quatro mil e quinhentos reais a mais do que você ganha hoje na Caixa --- disse eu.


                  Roger abriu suas pálpebras, mostrando ainda mais seus olhos verdes, exclamando:


                  --- É mesmo, Eustáquio!


                  Num ímpeto corajoso, Roger seguiu meu conselho. Veio a Brasília, submeteu-se ao concurso e foi aprovado. Iria trabalhar na mesma penitenciária em que eu trabalhei. Sua nomeação ocorreu no dia 30 de janeiro de 2002. Ficou alguns dias em minha casa, até alugar uma quitinete no centro de Brasília. Depois, alugou um apartamento com 3 quartos, sauna, piscina, quadra de esporte, sinucas etc. no Guará II, onde eu moro hoje, e trouxe sua família, composta pela esposa e duas filhinhas. Morou em Brasília durante 3 anos e 6 meses. No dia 19 de julho de 2005, pediu exoneração do cargo policial. Retornou à terra natal, Fortaleza, para assumir o cargo de Oficial de Justiça em uma Vara Federal, também por meio de concurso público.
                  Roger é um lutador! Deixou Fortaleza, terra que ama, para morar em Brasília. Ficou longe de seu querido time Fortaleza, ficou distante do estádio Castelão. Morando em Brasília, o único meio de retornar ao Ceará seria por intermédio de concurso em tribunais federais. E surgiu esse concurso. Roger, então, comprou livros e apostilas, colocou-os sobre a mesa de vidro, e mãos à obra. Estudou, estudou e… obteve êxito. Atualmente, ele mesmo afirma que a vinda dele para Brasília foi o marco indispensável para seu sucesso profissional hoje porque, do contrário, teria ficado na Caixa Econômica Federal.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

TRÊS TIROS NA ESCURIDÃO




                                                    Eustáquio


              Prezado leitor,

             Na foto abaixo, eu, Eustáquio, em janeiro de 1986, com 29 anos de idade, na parte mais alta da maior penitenciária do Distrito Federal, conhecida popularmente por Papuda.  
             Em outra oportunidade, registrei que saí de Fortaleza, em abril de 1984, com 27 anos de idade, formado em Letras pela Universidade Federal do Ceará, com destino a Brasília para me submeter a concursos para professor porque o salário na capital federal era melhor. Ao chegar a Brasília, não encontrei de imediato concurso aberto para o magistério, porém havia inúmeros concursos para outras áreas. Já que eu não tinha um tostão no bolso, não poderia ficar aguardando o surgimento de concurso para professor. Então, resolvi enfrentar os concursos existentes. Submeti-me a 4 concursos, obtendo aprovação em todos. O primeiro a me chamar foi o Ministério do Trabalho. O nome do cargo era agente de portaria. Essa “portaria” nada tem a ver com a porta de entrada do prédio. Eu não era um vigilante, um guarda. Se tivesse sido, seria também um orgulho para mim. Eu trabalhava no Departamento de Pessoal. O salário era apenas 1 mínimo. Uma vergonha! Todavia, o órgão oferecia transporte de luxo, lanches e almoço. Com dois meses de trabalho, recebi dois telegramas relativos a órgãos para os quais eu havia me submetido a concursos. Um deles me pagava quase o triplo, mas preferi ficar no Ministério do Trabalho porque fornecia transporte, lanches e almoço. Com 4 meses nesse órgão, apareceu um concurso que eu nem imaginava. Um concurso para a Polícia Civil do Distrito Federal, com lotação na maior penitenciária, o CIR (Centro de Internamento e Reeducação), mais conhecido por Papuda. Eu jamais me imaginei trabalhando numa penitenciária. Fui olhar o edital do concurso. Quando vi o salário, assustei-me. Ora, eu ganhava apenas 1 salário mínimo. A Polícia Civil pagava 12 (doze) vezes mais. Inacreditável! Além disso, era para trabalhar durante 1 dia, com dois dias de descanso. E também oferecia transporte, lanches, almoço e jantar. Quando vi tudo isso, na mesma hora fiz minha inscrição. Obtive aprovação em todas as etapas do concurso e assumi no mês de novembro de 1985. Ao entrar na Polícia, desisti da profissão de professor principalmente em razão do salário. Assim, em janeiro de 1986, comecei a estudar Direito porque, mais à frente, queria ser um delegado de polícia daqui. Concluí o curso 5 anos depois. Não surgiu concurso para delegado na época, aí enfrentei concursos para tribunais e saí da Polícia. Por incrível que pareça, senti-me mais feliz trabalhando na penitenciária. São muitas as histórias vivenciadas ali. Já contei um caso real, envolvendo um ex-colega do Ministério do Trabalho. Neste artigo, narrarei outro caso real.
              Ao tomar posse na Polícia Civil, recebi um revólver por empréstimo. Por força do cargo, era necessário andar com a arma, mas não gosto de armas. Casei-me pouco tempo depois. Minha esposa nunca viu o revólver. Eu chegava ao apartamento, trancava-me no quarto, retirava as balas, guardando-as no canto direito superior do guarda-roupa. E colocava o revólver no canto esquerdo superior. Ou seja, as balas distantes da arma. Minha esposa, mesmo se quisesse alcançar a arma, não conseguiria até mesmo com o auxílio de um banco porque o guarda-roupa era alto, tão alto que, com certeza, se alguém juntasse 8 Nélson Ned, cantor já falecido, não conseguiria pegá-la. Nos primeiros meses de policial, eu não tinha carro. Ia para a faculdade no ônibus da Polícia, às 18h. As aulas na faculdade se encerravam às 23h. Para voltar à penitenciária, já que trabalhava no plantão, dois amigos policiais iam me buscar na faculdade, numa viatura policial. Não havia ônibus público para lá porque o prédio se encontra isolado da cidade.
              Num certo dia, depois das aulas, quase meia-noite, meus amigos não apareciam para me buscar. Liguei para a penitenciária. A viatura havia apresentado um defeito mecânico. E a outra viatura havia levado um preso a um hospital. Então, eu deveria esperar. Disse por telefone ao meu colega que eu iria pegar um ônibus público até uma parte da rodovia que dava acesso à penitenciária. Chegando ali, eu desceria e passaria a caminhar a pé até que a viatura se encontrasse comigo na estrada. E assim aconteceu. Peguei um ônibus público e desci na estrada escura e deserta. Nenhuma casa, nenhum edifício. Apenas a estrada mergulhada numa escuridão profunda. E fui caminhando, com o revólver na cintura. Adoro caminhar, faço isso até hoje. Quando eu estava caminhando por, mais ou menos, 30 minutos, vi luzes fortes à frente. Pensei que era a viatura policial. Era um veículo que passou a toda velocidade naquela estrada escura e deserta. Ato contínuo, apareceram outras luzes. Novamente, pensei que eram meus amigos policiais. Eu caminhava ao lado da rodovia, à margem. Não eram também meus amigos policiais. Esse carro com luz muito forte, ao se aproximar de mim, reduziu a velocidade. Por causa da escuridão profunda, não vi o modelo do carro. Quem estava no carro me via, mas eu não. Quando estava perto de mim, à minha frente, o carro andava lentamente. Eu desconfiei na hora. Saí então da margem direita da estrada, indo para a margem esquerda. E o carro também fez o mesmo movimento. Ou seja, para onde eu ia, o carro ia também. Resolvi então entrar no mato e aguardar. Fiquei quieto, agachado, na escuridão profunda. Com minha mão direita, peguei o revólver. O carro parou, mas continuou ligado. O passageiro da frente abriu a porta, desceu e disse para o outro, referindo-se a mim:


         --- Ele deve estar aqui por perto!


         Fiquei quieto, só aguardando que o cara se aproximasse. Quando ele deu três passos na direção em que eu me encontrava, apontei o revólver para cima, e fiz o primeiro disparo. Naquele silêncio, o barulho do tiro foi mais ensurdecedor. O cara voltou correndo desesperado para o carro. Efetuei o segundo disparo. Sempre para cima. Só ouvi um dizer para o outro:


           ---- Entra, filho da puta, senão vamos morrer!


           E aí efetuei o terceiro e último disparo. O carro saiu gritando com a fricção dos pneus no asfalto. Até hoje aqueles caras devem estar fugindo de mim. Saí do mato e voltei a caminhar pela estrada. 20 minutos depois, meus amigos apareceram com a viatura. Relatei para eles o ocorrido. Um deles disse:


          --- Ó, Lins! Por que você não atirou no filho da puta?


          --- Se eu tivesse feito isso, colega, iria ter uma forte dor de cabeça, até o terminar de todo o processo. Minha ação foi a necessária para aquela situação. Se o cara não tivesse recuado, aí sim, o próximo tiro seria no corpo dele. --- respondi eu.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

VOCÊ USA MACONHA?




                                                    Eustáquio


                        Distinto leitor,

             Na foto abaixo, Lúcio Mauro e Sônia Mamede respectivamente nos papéis de Fernandinho e Ofélia, no inesquecível programa humorístico da TV Tupi “Balança Mas Não Cai”. Em minha adolescência em Sobral, nos idos de 1972 a 1975, não perdia um programa sequer. Um dos quadros mais engraçado era o casal Fernandinho e Ofélia. Infelizmente, o grande Lúcio Mauro faleceu recentemente, em 11 de maio deste ano (2019), e a Sônia Mamede, no dia 25 de abril de 1990. A esposa Ofélia era muito burra, causando vergonha ao marido diante dos convidados. O chavão dela era engraçado:


            --- Fernandinho, meu amor, você sabe que EU SÓ ABRO A BOCA QUANDO TENHO CERTEZA!


           Ah, que saudade dos dois! Pois bem! Você, amigo leitor, deve estar perguntando a si mesmo: o que é que tem a ver o casal Fernandinho e Ofélia com o consumo de maconha, não é mesmo? Pois eu respondo: NADA! E por que eu coloquei a foto dos dois? Por causa da Ofélia! E por quê? Porque a Ofélia só abria a boca para dizer besteiras. E a pessoa que vou citar neste artigo fez a mesma coisa. Entendeu, agora, distinto leitor?
           A revista ÉPOCA desta semana, dia 3 de junho de 2019, na página 6, publicou algumas cartas de leitores. Escolhi o recado da leitora Thaysa Gomes, que não conheço. Sobre a maconha, ela escreve assim:


           “A MACONHA É UMA PLANTA QUE A NATUREZA NOS PROPORCIONOU POR ALGUM MOTIVO. NÃO TINHA DE SER PROIBIDA”


           Com todo respeito, Thaysa Gomes agiu como a inesquecível Ofélia do Fernandinho. Segundo a visão dela, a maconha é uma planta. Se é uma planta, então é um presente da Natureza. Se é um presente da Natureza, então existe por algum motivo. E já que é um presente da Natureza, então não pode ser proibido. Ah, que saudade da Ofélia!
                Ora, caro leitor, na Natureza, existe um universo de plantas que é nocivo ao consumo humano. Se o homem fizer uso dessas plantas, em muitos casos, terá morte instantânea, em outros, graves problemas de saúde. Portanto, é profundamente errôneo afirmar que, já que as plantas são um presente da Natureza, então seu uso não pode ser proibido.
               Trago como exemplo aqui a planta “Erythroxylum coca” da qual é processada a cocaína. É óbvio que a leitora Thaysa Gomes não é a favor do consumo de cocaína, droga que traz vários males a seus usuários, inclusive a morte. Outro exemplo: a planta “manihot esculenta Crantz”, conhecida popularmente por mandioca-brava. Se o homem comê-la, sentirá vômitos, diarreias, convulsões e até mesmo poderá ir a óbito. É uma planta, um presente da Natureza, mas isso não quer dizer que seja própria para consumo humano. Mais um exemplo: a planta “Conium maculatum L.” Dessa planta se extrai o veneno fortíssimo chamado “cicuta”. Tomou, morreu! Se a pessoa escapar, ficará com paralisias e confusão mental. É uma planta, um presente da Natureza, mas não significa que seja própria para consumo humano. É bom lembrar que o filósofo grego Sócrates (399 a.C) foi condenado à morte, obrigado a beber uma taça contendo cicuta. Poderia citar outras plantas, mas os exemplos acima são suficientes.

UM TUBERCULOSO EM SOBRAL




                                                    Eustáquio


                  Distinto leitor,

             Nas fotos abaixo, eu, Eustáquio, em dois momentos distintos de minha jornada. À esquerda, em 1973, quando estava com 17 anos de idade, em Sobral, minha terra natal. E, à direita, em 1989, quando contava com 33 anos de idade, na cidade de Sobradinho, no Distrito Federal. Na foto em preto e branco, estou com 4 amigos, na areia do rio Acaraú que banha a cidade de Sobral. Da esquerda para a direita: eu, Marcelo, Neto, Maurício e Edilson. Marcelo e Maurício são irmãos. Hoje, os dois moram em Fortaleza. Marcelo mora perto do Colégio Estadual Liceu do Ceará, onde cursei o 2º Grau. E o Maurício, não sei onde mora, mas ele tem uma banca de jornal defronte para o “North Shopping”, ao lado de uma agência do Banco do Brasil, na Avenida Bezerra de Menezes. Todas as vezes que estou em Fortaleza, visito várias vezes o Maurício. Saio de casa a pé, perto do Supermercado Frangolândia, situado na Avenida Sargento Hermínio Sampaio, e fico na banca dele, conversando horas a fio. O Maurício sempre pergunta pelo meu sobrinho Roger Lins que mora perto da banca, mas nunca apareceu por lá. Já o Neto, que aparece também na foto, mora hoje em Fortaleza. Sobrou o Edilson, que mora num sítio perto de Sobral e que é irmão do Raimundo Alves Pereira.
               Muito bem! É bastante comum o povo do Ceará relacionar magreza a doenças. Segundo a visão de grande parte dos cearenses, uma pessoa gorda é sadia, já uma pessoa magra é doente. O Jô Soares, com certeza, deve adorar os cearenses. Quando eu morava em Sobral, era excessivamente magro. A foto abaixo confirma essa verdade. Até as minhas costelas são visíveis nessa foto. Quando minha turma de amigos estava jogando bola num campinho na Praça do Abrigo, hoje, Praça Quirino Rodrigues, defronte para o antigo Colégio Sobralense, próximo ao Arco de Nossa Senhora de Fátima, eu era tão magro, que alguns (não todos) diziam assim:


             --- Joga a bola, tuberculoso! Cruza a bola, tuberculoso!


             Ora, eu nunca sofri de tuberculose, uma doença que emagrece seus portadores. Apesar de ter sido extremamente magro, sempre gozei de boa saúde. Meu cunhado Edvan Santos Dumont, que morava em Fortaleza, foi vítima dessa doença terrível, mas conseguiu vencê-la. Morreu depois em consequência de outros problemas. Na foto abaixo, eu estava com 17 anos de idade. Meu maior sonho era fazer musculação para ficar musculoso. Só que havia dois problemas: eu não tinha um tostão no bolso, e em Sobral não havia sequer 1 academia de musculação. Nessa época, eu e minha família estávamos morando na Rua Maria Tomásia, perto da casa do Manéis, numa casa alugada. Minha irmã Graça Lins era manicura, ou seja, fazia estética nas unhas dos pés e das mãos de muitas mulheres. Nos sábados, a sala da casa ficava lotada de mulheres. Haja fofocas! Minha irmã Graça gostava de ler as revistas “Sétimo Céu” e “Contigo”. Duas porcarias! Eram revistas que só traziam fofocas entre cantores, atores e atrizes. Mesmo assim, eu pegava aquelas duas porcarias e lia. Nessas revistas, apareciam propagandas de cursos a distância, por meio dos Correios e Telégrafos. E lá estava o curso do fisiculturista canadense Joe Weider que faleceu em 2013. Eu via nas revistas a foto dele, uma montanha de músculos. Como eu invejava o físico do Weider! Eu não tinha dinheiro para comprar as lições do curso e também para fazer os pesos com ferro e cimento. Então, tudo ficou só no desejo, e nada mais. Eu teria que suportar minha magreza excessiva durante mais alguns anos. Em dezembro de 1975, quando eu estava com 19 anos de idade, minha família foi morar em Fortaleza. E eu fui junto. Assim que cheguei a capital, meu cunhado Edvan Santos Dumont me arranjou um emprego numa indústria chamada CIBRESME (Companhia Brasileira de Estruturas Metálicas). Eu era um apontador, ou seja, ficava apenas anotando a produção das pesadas máquinas. Ganhava apenas 1 salário mínimo por mês. Fiquei lá por apenas 3 meses. Pedi exoneração porque não gostei do serviço. Dois meses depois, minha irmã Graça Lins conseguiu um emprego para mim na COELCE (Companhia de Eletricidade do Ceará), onde ela trabalhava como telefonista. Era um emprego terceirizado. O salário também era o mínimo. Fiquei lá durante dois anos e meio. Nessa época, eu morava na Rua Naturalista Feijó, no Bairro Ellery. A COELCE ficava na Rua Dr. João Moreira, ao lado do Quartel da 10ª Região Militar, defronte para a Praça dos Mártires (Passeio Público), frequentada hoje por prostitutas e drogados. Para chegar à COELCE, eu pegava um ônibus defronte minha casa e descia na Praça José de Alencar. De lá, ia a pé, passando pela Rua Guilherme Rocha e pela Praça do Ferreira. Quando eu recebi o primeiro salário, 1 salário mínimo, comecei a procurar uma academia de musculação. Estava louco para começar a fazer musculação para acabar com minha magreza excessiva. E encontrei facilmente. Que maravilha! Num sábado maravilhoso, peguei o ônibus defronte minha casa e desci na Praça José de Alencar. E saí caminhando à procura de uma academia. Eu estava na calçada do Teatro José de Alencar. Ao virar à direita, entrando na Rua General Sampaio, vi uma placa com os seguintes dizeres:


              “Academia de musculação. Seja invejado pelos homens e admirado pelas mulheres”


            Como fiquei feliz! Eu disse para mim mesmo: chegou a hora de ficar musculoso, igual ao Joe Weider. Entrei rapidamente no edifício. O edifício ainda está lá hoje. Ali funciona atualmente, no térreo, a loja “Fort Couro”. A academia funcionava no 3º andar. Subi rapidamente pelas escadas. Chegando à academia, vi logo 3 homens muito fortes, fazendo exercícios. O instrutor, chamado Renato, responsável pela academia, veio ao meu encontro. Ele era mais baixo que eu, negro e usava apenas uma sunga apertadíssima. Quando vi aquele cabra, invejei logo o corpo dele. Que físico lindo! Uma montanha de músculos! Ele me levou à sua mesa. Passou todas as informações para mim. Fiz minha inscrição e já comecei a cair pesado nos exercícios no dia seguinte. Como eu adorava todos os aparelhos! Meus dias de exercícios eram às segundas, quartas e sextas-feiras. Em apenas 6 meses, meu corpo já era outro. Aquele magrinho “tuberculoso” de Sobral não existia mais. Como eu já estava um pouco musculoso, só andava com camisas sem manga para que as pessoas vissem meu corpo. Eu percebia que as pessoas já me olhavam diferente, principalmente as garotinhas com minha idade. Quando eu entrava no ônibus, percebia facilmente garotas olhando para mim fixamente e os rapazes também. Aí eu me lembrava dos dizeres do cartaz da academia:


           “Seja invejado pelos homens e admirado pelas mulheres”


           Não deu outra! Comecei então minha aventura com algumas jovens. Fiquei na querida academia até 1984 quando resolvi morar em Brasília. Como eu já estava com um físico bom, não voltei à musculação. Parei. Perdi uma parte considerável do que adquiri, mas não perdi tudo. Na foto abaixo, à direita, eu já vivia em Brasília há 5 anos, ou seja, 5 anos sem praticar musculação. Porém, dá para ver o progresso de meu corpo, comparando-se com aquele da foto de Sobral. Nessa foto colorida, eu estava morando numa casa em Sobradinho, aqui, no Distrito Federal, sentado sobre uma mesa de supino que eu comprei juntamente com algumas barras. Ou seja, não deixei definitivamente a musculação. Continuava praticando um pouquinho em minha própria casa. Atualmente, não pratico mais! Mesmo assim, pessoas do meu convívio olham para mim e dizem:


         “Você fez musculação, não fez?”


         --- Fiz sim, há muito tempo! --- respondo eu.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

A MAZE GONDIM DE SOBRAL




                                                    Eustáquio


              Caro leitor,

             Na foto abaixo, a bela Srª Maze Gondim, filha de Sobral, no Ceará.
            Nasceu no dia 18 de agosto de 1950. Em 1966, com apenas 16 anos de idade, deixou Sobral com destino a Fortaleza, onde mora atualmente. Sua infância e uma parte de sua adolescência foram vivenciadas na terra de Dom José Tupinambá da Frota, precisamente na Rua Santo Antônio. Brincava pelas Praças da Sé e da Várzea. Adolescente, já tocando violão e piano, além de dançar balé, cantava nas rádios Educadora e Iracema com Amaury Barbosa, e no coral da igreja sob a batuta do maestro Brasil. Com certeza, uma menina prodígio.
                Em meu artigo intitulado “Seu filho é homossexual?”, publicado em 2 de junho do corrente ano (2019), Maze Gondim escreveu o seguinte:


            “Tudo que foge aos padrões impostas pela sociedade...todas as diferenças são discriminadas!


             Naquele artigo, escrevi um pouco acerca da homossexualidade. Mostrei ali que a homossexualidade não se trata de uma escolha, de uma opção. Ninguém escolhe ser um homossexual, um heterossexual, um travesti, um transexual, um deficiente físico, uma pessoa branca, uma pessoa negra etc.
            Maze Gondim, com acerto, diz que tudo aquilo que foge dos padrões impostos pela sociedade sofre discriminação. Uma afirmação verdadeira! Uma pessoa nasce sem língua, religião, deuses, roupas, preconceito etc. Nasce, portanto, livre, totalmente livre. Infelizmente, é a cultura, a sociedade em que nasce uma pessoa, que vai injetar seus padrões naquele novo ser. Por exemplo, se uma pessoa nasce no Brasil, falará a Língua Portuguesa porque é essa a língua que ouvirá de seus pais. Se essa pessoa nasce nos Estados Unidos da América do Norte, falará a Língua Inglesa porque é essa a língua que ouvirá de seus pais. Como se vê facilmente, uma pessoa herdará os padrões de seus pais, da cultura em que vive. Outro exemplo: se uma pessoa nasce no Brasil, regra geral, será uma cristã porque o cristianismo é a religião predominante no Brasil, a religião de seus pais. Por outro lado, se essa pessoa nasce no Irã, regra geral, será uma adepta do islamismo porque essa religião é a predominante naquele país. É fácil ver que a pessoa nasce sem religião e sem deuses. É a cultura que vai determinar em que deus acreditar e a que religião se filiar.
                   O preconceito não nasce com a pessoa. Bebês e crianças não são preconceituosas. Uma criança branca brinca com uma criança negra normalmente. Não existe preconceito entre elas. O preconceito é injetado na pessoa pela cultura, pelos pais e cidadãos da sociedade. Os adultos é que são preconceituosos. Eles criam o preconceito, alimentam o preconceito. E transmitem esse preconceito para seus filhos. Homossexuais, travestis, transexuais e outros são pessoas normais que merecem a mesma consideração e respeito que as pessoas não pertencentes a essas categorias. O problema é que pessoas adultas criam os preconceitos, tornando-os padrões de sua sociedade. Para esses humanos idiotas, a homossexualidade, por exemplo, foge do padrão, longo deve ser condenada. Daí surgem a violência e as agressões verbais contra os componentes do grupo supracitado.
                 Maze Gondim acertou em cheio!