segunda-feira, 6 de maio de 2019

A CRISTÃ ELIZABETH E AS CONTRADIÇÕES BÍBLICAS




Eustáquio



               Hoje são 6 de maio de 2019, segunda-feira. Há 3 dias, recebi um comentário da cristã Elizabeth Cláudia Rocha, em meu vídeo “Mentiras da Bíblia (1º vídeo)”. Nesse comentário, a Elizabeth, que parece ser uma cristã evangélica, diz que as contradições existentes na Bíblia são apenas aparentes, e não reais porque, segundo ela, a Bíblia é a palavra de Deus. Antes de analisar a afirmação de Elizabeth, trago aqui 2 doutores em Bíblia: Juan Arias e Bart D. Ehrman. O norte-americano Bart D. Ehrman (teólogo, historiador, graduado em grego e hebraico, especialista em Novo Testamento, professor de cristianismo há mais de 30 anos numa universidade na Carolina do Norte (EUA), em seu livro “Quem Jesus foi? Quem Jesus não foi?”, 2010, editora Ediouro, nas páginas 17 e 18, escreve:



                    “A Bíblia está repleta de discrepâncias, muitas delas contradições inconciliáveis (...) Os Evangelhos se contradizem em muitos pontos e incluem material não histórico.”


                            Já o espanhol Juan Arias (teólogo, psicólogo, filólogo, jornalista, escritor, graduado em línguas semíticas), em seu livro “A Bíblia e seus segredos”, 2004, editora Objetiva, na página 30, escreve:




                 “É lógico, portanto, que a Bíblia apresente erros e contradições, exageros e mitos misturados com fatos reais.”



                  Como vimos acima, Bart Ehrman e Juan Arias, dois especialistas em Bíblia, afirmam que ela está repleta de contradições, discrepâncias, lendas, mitos, alegorias, exageros e erros de toda espécie. Já a cristã Elizabeth Cláudia Rocha, que obviamente não é especialista em Bíblia, contrariamente aos dois doutores citados acima, afirma que as contradições bíblicas são apenas aparentes, e não reais. Ela age assim porque seus líderes religiosos colocaram essa ingenuidade em sua cabeça. Eis, na íntegra, o comentário de Elizabeth:

                             
                      “essas aparentes contradições: e perfeitamente entendido a luz da teologia biblica a luz de estudantes da bíblia como: testemunhas de Jeová, adventistas, pastores não precisa ser mestre para entender, vou dar um exemplo: a bíblia narrada em Marcos conta que um certo homem foi pedir ajuda a cristo para curar sua filha, mas mateus marra que esse certo homem mandou dois sacerdotes. quem está certo Marcos ou mateus: resposta simples. temos que considerar os aspectos culturais da época os vícios da língua daquela cultura. para os judeus falar que alguém foi à algum lugar ou mandou é”

    

                     Diz a cristã Elizabeth que as contradições bíblicas são apenas aparentes, e não reais. E ainda diz que essas aparentes contradições são explicadas por testemunhas de Jeová, adventistas e pastores. Como se vê, a Elizabeth lamentavelmente é facilmente enganada por testemunhas de Jeová, adventistas e pastores evangélicos. Ora, em vários vídeos e artigos, mostramos teólogos cristãos fundamentalistas tentando apagar as contradições bíblicas, sem êxito algum, porque é uma tarefa impossível. Como exemplo, o doutor em teologia Norman Geisler que faz muito sucesso no meio evangélico norte-americano e também no Brasil. Quando ele tenta explicar uma contradição bíblica, afirmando que não se trata de contradição, cai facilmente no ridículo, levando leitores sérios ao riso, e leitores ingênuos ao erro. A cristã Elizabeth lerá este artigo e ficará sabendo que as contradições bíblicas são claras, cristalinas e incontestáveis. Vamos trazer aqui mais uma contradição bíblica incontestável. Se a própria cristã Elizabeth fizer a seguinte pergunta:



                  Na Bíblia, os filhos serão punidos por causa das ações praticadas por seus pais?



                 Se a cristã Elizabeth abrir a Bíblia, de Gênesis ao Apocalipse, encontrará 2 respostas diferentes e contraditórias. Ou seja, mais uma contradição bíblica clara e incontestável. Pastores e livros evangélicos levam os fiéis ao erro, afirmando que, na Bíblia, os filhos jamais sofrerão em razão das ações de seus pais porque isso é uma injustiça que Deus jamais permitiria. Dessa forma, a cristã Elizabeth poderia citar a passagem que está em Deuteronômio, capítulo 24, versículo 16:


               “Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos, em lugar dos pais; cada qual será morto pelo seu pecado.”


                  Como afirmamos acima, pastores e livros evangélicos levam os fiéis ao erro. Eles levam ao fiéis a informação que está em Deuteronômio 24:16. E os fiéis passam a pregar que na Bíblia os filhos não são punidos por causa das ações de seus pais. O problema é que o livro de Deuteronômio não é o único da Bíblia. Os pastores, de forma esperta, só mostram as passagens que lhes convêm, desprezando outras que as anulam. Como os fiéis, regra geral, não estudam a Bíblia, acabam aceitando as afirmações dos pastores. E esse é o caso da cristã Elizabeth. Se a cristã Elizabeth abrir a Bíblia, no livro de Êxodo, capítulo 20, versículo 5, verá o seguinte:


                 “(...) Eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem.”

                
                 Pois bem! A cristã Elizabeth verá que a passagem bíblica de Êxodo 20:5 está em contradição com a passagem de Deuteronômio 24:16. Em Êxodo, na narrativa lendária, o próprio Deus está afirmando que punirá os filhos por causa das ações praticadas por seus pais. Já em Deuteronômio, está escrito que os filhos não serão punidos por causa das ações praticadas por seus pais. Portanto, mais uma contradição bíblica clara, cristalina e incontestável. E o que está em Êxodo, capítulo 20, é mais forte daquilo que está em Deuteronômio porque são os 10 mandamentos. E por que essa contradição tão forte e cristalina? Essa contradição está aí porque cada livro da Bíblia foi escrito por pessoas diferentes, com pontos de vista obviamente diferentes. Quem escreveu o livro de Deuteronômio não foi uma pessoa chamada Moisés. E também quem escreveu o livro de Êxodo não foi uma pessoa de nome Moisés. Quem escreveu o que está em Deuteronômio achava injusto os filhos serem punidos por causa das ações de seus pais. E quem escreveu o que está em Êxodo achava justo os filhos serem punidos por causa das ações de seus pais. Daí, a existência dessa contradição. E, se a cristã Elizabeth abrir o livro de Isaías, capítulo 14, versículo 21, terá mais uma surpresa desagradável:


                  “Preparai a matança para os filhos, por causa da maldade de seus pais...”



                  Desejamos ardentemente que a cristã Elizabeth Cláudia Rocha abra os olhos porque alguém a está levando ao erro.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

O CRISTÃO LAUDENIR E O NASCIMENTO DE JESUS




Eustáquio



                       Caro Laudenir Almeida Souza,


                 Ontem, quinta-feira, dia 2 de maio do fluente ano (2019), em meu vídeo “Mentiras da Bíblia (1º vídeo)”, você postou o seguinte comentário:



                “aonde e que lucas fala que jesus nasceu em nazare //va ler a biblia direito.lucas esta disendo que jose sim era de nazare e ele foi para judeia cidade de davi chamada belem,alista-se co maria que estava gravida. vc v6 e deu a luz em belem.leia direito seu herege.Que vc tenha tempo de se arrepender.”



                 Sinceramente, Laudenir, gostei do seu comentário porque está lotado de erros e será uma tarefa fácil mostrá-los. Quase com certeza, você é evangélico, razão por que está aprendendo tudo da forma errada. Apoiando-se no evangelho de Lucas, você, Laudenir, afirma que o casal José e Maria estava em Nazaré, na Galileia. Num belo dia, houve o recenseamento que ocorreu em Belém, na Judeia. Já que José era de Belém, então ele teria que sair de Nazaré para se alistar em Belém. José pegou Maria que estava grávida e os dois chegaram a Belém. E ali Jesus nasceu.
                Muito bem, Laudenir! Você narrou a lenda sobre o nascimento de Jesus que está no evangelho de Lucas. Só que a lenda sobre o nascimento de Jesus que está no evangelho de Mateus é completamente diferente da de Lucas. E são diferentes porque não se trata de fatos reais, históricos, mas de lendas. Na lenda de Mateus, Maria e José aparecem morando em Belém, na Judeia, em uma casa. Quando Jesus nasce, José e Maria o levam para o Egito. Com a morte de Herodes, José e Maria retornam para a Judéia, mas mudam de rumo porque o filho de Herodes, Arquelau, está no lugar do pai. E, no finalzinho da lenda, José e Maria resolvem ir morar numa cidade chamada Nazaré. São muitos os erros e contradições nas duas lendas. Logo de cara, você, Laudenir, já percebe que, no relato de Lucas, José e Maria saem de Nazaré para Belém. Ou seja, o casal estava em Nazaré, morava lá. Na lenda de Mateus, o casal não conhecia a cidade de Nazaré. Só no final é que vai morar lá. Percebeu, Laudenir, como alguém está enganando você?
                 Como os erros e as contradições são muitos entre as duas lendas, vou me ater apenas a um detalhe que você narrou em seu comentário. Você, Laudenir, diz que José saiu de Nazaré com Maria grávida porque era obrigado a se alistar no recenseamento em Belém, na Judeia, distante quase 150 km de Nazaré, porque ele era descendente do rei Davi que também nasceu em Belém. Veja, Laudenir, o que está escrito no evangelho de Lucas, capítulo 2, versículos 1 a 5:


              “ Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se.

                     2 Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria.

                        3 Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.

                   4 José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, para a Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e da família de Davi.
                     5 a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.”


               
                              UM RECENSEAMENTO PARA TODA A POPULAÇÃO DO IMPÉRIO



                Como já afirmei no início deste artigo, a lenda de Lucas está repleta de erros, e isso é do conhecimento dos estudiosos sérios da Bíblia. Hoje é consenso entre eles que o Jesus do Novo Testamento (e não o Jesus histórico) nasceu realmente em Nazaré, na Galileia. O autor do evangelho de Mateus e o autor do evangelho de Lucas colocam Jesus nascendo em Belém, na Judeia, por razões alheias à história. Logo de início, nunca houve durante o reinado de César Augusto um recenseamento, convocando toda a população do império. Isso não é história, caro cristão Laudenir.


                                 JOSÉ VAI A BELÉM PARA RECENSEAR-SE



                   Outra ingenuidade da lenda. Está dito que José, morando em Nazaré, na Galileia, foi obrigado a sair de lá, com destino a Belém, na Judeia, por causa do recenseamento. Está dito que todos eram obrigados a fazer o alistamento no lugar onde nasceram. Eis outro erro de natureza histórica, caro cristão Laudenir. Naquela época, há 2 mil anos na Palestina, como em Jerusalém hoje e assim também aqui, no Brasil, ninguém era obrigado e é a fazer o alistamento relativo ao censo no lugar de nascimento. Isso é uma maluquice da lenda de Lucas. Eu, Eustáquio, nasci em Sobral, no interior do Ceará. Com 19 anos de idade fui morar em Fortaleza. Participei de recenseamentos em Fortaleza e fiz lá mesmo, sem ser obrigado a ir a Sobral para isso. Em 1984, vim morar em Brasília. Estou aqui há 35 anos. Participei também de recenseamentos aqui, sem ser obrigado a ir a Sobral para me alistar. Entendeu, caro cristão Laudenir?

                       
                                JOSÉ ERA DA CASA E DA FAMÍLIA DE DAVI



                    Eis outra ingenuidade da lenda de Lucas! Está dito que José foi obrigado a deixar Nazaré, na Galileia, para se alistar no recenseamento em Belém porque Davi, que era seu ascendente, nasceu nessa cidade também. Isso é muita maluquice, caro cristão Laudenir! Ora, Davi já havia morrido há quase mil anos, a quase 10 séculos. Imagine, o pobre José ser obrigado a se alistar na mesma cidade natal de um ancestral seu que morreu há quase mil anos. É ou não é uma loucura? Imagine eu, Eustáquio, morando em Brasília, ser obrigado a me alistar na cidade onde morou um ancestral meu há mil anos! É ou não é muita maluquice? Imagine que esse ancestral meu tenha nascido em Manaus, terra do Kennedy Litaiff que possui, no You Tube, o canal “O Mago do Realismo”. Então, eu seria obrigado a ir a Manaus para me alistar. Percebeu a maluquice, caro cristão Laudenir.


                                 MARIA GRÁVIDA NO LOMBO DE UM JUMENTO



              Na lenda de Lucas, a pobre Maria estava grávida há quase 9 meses. Quase parindo. Imagine essa pobre mulher subindo no lombo de um jumento para percorrer quase 150 km, que é a distância de Nazaré a Belém. Colocar uma mulher grávida, quase parindo, no lombo de um jumento para percorrer 150 km de distância pode até hoje esse ato ser chamado de crime de feminicídio porque é muito sofrimento para a pobre fêmea. Quando Maria, coitada, pusesse a primeira perna no lombo do animal, teria parido ali mesmo. Veja, cristão Laudenir, como o relato é muito bobo, ingênuo!
              E há outros problemas que são do conhecimento de quem estuda com seriedade a Bíblia. Na verdade, o Jesus do Novo Testamento nasceu em Nazaré, na Galileia. Mateus e Lucas erraram muito quando tentaram passar a mensagem de que Jesus nasceu em Belém, na Judeia. E, no final de seu comentário, você, Laudenir, escreve em relação a mim:


               “leia direito seu herege.Que vc tenha tempo de se arrepender.”


              Você me aconselha a ler direito a Bíblia antes que seja tarde demais. Esse conselho, obviamente, não é para mim, mas para você mesmo! Leia e estude a Bíblia, caro Laudenir, do contrário vão limpar sua conta bancária mais cedo do que você possa imaginar.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

O EX-PASTOR RONIN E A CRIATIVIDADE DO HOMEM RELIGIOSO




Eustáquio


                  Prezado Ronin,
                        
                  Há dois dias, você postou em minha página mais um comentário. Entre outras coisas, escreve:



                           
                       “Olha Eustáquio, vc no seu último texto falou de Lázaro. Quando eu tinha 19 anos eu entrei no túmulo desse cara. Segundo a tradição existe um túmulo que foi desse tal de Lázaro. Pro cara entrar nele, tem que se acocorar. Você entra e desce umas escadas bem estreitas pra chegar lá. Lembra que te mostrei a história de Jabes? Pois é, não houve nada extraordinário nessa história. Hoje em dia muta gente alega que pediu aos deuses algo e receberam. Não tem como comprovar que foram os deuses, mas essas pessoas de fato alcançaram o que queriam.”



                 Antes de qualquer coisa, daqui, de Brasília, torço para que você consiga restabelecer sua saúde. Essa parte de seu comentário pode ser dividida em 2. A primeira parte:


                 “Olha Eustáquio, vc no seu último texto falou de Lázaro. Quando eu tinha 19 anos eu entrei no túmulo desse cara. Segundo a tradição existe um túmulo que foi desse tal de Lázaro. Pro cara entrar nele, tem que se acocorar. Você entra e desce umas escadas bem estreitas pra chegar lá.”


                       Em um texto meu recente, fiz citação à lenda da ressurreição de Lázaro que se encontra apenas no evangelho de João. E agora você diz que, aos 19 anos de idade, entrou no túmulo que, por tradição, é considerado o de Lázaro. Ainda bem que você fez uso da expressão “por tradição”. Essa nomenclatura explica até onde vai o poder de criatividade das pessoas que ingressam numa religião qualquer. Na verdade, você não entrou no túmulo de Lázaro, e Lázaro evidentemente não ressuscitou após 4 dias em estado de decomposição. A lenda acerca da ressurreição de mortos não foi uma invenção dos cristãos primitivos. Ela já aparece nas escrituras hebraicas que hoje são chamadas de Velho Testamento, que não é velho para os judeus. Quando os primeiros cristãos apareceram, tiveram apenas o pequeno trabalho de copiar essa fantasia. Em sua ignorância, os cristãos primitivos não deram ouvidos ao que diziam na época os judeus saduceus:


                  “Pois os saduceus declaram não haver ressurreição, nem anjo, nem espírito...”  Atos dos Apóstolos 23:8


                        Como se vê, mesmo naquela época na Palestina, marcada pelo analfabetismo e pobreza extrema, ainda apareciam pessoas que pregavam contra muita ignorância da época, e os saduceus são um exemplo. Analiso, agora, a segunda parte de seu comentário, Ronin:



                  “Hoje em dia muta gente alega que pediu aos deuses algo e receberam. Não tem como comprovar que foram os deuses, mas essas pessoas de fato alcançaram o que queriam.”



                   Ronin, Sigmund Freud (1856 – 1939), judeu e ateu, em seu livro “O futuro de uma ilusão”, 2010, L&PM POCKET, na página 110, sobre a religião, escreve:


                “Ela contém um sistema de ilusões de desejo com recusa da realidade como apenas encontramos isolado na amência, uma confusão alucinatória radiante.”


                Essa verdade freudiana é comprovada pelo que você informa em seu comentário. Você diz que muitas pessoas pedem algo aos deuses e são atendidas. E afirma que não há como comprovar que foram os deuses, mas os resultados aparecem. Sim, caro Ronin, o que você diz é o triste quadro que se pinta. Essas pessoas que afirmam que foram atendidas por seu deus ou deuses estão mergulhadas na crença religiosa, razão pela qual recusam ver a realidade. É fácil ver que deus algum está por trás da realização, ou não, dos desejos humanos. Quando uma pessoa religiosa afirma, por exemplo, que ficou curada por obra de Deus, ela está em delírio. Deus algum existe, deus algum cura alguém ou torna alguém doente. É muito fácil verificar que as “entidades curadoras” mudam radicalmente de acordo com os mais variados tipos de crença. Qual é, Ronin, a probabilidade de um cristão evangélico afirmar que Santo Antônio o curou de uma doença grave? A probabilidade é zero porque Santo Antônio não pertence à ilusão religiosa evangélica. Qual é a probabilidade de um cristão alegar que ficou curado graças à intervenção do deus Alá? A probabilidade também é zero porque o deus Alá não é parte integrante da ilusão religiosa cristã. Cada pessoa religiosa, em sua imaginação, trabalha com as entidades “próprias”. Quando um cristão católico afirma que foi curado por obra de São Francisco de Assis, essa entidade imaginária foi citada porque a Igreja Católica colocou na cabeça do fiel aquele “santo”. Já outro cristão católico devoto de Nossa Senhora de Fátima a invoca como sua curadora pelo mesmo processo. Na verdade, deuses e santos não existem e não curam.
                  E outro aspecto: assim como as pessoas crentes, ateus também são curados, mas não invocam deuses e santos. São curados porque, em muitas situações, o corpo reage às infecções. Não existem deuses e santos que curam determinadas pessoas e deixam de curar outras. Deus algum, por exemplo, cura de câncer um cristão adulto milionário e não cura da mesma doença muitas criancinhas inocentes que morrem em hospitais infantis no Brasil.
                  Um abraço!
                     

quarta-feira, 1 de maio de 2019

NORMAN GEISLER E O RECADO DE JESUS AOS DISCÍPULOS




Eustáquio



                        O norte-americano Bart D. Ehrman (teólogo, historiador, escritor, graduado em grego e hebraico, professor de cristianismo, ex-pastor evangélico), em seu livro “Quem Jesus foi? Quem Jesus não foi?”, 2010, editora Ediouro, na página 24, escreve:



                        “No Novo Testamento, o autor de Mateus não está dizendo a mesma coisa que Lucas. Marcos é diferente de João.”



                        De fato, os 4 evangelhos que estão no Novo Testamento estão repletos de contradições, discrepâncias e erros. Neste artigo, vamos mostrar mais uma contradição. Façamos duas perguntas:


                       Sobre a lenda da ressurreição de Jesus, após sua ressurreição, o recado dado aos discípulos era para que eles fossem à Galileia, onde Jesus lhes apareceu pela primeira vez? Ou o recado era para que os discípulos permanecessem em Jerusalém, onde Jesus lhes apareceu pela primeira vez?


                         Você, leitor amigo, viu a afirmação do Bart Ehrman, esclarecendo que o autor de Mateus não diz a mesma coisa que está em Lucas, não diz a mesma coisa que está em Marcos e não diz a mesma coisa que está em João e vice-versa. Isso ocorre, entre outras coisas, porque não estamos tratando de fatos históricos, reais, realmente ocorridos. As respostas às duas perguntas formuladas acima são diferentes e contrárias nos evangelhos de Mateus e Lucas. Vejamos, inicialmente, o evangelho de Mateus. No capítulo 28, versículos 1, 7, 9, 10, 16 e 17, está escrito:



                     “No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
                      7 Ide, pois, depressa e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. É como vos digo.
                      9 E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram.
                     10 Então, Jesus lhes disse: Não temais! Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à Galiléia e lá me verão.
                      16 Seguiram os onze discípulos para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes designara.
                      17 E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.”




                     Como você, caro leitor, vê acima, o autor de Mateus diz que duas mulheres foram ao sepulcro de Jesus. Quando Maria Madalena e a outra Maria chegaram lá, Jesus já havia ressuscitado. Só que elas não viram ainda Jesus. Apareceu um anjinho, dizendo às duas mulheres que Jesus havia ressuscitado. E esse mesmo anjinho disse também às duas mulheres que elas fossem comunicar o fato aos onze discípulos de Jesus, orientando-os a irem para a Galileia, para um determinado monte, porque lá eles iriam ver o Jesus ressuscitado. As duas mulheres, então, saíram da presença do anjinho. Logo depois, o próprio Jesus ressuscitado apareceu pela primeira vez diante delas. E o próprio Jesus repete o recado do anjinho. Jesus pede que as duas mulheres comuniquem sua ressurreição aos onze discípulos, determinando que eles vão para a Galileia, para o monte, e lá verão pela primeira vez o Jesus ressuscitado. De posse dessa informação, os onze discípulos deixaram Jerusalém e foram para a Galileia e lá pela primeira vez viram Jesus ressuscitado. Resumindo: Mateus diz que os onze discípulos deixaram Jerusalém, indo até a Galileia e lá, no monte, pela primeira vez, viram Jesus ressuscitado.
                       Já o autor do evangelho de Lucas diz coisa completamente diferente e contraditória. No capítulo 24, versículos 33, 34, 36, 37, está escrito:


                     

                       “33 E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze e outros com eles.
                            34 os quais diziam: O Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão.
                            36 Falavam ainda estas cousas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco!
                           37 Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um espírito.”



                           Você, caro leitor, viu que, no evangelho de Mateus, os onze discípulos receberam a ordem para irem à Galileia porque lá, num monte, iriam ver pela primeira vez o Jesus ressuscitado. E Mateus diz que isso aconteceu. Já, no evangelho de Lucas, os onze discípulos foram orientados a não saírem de Jerusalém, a não irem para a Galileia. Eles ficaram em Jerusalém e nessa cidade pela primeira vez eles viram e conversaram com o Jesus ressuscitado. Nos versículos de Lucas, Jesus já ressuscitado aparece primeiramente a 2 discípulos que estavam no caminho da aldeia chamada de Emaús, que ficava perto de Jerusalém. Após esse encontro com Jesus ressuscitado, no meio do caminho, os 2 discípulos retornaram a Jerusalém, encontrando-se com os onze discípulos que estavam reunidos em Jerusalém. Quando eles estavam conversando, eis que Jesus ressuscitado aparece diante deles e alguns dos onze discípulos ficaram com muito medo diante do que estavam vendo. Resumindo: em Lucas, Jesus ressuscitado aparece pela primeira vez aos onze discípulos em Jerusalém, numa casa. Já em Mateus, Jesus ressuscitado aparece pela primeira vez aos onze discípulos na Galileia, em um monte. Percebeu, caro leitor, as diferenças, as contradições? E a ordem do Jesus ressuscitado, em Lucas, no sentido de que os discípulos permanecessem em Jerusalém, é reforçada no livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 1, versículo 4:



                “E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém...”



                  No início deste artigo, citamos um doutor em teologia sério: Bart Ehrman. Vejamos agora um doutor em teologia não sério. Não sério porque o objetivo dele é afirmar aos fiéis cristãos que a Bíblia é a palavra de Deus, por isso não contém contradições, discrepâncias, erros etc., o que é um verdadeiro absurdo. Diante das contradições e erros bíblicos que são incontestáveis, Norman Geisler deturpa os textos e, ao agir assim, cria verdadeiros monstros, levando leitores sérios ao riso, e leitores ingênuos ao erro. Veja, caro leitor, qual é a explicação do teólogo cristão fundamentalista Norman Geisler, que faz sucesso no mundo evangélico, para resolver essa contradição bíblica. Aconselho você, leitor, a pegar um lenço para enxugar suas lágrimas já que vai rir muito. Em seu livro “Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e ‘contradições” da Bíblia”, 1999, 4ª edição, editora Mundo Cristão, na página 408, Geisler escreve:


                     “SOLUÇÃO: Primeiro, tudo indica que a ordem de permanecerem em Jerusalém foi dada depois de eles terem ido à Galileia. Assim, não há nenhum conflito. Além disso, a ordem de Jesus tinha o propósito de fazer de Jerusalém o seu ‘quartel-general’. Isso não os impedia de fazerem curtas viagens para qualquer outro lugar. Jerusalém era onde eles deveriam estar para receber o Espírito Santo (LC 24:49) e de onde deveriam começar a sua obra.”


                       Com certeza, você, leitor, está rindo com a explicação do Norman Geisler, não é mesmo? A segunda parte da explicação dele começa com a expressão “Além disso...”. Essa parte nada tem a ver com a questão em discussão. Vamos então à primeira parte:


                “Primeiro, tudo indica que a ordem de permanecerem em Jerusalém foi dada depois de eles terem ido à Galileia. Assim, não há nenhum conflito”


                   É inacreditável que Norman Geisler tenha tido a coragem de escrever o que escreveu. Ele está afirmando que, quando os onze discípulos de Jesus receberam a ordem para ficar em Jerusalém, eles já haviam chegado da Galileia. Isso aqui é a maior piada norte-americana. Como vimos acima, em Mateus, o próprio Jesus pede que as 2 mulheres anunciem sua ressurreição aos onze discípulos e que eles devem ir a Galileia, a um monte, porque ali Jesus ressuscitado aparecerá para eles. E esse encontro está registrado em Mateus. Assim, em Mateus, Jesus apareceu aos onze discípulos na Galileia. Já em Lucas, Jesus apareceu para os onze discípulos em uma casa, em Jerusalém. Em Mateus, os onze discípulos saíram de Jerusalém e foram a Galileia para se encontrarem com Jesus. Em Lucas, os onze discípulos estavam em Jerusalém e permaneceram lá e, ali mesmo, Jesus apareceu diante deles. O problema do Norman Geisler é que ele tenta forçosamente negar a contradição. E o erro dele é tentar juntar os evangelhos de Mateus e Lucas, como se eles afirmassem a mesma coisa, como se eles se completassem. Quando o autor de Mateus escreveu seus relatos, jamais pensava que algum dia alguém iria colocá-lo num livro chamado Bíblia e diria que se tratava de um livro inspirado por Deus. Da mesma forma, o autor de Lucas. O autor de Mateus não devia obediência cega aos escritos do autor de Lucas, e vice-versa. Daí as diferenças, as contradições e erros. Por isso mesmo, um estudioso sério da Bíblia não pode juntar os evangelhos como se eles fossem complementos. Se alguém tentar fazer essa aventura, criará monstros terríveis, e foi o que o Norman Geisler fez novamente.