KENNEDY LITAIFF
Existem na história da humanidade episódios bizarros, e um desses é, sem dúvida alguma, o tempo gasto pelo teólogo Norman Geisler e seu parceiro escriba, para desenvolverem um manual na tentativa de explicar racionalmente, o que é deveras inexplicável. Uma infrutífera batalha (a não ser pela turba de milhões de desavisados), capciosa de artimanhas, se enveredando por ensaios teatrais digno de um cafajeste a impetrar gracejos obscenos diante de uma conquista. Toda essa história busca a manutenção de uma ideia má, a perpetuação de um engodo a fisgar milhões de incautos.
Para a racionalidade é lastimável a energia e o tempo desperdiçados, mas para a religião é um auto da compadecida explicando suas incoerências, referendando seus dogmas e dissipando suas contradições. O crente, um supersticioso por natureza, toma esse livro e o faz dele seu travesseiro, uma firme barreira de corais “quebrando” as ondas da lógica e da ciência. Um quebra-mar irracional dando uma pretensa veracidade interpretativa a textos infundados de legitimidade e mergulhados na ignorância e conceitos da época na qual foram escritos. Trazê-los como verdades absolutas para o nosso tempo, é prevaricar uma literatura arcaica em prol de interesses privados. É um jogo de palavras distorcendo a verdade e manipulando, inescrupulosamente, alienados e pessoas, simplórias, de boa fé.
Uma analogia ao avesso se faz necessária, diante de tamanha hipocrisia revertida em um manual para tirar dúvidas, às quais, são desmoronadas, bastando um mero olhar crítico sobre o livro dos hebreus. Lionel Messi, o gênio inigualável do esporte bretão, diante das dificuldades impostas pelos adversários dentro de campo, cria soluções impensáveis, escrevendo com os pés saídas" mágicas" e deslumbrantes aos nossos olhos. Talha a jogada em tempo exíguo, fazendo o difícil se tornar fácil e desenhando verdadeiras obras-primas diante de olhares incrédulos. O tempo gasto pelo genial jogador, para criar soluções diante de muros intransponíveis, é inversamente proporcional ao tempo usado por Norman Geisler e seu parceiro, para criar interpretações (equivocadas, por sinal) de episódios escritos por pessoas comuns, dando asas às suas imaginações. O complicado se torna simples e é inquestionável a inteligência fora do comum aplicada pelo emblemático jogador, enquanto o apologista cristão faz das tripas coração, demorando décadas para solucionar trechos bíblicos, os quais não necessitam de explicações, pois falam por si só, visto a conjectura política, a cultura da época e a predominância impositiva da religião. Resolver problemas reais, mesmo que dificílimos, requer soluções inteligentes e racionais, ao contrário de trilhar meandros de um labirinto dantesco na vã tentativa de transparecer verdadeira uma literatura rica em detalhes e pobre em razão, abundante em superstições e carente de realidade.
A manipulação arbitrária desses episódios, incentiva, sorrateiramente, o ato maquiavélico e nefasto da perpetuação, contraproducente, da ignorância de conhecimento, sepultando sobre lápides pesadas, a dúvida e o questionamento. Uma propositura manchada de suor, sangue e lágrimas de inocentes perseguidos, queimados, guilhotinados e violentados, tanto fisicamente, quanto mentalmente. Uma masmorra tirando dessa vida, umas das coisas mais importante dela: a liberdade de expressão.
Messi, o “Extraterrestre”, desmorona obstáculos com genialidade, frieza e inteligência incomum, em tão pouco espaço de tempo, enquanto o teólogo fundamentalista cristão, demora décadas para criar uma teia gigantesca, envolvida em laços irracionais, perfazendo uma arapuca com tentáculos a fazer inveja a um polvo. Uma diferença abissal do uso do engenho humano e do tempo gasto para solucionar problemas, uns críveis e outros falaciosos. Linhas paralelas flertando com a racionalidade, sendo uma corriqueira e a outra uma força proposital engendrada em largo tempo, desmerecendo a compreensão e a inteligência humana.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
MONOTEÍSMO 3 (RICHARD HOFFMAN)
Richard Hoffman
A EVOLUÇÃO NATURAL PELA SELEÇÃO DAS ESPÉCIES (KENNEDY LITAIFF)
MONOTEÍSMO 1 (RICHARD HOFFMAN)
RICHARD HOFFMAN
Uma Breve História de Egoísmo O monoteísmo, ao contrário do que muita gente pensa, não é uma ideia dos hebreus antigos. De acordo com a arqueologia ela surgiu bem antes do início da escrita, e mesmo da tradição oral religiosa hebraica, perto de 1350 A.E.C., no Egito. Se trata da crença segundo qual há um deus supremo e eterno que criou tudo. O monoteísmo consiste na idéia de que esse deus -- ele mesmo não tendo sido criado -- surgiu quando o faraó Akhenaton (morto em 1336 A.E.C.) determinou que o Egito deveria adorar apenas o disco solar em vez de crer em uma variedade de deuses. Atualmente existem duas formas de monoteísmo: o TEÍSMO, que vê o Deus uno e supremo como uma entidade pessoal e preocupada que interage com suas criaturas, e o DEÍSMO, que vê Deus como um ser impessoal e indiferente. A maior parte dos monoteístas é teísta, especialmente aqueles pertencentes às religiões abraâmicas: judaísmo, cristianismo e islamismo. De acordo com essas tradições a primeira religião do mundo foi uma espécie de monoteísmo, mas posteriormente ela foi "pervertida", fragmentando a personalidade e os poderes de Deus em muitas deidades distintas, dessa forma dando origem ao politeísmo; a crença de que existem muitos deuses. No início os monoteístas não se opunham à crença de que outros deuses existiam. Hoje o monoteísmo teísta se divide entre "uma personalidade, uma substância" (judaísmo e islamismo) ou "três personalidades, uma substância" -- Pai, Filho e Espírito Santo -- (cristianismo). A dezenas de séculos elas travam batalhas sanguinolentas pelo domínio e controle da humanidade, carregando consigo crianças e inocentes a mortes insanas e bárbaras de "proporções bíblicas", justificadas por leis do seu respectivo Deus. HENOTEÍSMO = Forma de crença religiosa em que se cultua uma única divindade, considerada suprema, mas sem negar a existência de outros deuses e/ou divindades. Cristãos, por exemplo, acreditam que existem uma grande variedade de anjos, santos e demônios que, porém, são sempre inferiores a Santíssima Trindade. POLITEÍSMO = Sistema de crença religiosa que admite mais de um deus. No crivo bíblico consiste na crença e subsequente adoração a mais do que uma divindade do gênero masculino, feminino ou indefinido, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente. É claro que houve religiões e crenças muito mais antigas do que as três monoteístas que eu vou tratar aqui, como o xamanismo, por exemplo. Mas estas não nos interessam nesse respectivo texto. Lembrando que, o xamanismo é o costume de crença religiosa mais antigo da humanidade, e, "acredite"; é praticado até hoje. Mas não é exatamente uma religião caracterizada por regras impossíveis, fé cega, doutrinas insanas e mandamentos absurdos ditados e revelados de seus deuses, na base de ameaças e/ou chantagens emocionais. A Ciência ainda não descobriu em qual região especificamente o xamanismo começou, mas sabe-se que surgiu a uns 40 mil anos atrás, nas regiões árticas e asiáticas, principalmente na Sibéria. A pajelança dos nativos (índios) do Brasil, por exemplo, sempre foi, do ponto de vista dos invasores europeus, considerada um ritual de magia xamânico (o pajé, o líder, seria um xamã). A religião organizada, com características definidas mais antiga, surgiu na Mesopotâmia, a uns 7 mil anos atrás. E, assim como a religião dos egípcios, dos gregos e dos romanos, a dos mesopotâmicos se extinguiu a muito tempo. Porém... nem tanto; judaísmo, cristianismo e islamismo são, na verdade, plágio escancarado das crenças, rituais e personagens das estórias e lendas dos mesopotâmicos e dos egípcios, entre outras culturas tão antigas quanto. É só estudar um pouco para descobrir. Só um "cego" não vê isso. Final do capítulo 1
Uma Breve História de Egoísmo O monoteísmo, ao contrário do que muita gente pensa, não é uma ideia dos hebreus antigos. De acordo com a arqueologia ela surgiu bem antes do início da escrita, e mesmo da tradição oral religiosa hebraica, perto de 1350 A.E.C., no Egito. Se trata da crença segundo qual há um deus supremo e eterno que criou tudo. O monoteísmo consiste na idéia de que esse deus -- ele mesmo não tendo sido criado -- surgiu quando o faraó Akhenaton (morto em 1336 A.E.C.) determinou que o Egito deveria adorar apenas o disco solar em vez de crer em uma variedade de deuses. Atualmente existem duas formas de monoteísmo: o TEÍSMO, que vê o Deus uno e supremo como uma entidade pessoal e preocupada que interage com suas criaturas, e o DEÍSMO, que vê Deus como um ser impessoal e indiferente. A maior parte dos monoteístas é teísta, especialmente aqueles pertencentes às religiões abraâmicas: judaísmo, cristianismo e islamismo. De acordo com essas tradições a primeira religião do mundo foi uma espécie de monoteísmo, mas posteriormente ela foi "pervertida", fragmentando a personalidade e os poderes de Deus em muitas deidades distintas, dessa forma dando origem ao politeísmo; a crença de que existem muitos deuses. No início os monoteístas não se opunham à crença de que outros deuses existiam. Hoje o monoteísmo teísta se divide entre "uma personalidade, uma substância" (judaísmo e islamismo) ou "três personalidades, uma substância" -- Pai, Filho e Espírito Santo -- (cristianismo). A dezenas de séculos elas travam batalhas sanguinolentas pelo domínio e controle da humanidade, carregando consigo crianças e inocentes a mortes insanas e bárbaras de "proporções bíblicas", justificadas por leis do seu respectivo Deus. HENOTEÍSMO = Forma de crença religiosa em que se cultua uma única divindade, considerada suprema, mas sem negar a existência de outros deuses e/ou divindades. Cristãos, por exemplo, acreditam que existem uma grande variedade de anjos, santos e demônios que, porém, são sempre inferiores a Santíssima Trindade. POLITEÍSMO = Sistema de crença religiosa que admite mais de um deus. No crivo bíblico consiste na crença e subsequente adoração a mais do que uma divindade do gênero masculino, feminino ou indefinido, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente. É claro que houve religiões e crenças muito mais antigas do que as três monoteístas que eu vou tratar aqui, como o xamanismo, por exemplo. Mas estas não nos interessam nesse respectivo texto. Lembrando que, o xamanismo é o costume de crença religiosa mais antigo da humanidade, e, "acredite"; é praticado até hoje. Mas não é exatamente uma religião caracterizada por regras impossíveis, fé cega, doutrinas insanas e mandamentos absurdos ditados e revelados de seus deuses, na base de ameaças e/ou chantagens emocionais. A Ciência ainda não descobriu em qual região especificamente o xamanismo começou, mas sabe-se que surgiu a uns 40 mil anos atrás, nas regiões árticas e asiáticas, principalmente na Sibéria. A pajelança dos nativos (índios) do Brasil, por exemplo, sempre foi, do ponto de vista dos invasores europeus, considerada um ritual de magia xamânico (o pajé, o líder, seria um xamã). A religião organizada, com características definidas mais antiga, surgiu na Mesopotâmia, a uns 7 mil anos atrás. E, assim como a religião dos egípcios, dos gregos e dos romanos, a dos mesopotâmicos se extinguiu a muito tempo. Porém... nem tanto; judaísmo, cristianismo e islamismo são, na verdade, plágio escancarado das crenças, rituais e personagens das estórias e lendas dos mesopotâmicos e dos egípcios, entre outras culturas tão antigas quanto. É só estudar um pouco para descobrir. Só um "cego" não vê isso. Final do capítulo 1
MONOTEÍSMO 2 (RICHARD HOFFMAN)
RICHARD HOFFMAN
Uma Breve História de Egoísmo
Os patriarcas de Moisés foram politeístas? Vamos investigar os textos:
O nascimento de Israel como uma nação foi devido a Moisés, e a sua profissão religiosa definida também se deveu a ele (a profissão de fé monoteísta). Esta profissão foi expressa na frase: "O Senhor é o Deus de Israel". Essa expressão, ou seja, YHWH Elohim de Israel, não quer dizer que o único Deus escolheu Israel, mas que Israel tinha escolhido o YHWH como seu Deus, para distinguir deuses de outras nações.
O politeísmo entre os hebreus fica claro em vários textos bíblicos.
Vejamos em Josué 24:2 que diz o seguinte: "Então, Josué disse a todo o povo: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Antigamente, vossos pais, Tera, pai de Abraão e de Naor, habitaram dalém do Eufrates e serviram a outros deuses". Isso afirma categoricamente que o pai de Abraão, Abraão e Naor foram politeístas.
Ainda em Josué 24:2 se lê que os antepassados de Israel, como Tera, Abraão e Naor haviam morado no outro lado do rio, onde haviam servido a outros deuses. Parece que Tera, tendo seu filho Abraão, sua nora Sarai e seu neto Ló, sairam de Ur dos Caldeus para ir a Canaã. Entretanto nunca chegaram lá. Chegaram a Harã, e permaneceram na cidade até a morte de de Tera (Gn 11:31-32).
Em Gen 11:32 diz: "E havendo Tera vivido duzentos e cinco anos ao todo, morreu em Harã". Então o pai de Abraão morreu sendo um politeísta. Abraão, no máximo que se possa dizer, é que ele era um henoteísta (a concepção que existem vários deuses, porém um único é o soberano.
Em Êxodo 6:3, no entanto, há informação de que o tetragrama YHWH até então, não era conhecido pelos Patriarcas, mas apenas o título de El-Shadai (Deus Todo Poderoso) que foi apresentado a Abraão. Parece que YHWH se fez conhecido a Moisés, uma vez que a abreviação do YHWH estava incorporada ao nome de sua mãe e também ao nome de Josué.
Êx 6:3, Deus falando a Moisés: "Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como Deus Todo Poderoso, mas pelo meu nome O Senhor (Adonai) não lhes fui conhecido".
E Moisés? Ele era politeísta? Vejamos:
Na trajetória de Moisés se vê de forma clara a continuidade do politeísmo, conforme Êxodo 32: "Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão e lhe disse: "Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós, pois, quanto a este Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe terá acontecido". Então fica claro que a prática do politeísmo era comum. Mal o Profeta dá uma saidinha e o "povo escolhido" já estava criando novos deuses(!).
Outra questão é que o Faraó não tinha o conhecimento do tetragrama YHWH, pois se esse fosse o verdadeiro Deus do povo hebreu, como é que ele não teve conhecimento do mesmo (conforme Êx 5:2) uma vez que os hebreus por lá estiveram por mais de 400 anos?
Moisés nunca apresentou seu Deus (Elohim) como o único, mas apenas como o chefe dos deuses, poi é o que se vê em Êx 15:11 e 18:11.
A palavra usual para "Deus" na bíblia hebraica é Elohim, uma formação plural de eloah, sendo esta última uma forma expandida do substantivo comum semita "IL"(Eloah).
Vejamos então Êxodo 15:11 "Ó Senhor, quem é como tú entre os deuses (Elohim)? Quem é como tú, glorificado em santidade, terrível em efeitos gloriosos, que operas maravilhas?"
Em Êx 18:11 Jetro, sogro de Moisés diz "Agora sei que o Senhor (YHWH Adonai) é maior que todos os deuses... ".
Então, antes disso estava tudo igual?!
Moisés continuava sim sendo politeísta-henoteísta.
Moisés nasceu no Egito, ganhou um nome egípcio e viveu numa corte egípcia que era politeísta/henoteísta. Somente muito tempo depois, em Êx 18:11, que Moisés fica sabendo que YHWH Adonai é maior que todos os deuses. Moisés diz que YHWH é maior, não o único, nem o soberano. Uma entidade maior não é necessariamente o soberano ou líder de outras entidades.
O termo Elohim ocorre em torno de 2570 vezes na Bíblia hebraica, com uma variedade de significados.
Em expressões como "todos os deuses do Egito" (Êx 12:12), refere-se a uma pluralidade de divinidades -- sem que haja uma clara distinção entre esses deuses e sua imagem. Vejamos em Êx 12:12 Javé diz "Por que naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos OS DEUSES do Egito... , eu sou o Senhor (YHWH, Javé)". Se os deuses são irreais, pra quê lutar contra eles? Eles, os deuses, existem afinal, certo? De acordo com a Bíblia, sim.
Moisés induziu Israel a aceitar o tetragrama YHWH (Javé)como seu deus nacional, que iria apoiá-los através de todas as dificuldades, desde que eles ficassem ao lado dele. Isto está em Deuteronômio 31:16; vejamos: "Disse o Senhor a Moisés: Eis que estás para dormir com teus pais; e este povo se levantará, e se prostituirá, indo após deuses estranhos na terra para cujo meio vai, e me deixará, e anulará a aliança que fiz com ele". Hilário essas narrativas.
O povo peregrina a 40 anos no deserto e não aprende nada?
Final do capítulo 2
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
EM BUSCA DO JESUS HISTÓRICO (RICHARD HOFFMAN)
RICHARD HOFFMAN
Tenho certeza que o professor Eustáquio até prefere lidar com pessoas como você, do que algum possível bajulador que só sabe repetir frases ransosas e decoradas. Como bem diz o Litaiff "Surpreenda-me!"
E tenho certeza de que quando ele faz esse desafio saudável, ele não quer que apareçam com ideias prontas a concordar sempre com os comentários desse canal. Todos nós estamos cientes de que (repito), se você não tem dúvidas você está enganado. A dúvida é um dos melhores caminhos para chegarmos à verdade. "Certezas absolutas" podem ser traiçoeiras; as religiões estão aí para nos esfregar isso na cara.
Eu assisti com muito carinho o vídeo que você indicou. E talvez eu até poste esse texto aqui no canal daquela moça também.
Bom, não vou me alongar. Vejamos, Florisa: a principal referência "não bíblica" amplamente usada tanto pelos fiéis como pelos cientistas para defenderem seus pontos de vista é a de Flávio Josefo, um general e historiador judeu. Em sua colossal obra "Antiguidades Judaicas", Jesus aparece em duas passagens, ambas polêmicas. A primeira, por revelar a existência de um irmão de Jesus: "Ele (Ananias) reuniu o sinédrio dos juízes e trouxe perante eles o irmão de Jesus, o Cristo, cujo nome era Tiago, e alguns outros".
A segunda e mais longa e direta, revela: "Nesse mesmo tempo, apareceu Jesus, que era um homem sábio, se é que podemos considerá-lo simplesmente um homem, tão admirável eram suas obras".
Seria maravilhoso, mas não resiste a uma análise inicial. Josefo era judeu e -- a não ser que houvesse se convertido, o que não era o caso -- jamais consideraria Jesus como o messias previsto pelos profetas. É óbvio que houve acréscimos ao texto original. Só não é possível saber se o trecho todo foi acrescentado ou apenas os elogios e o reconhecimento por parte de um judeu de que ele era o Cristo. Só para você ter uma ideia, em anos recentes, os editores das obras de Josefo ousaram até incorporar a expressão "Terra de Israel" (que na verdade seria Canaã) à tradução dos textos. Lembrando que Josefo nasceu 8 anos após a morte de Jesus, e que se Jesus fosse tão extraordinário assim, em "Antiguidades Judaicas" -- com mais de 1.500 páginas -- o Cristo não mereceria apenas algumas linhas (menos de meia página). Além disso, a passagem apareceu pela primeira vez no livro, composto no século IV por Eusébio, um dos fundadores do catolicismo romano. Mas, estranhamente, no século anterior outro pai da Igreja, Orígenes, que também usou Josefo como referência, NÃO CITA tal passagem em nenhum momento!
O principal contemporâneo de Jesus, Filon de Alexandria (10-50 E.C.), que foi um grande estudioso das Escrituras e seitas judaicas, também ignorou o Cristo em seus escritos.
Enfim, a historicidade de Jesus se resume aos evangelhos, e neles há não apenas um lapso de tempo, que deixa em branco uma importante fase de sua vida, como também enormes inconsistências de datas. Se considerados apenas os textos bíblicos é impossível estabelecer até mesmo o ano de nascimento e morte de Jesus, bem como qualquer outro fato fora do campo da fé. E isso é compreensível, pois a Bíblia é um livro religioso, não histórico.
A infância e adolescência de Jesus não é contada na Bíblia. O evangelho apócrifo de Judas fala claramente sobre essa fase da vida do nazareno, mas, Florisa, aceite um conselho meu: nem queira saber (é de arrepiar, tipo "tal pai... tal filho, se é que você me entende). Não é a toa que os evangelhos de Marcos e o de João retratam somente Jesus como adulto, aparecendo de repente, já com trinta anos. Mateus e Lucas até relatam sobre o nascimento e alguma infância (aos 12 anos) de Jesus e só.
Eu já escrevi um texto falando sobre as provas de que nenhuma personagem bíblica do Novo Testamento existiu, nenhuma, nem mesmo Jesus e seus apóstolos. Há sim um consenso entre os arqueólogos de que João Batista e até Jesus existiram. Porém, a prova cabal seria se encontrássemos manuscritos em hebraico datando décadas antes e décadas depois de Cristo exatamente naquela região da Palestina, onde Jesus e seus seguidores viveram, afim de podermos confirmar suas existências. Seus problemas acabaram: os Manuscritos do Mar Morto datam exatamente entre 200 antes e 200 depois de Cristo. E adivinha? NADA sobre Jesus e também qualquer personagem bíblica do Novo Testamento. E mesmo em Massada -- onde morreram todos os últimos integrantes de uma comunidade judaica -- também não foi encontrado qualquer menção à qualquer personagem bíblica do Novo Testamento.
Portanto, a prova que seria de fundamental importância para a elucidação sobre se Jesus existiu ou não, serve, na verdade, para refutar sua existência.
E, a bem da verdade, os cristãos estão numa sinuca de bico com seu messias judaico-cristão. Vejamos: se encontrarmos provas de que Jesus existiu, isso será o fim do cristianismo. Porque ainda que encontremos manuscritos bem preservados (como os do Mar Morto), e houver relatos de seus milagres e ressurreição, não passarão de contos extraordinários contados sob a versão dos cristãos primevos, que obviamente seriam suspeitos. Se num futuro distante, a Ciência inventar meios de recuperar ossos e até DNA de Jesus... será pior ainda.
Pois a crença no "Filho de Deus", que morreu pelos nossos pecados virá abaixo -- e sabemos o por quê, certo? Porque a base do cristianismo é a crença na ressurreição de Jesus, e também em seu retorno aos Céus em carne e ossos, sacou?
Na verdade, tanto os apóstolos do passado, quanto o cristianismo de hoje, nunca estiveram interessados em contar sobre a vida do homem Jesus. Senão, a lenda desapareceria. E não é possível religião sem lendas e fantasias. A fé em algo desaparece quando a Ciência explica.
"A razão é a maior inimiga da fé"; Martinho Lutero.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
HIPÓCRITAS RELIGIOSOS: NEGADORES DA CIÊNCIA (kENNEDY LITAIFF)
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