sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
RIZOTO de PREPÚCIO ( 1 ) (RICHARD HOFFMAN)
Richard Hoffman
A Aliança Com Deus Através da Circuncisão
O Deus dos hebreus, Javé, se identifica como El-Shaddai para fazer uma aliança com (então) Abrão. Pede comportamento íntegro e promete descendência numerosa e toda a terra de Canaã, onde Abrão vivia como migrante.
Muda seu nome para Abraão, diz que a aliança é para sempre e a posse da terra prometida será perpétua.
Aí El-Shaddai determina a existência de um sinal físico para sua aliança com Abraão e seus descendentes.
Em Gênesis 17:10-11, Deus diz: "E a aliança que faço com você e seus futuros descendentes e que você deve observar, é a seguinte: circuncidem todos os homens. Circuncidem a carne do prepúcio. Este é o sinal da aliança entre mim e vocês".
Avançando mais de dois mil anos, chega-se ao tempo de Paulo, o "apóstolo revelado" dos gentios (indivíduos idólatras, que seguiam o paganismo).
A reivindicação do apostolado é urgente para Paulo, uma vez que, não tendo conhecido Jesus, afirmar que viu uma luz que o cegou, e que seu título lhe tinha "sido revelado" diretamente pelo próprio messias era a única maneira de justificar a sua missão totalmente atribuída em relação aos gentios. Mas os líderes do movimento em Jerusalém; Pedro, João e Tiago -- este último, irmão de Jesus e chefe da Igreja -- parecem não ter de início apoiado. Havia uma grande discussão entre os apóstolos sobre quão estritamente a nova comunidade deveria aderir à Lei de Moisés, a circuncisão etc.. A nova religião deveria ser mais "palatável" aos moldes romanos afim de se expandir. A circuncisão era um requisito radical, primitivo e tribal demais para ser aceito pelos romanos.
Não só Paulo rejeita a primazia da Lei judaica como se refere a ela como um "ministério da morte, esculpido em letras em uma tabuleta de pedra", que deve ser substituída por "um ministério do Espírito vindo em Glória" (2 Coríntios 3:7-8).
Ele chama seus irmãos que continuam a praticar a circuncisão -- a marca por excelência da nação de Israel -- de "cães e malfeitores" que "mutilam a carne" (Filipenses 3:2). Paulo, um judeu e ex-fariseu circuncidado, diz: "Cristo é o fim da Torá" (Romanos 10:4).
Seriam declarações surpreendentes até pra o próprio Jesus. Afinal Jesus afirmou ter vindo para cumprir a Lei de Moisés, não para aboli-la.
Longe de rejeitar a Lei Jesus continuamente se esforçou para expandi-la e intensificá-la.
Há controvérsias sobre o dia sagrado do sábado, mas ele nunca rejeitou a Lei, pelo contrário; Jesus advertiu que "aquele que violar um dos menores desses mandamentos e ensinar os outros a fazê-lo será chamado o menor no reino dos céus" (Mateus 5:19). Paulo "entendia" que a verdadeira circuncisão não era para ser tomada literalmente, mas de modo simbólico, no coração (Romanos 2:29). E em Colossenses 3:11 diz que: "Não pode haver grego, nem judeu, circuncisão nem incircuncisão... Cristo é tudo em todos". E em Filipenses 3:3 "Nós é que somos a circuncisão... nós glorificamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne".
Porém, não podemos ignorar uma certa falta de coragem em Paulo, pois em Atos 16:3 ele, pessoalmente, sucumbindo às pressões e ao medo, acabou circuncidando um jovem discípulo, Timóteo "por causa dos judeus daqueles lugares"(!), ou seja, se acovardou. Vamos analisar: se está claro que nenhum dos apóstolos, nem Jesus e nem Deus condenam a circuncisão, então a gente imagina que Paulo não deveria ter a audácia de pregar contra um pacto, uma ordenança vinda diretamente de Deus Pai, ao qual passou o próprio Jesus e todos os apóstolos -- inclusive o próprio Paulo -- se não fosse por uma nova revelação, certo? Paulo disse que Jesus falou com ele tudo o que nós já estamos carecas de saber, mas, perguntar não ofende: se essa fortíssima virada de regra fosse realmente revelada a Paulo, por que então tal revelação não foi feita por Jesus a nenhum dos apóstolos também? E tem outra coisa; se fosse uma revelação divina, então o "ungido de Deus" Paulo deveria ter confiado nessa proteção divina, e não deveria ter circuncidado Timóteo. Ele deveria se sacrificar pela causa, se preciso fosse. O ainda Saulo de Tarso presenciou Estevão ser apedrejado até a morte por ter defendido a sua fé em Cristo. Saulo viu a coragem de Estevão sem Estevão ter tido qualquer contato íntimo e direto com Deus ou Jesus; sem este ter sido revelado um apóstolo. Mas o agora Paulo não teve coragem. Ele se acovardou e acabou praticando o que condenava, de acordo com alguns defensores de Paulo, "por revelação".
Paulo passou a afirmar insistentemente a superioridade da "Graça de Deus" através de Jesus em relação a Lei, cujos preceitos (de acordo com Paulo) são irrelevantes para Cristo:
"A circuncisão em si não é nada; a incircuncisão também nada é, mas vale é guardar as ordenanças de Deus" (1Co 7:19).
Para Paulo não havia necessidade de uma mutilação física para ser considerado povo de Deus. Mas a importância deste verso é que ele deixa claro que o Deus de Paulo não poderia ser El-Shaddai/Javé, pois este Deus mandou cortar a carne do prepúcio literalmente, tanto é que os judeus ainda os cortam quando convertidos ou têm seu prepúcio amputados quando ainda bebês. Esse papo de "circuncisão do coração" não procede. Vejamos: Paulo diz que a circuncisão é nada, e que o importante é seguir as ordenanças de Deus, mas repito; seu Deus não pode ser El-Shaddai/Javé, pois esta divindade ordenou a circuncisão e a colocou como marca do seu "povo eleito". Repare que Paulo nunca dá detalhes, nem nos conta como Jesus ou Deus mandou abolir a circuncisão.
Existem duas integrantes: com qual autoridade Saulo perseguiu os cristãos? E com qual autoridade ele condena a circuncisão? Por Revelação? Qual revelação? Paulo recebia revelação pelo Espírito Santo? Onde está escrito isso? Vejamos: em Gálatas 1:11 Paulo diz que o evangelho lhe foi ensinado por Jesus Cristo, mas Jesus era judeu e pregava o judaísmo. As "revelações" não deveriam vir somente pelo Espírito Santo? E em Gálatas 2:2 Paulo diz ter uma outra revelação, mas era em relação sobre ir para Jerusalém, e nada sobre uma revelação condenando a circuncisão. E tem outra coisa; mesmo que estivesse escrito na Bíblia uma revelação sobre isso, a pergunta é: onde está a comprovação dessas palavras desse tal "apóstolo" Paulo? Só é verdade porque está escrito na Bíblia?
RIZOTO de PREPÚCIO ( 2 ) (RICHARD HOFFMAN)
Richard Hoffman
A Aliança Com Deus Através da Circuncisão
O que acontece é que os defensores religiosos de Paulo não querem admitir que um erro, uma falha, ou dez, cem ou incontáveis invenções procede da cabeça de um homem só (ou vários), então se diz que tal homem não inventou, mas "lhe foi revelado". Ou seja, tudo é "revelação". Quando não se tem fundamento de onde se origina uma ideia, então se argumenta que foi por "divina revelação"; resolvido o problema.
Então, para um observador racional que busca conhecimento sem paixões de fé, fica claro e cristalino que foi uma decisão pessoal de Paulo ou de quem os criaram. Por isso a indagação é se essas são idéias de um homem só -- ou seriam idéias dos romanos?
Repare que, mais da metade de todo o Novo Testamento, ou foi escrito por Paulo, ou foi escrito sobre ele, e em nenhum lugar Paulo cita nome de nenhum deus; não cita João Batista; não cita os ditos de Jesus entre outras coisas importantes da história do cristianismo, o que dá margem a forte especulação de que Paulo foi uma personagem criada, ou pelos novos judeus messiânicos apocalípticos, ou pelos romanos, que mais tarde, essa ideia de que o "filho de Deus" já tinha vindo, ressuscitado e voltado aos Céus após 40 dias (!) foi sendo pregada, lapidada com algumas mudanças, de acordo com um novo formato até o ponto de ser adotada pelo maior e mais poderoso inimigo dos judeus: o império romano. Duas personagens históricas foram fundamentais para isso: o cristão Lactâncio, e claro, o mais importante de toda a história do cristianismo; o imperador romano Constantino. E essa nova personagem (Paulo) deveria ser criada, ou melhor, lapidada e entrar em ação, tomar de assalto um religião originalmente judaica, e torná-la romanizada, condenando os "judeus teimosos que mataram o Cristo"; "aqueles judeus ingratos que mataram Deus!". Genial! Que virada de mesa! Que grande sacada! Os romanos foram realmente os maiorais em tudo. Mas isso é história para outro texto.
Paulo foi acusado pelos judeus de apostasia contra a Lei de Moisés e a circuncisão (Atos 21:18-26). Ele ouviu essas acusações, mas, se ele nada devia, e se essas acusações são falsas, então não há o que temer, certo? Quem não deve não teme. Ocorre que neste mesmo capítulo Paulo é preso perante tais acusações e, quando vai se defender, ele afirma categoricamente em Atos 25:8: "Nenhum pecado cometi contra a Lei dos judeus". Mas no relatório constava que Paulo ensinava apostasia (revolta, abandono).
Será que Paulo devia? Ou será que as acusações eram infundadas? Vejamos:
em em Atos 15:1 diz que a circuncisão é mencionada explicitamente como exemplo crucial da observância da Lei. Mas, além de tudo o que já vimos acima, em outras passagens como em Gálatas 5:2 fica novamente claro e cristalino: "Eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada aproveitará", "Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas vale o ser nova criatura".
Veredito: Paulo cometeu sim apostasia contra as leis judaicas em inúmeras passagens do Novo Testamento, além de reforçar o machismo contra a mulher e defender a escravidão.
E, numa atitude hipócrita, ele é obrigado a se sujeitar ao ritual judeu e se purificar com quatro judeus voluntários, raspar a cabeça e a fazer oferta (sacrifício animal) para cada um deles (Atos 21:23-26). Ou seja, Paulo se acovardou novamente. Oras, por que não bradou a plenos pulmões "Cristo é o fim da Torá!"?
Para os judeus ortodoxos de hoje, as palavras de Paulo são palavras de Satã! Nada a estranhar, pois seus antepassados diziam que Jesus expulsava demônios por meio do príncipe dos demônios (Mc 3:22; Mt 9:34 e 12:24; Lc 11:15). Não há como esconder essas profundas divergências. Observe o que diz Paulo:
"Para os judeus fiz-me judeu, afim de ganhar os judeus.
Para os que estão debaixo da Lei fiz-me como se eu estivesse debaixo da Lei, embora o não esteja, a fim de ganhar aqueles que estão debaixo da Lei" (1Co 9:20); "Para os que não tem Lei fiz-me como se eu não tivesse Lei, ainda que eu não esteja isento da Lei de Deus, porquanto estou sob a Lei de Cristo, afim de ganhar os que não tem Lei" (1Co 9:21).
Estes dois versos são esclarecedores para a polêmica levantada por judaizantes que insistem na tese de que Paulo, mesmo depois da conversão, continuou sendo um guardião da Lei. Mas Paulo deixa claro, sem meias palavras, que se comportava como seguidor da Lei para ganhar os da Lei, e como se não tivesse Lei, para ganhar os gentios, mas afirma categoricamente que não estava sob o domínio da Lei de Moisés (vs.20). No vs.21 ele declara que a Lei sob a qual estava era a Lei de Cristo. Depois de Romanos e Gálatas, fica bem mais fácil compreender algumas passagens:
"O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a Lei" (1Co 15:56).
"Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo" (1Co 15:57).
Por tudo isso, fica claro que Paulo (considerado um intrometido pelos líderes de Jerusalém) desvirtuou o cristianismo para um sistema de crença totalmente pessoal, da qual sobrou pouca coisa do judeu Jesus. O cristianismo hoje bem que poderia ser chamado "Paulinismo" ou "Romanismo".
Para um observador esperto, fica evidente que toda "história" dessa personagem Paulo como vítima dos judeus, é uma fraude ridícula. Jamais um prisioneiro judeu ou cristão (mesmo tendo cidadania romana) teria a honra de ser conduzido durante meses por um exército, simplesmente porque esse prisioneiro judeu exigiu ser ouvido por um César Augusto em Roma (Atos 25;11-12). Isto era simplesmente impensável. Um fanático religioso crê realmente que, naquela época, um imperador romano iria mesmo querer receber no seu palácio um prisioneiro judeu ou cristão para julgar se o infeliz mandou ou não mandou abolir a circuncisão. Atá!
RIZOTO de PREPÚCIO ( 3 ) (RICHARD HOFFMAN)
RICHARD HOFFMAN
A Aliança Com Deus Através da Circuncisão
Mas para quem tem fé "de fato" em Jesus (ele mesmo um judeu circuncidado no oitavo dia de vida), Cristo nunca exigiu circuncisão para quem quisesse segui-lo. Ao romper com a circuncisão os cristãos primevos estavam rompendo a aliança com El-Shaddai/Javé, isto é, o deus dos hebreus antigos.
Se considerarmos o que está escrito em Gênesis 17:11, os cristãos estão fora da aliança com Deus, pois não são circuncidados. De acordo com o verso 14 de Gênesis "O incircunciso que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou minha aliança". O resultado dessa exigência absurda, arcaica, primitiva e tribal foi o isolamento da religião judaica. Só quem tem o prepúcio cortado está sob "proteção de Deus". Logo esse é o Deus de uma parte muito pequena da humanidade.
De acordo com pesquisas que fiz, o judaísmo tem apenas 14 milhões de seguidores. O povo judeu soma 0,19% da população mundial. Nem por isso o judaísmo arreda o pé um milímetro. Eles se acham mesmo o "povo escolhido" por Javé. Faz sentido; foram eles os criadores desse deus. Tem direito. Mas os cristãos não estão nem aí para o judaísmo. E os Salmos são as únicas coisas do Antigo Testamento que realmente interessam aos cristãos. Historicamente o judaísmo não deixa de ser importante para se compreender como e por quê a humanidade cria deuses à sua imagem e semelhança. Javé é "a cara" do judeu; Jesus nem tanto. Ainda assim é muito cruel impingir qualquer tradição de ilusão a uma criança que não pode escolher, e muito menos sequer conceber.
Onde está o "livre arbítrio"?
Um crédulo nada mais é do que um indivíduo que acredita em suas próprias mentiras, e as semeam em seus filhos. Se eu tenho uma convicção é que um crédulo, ou está enganado, ou está tentando me enganar.
Os hebreus antigos -- é só estudar -- formaram um povo analfabeto, que nunca teve de fato exércitos poderosos das glórias bíblicas. Muito pelo contrário; sempre colecionaram derrotas, vivendo em sol escaldante, em tendas e cavernas, escravizados, se alimentando basicamente de gafanhotos e maná. As estórias de seus reis poderosos, guiados por seu deus foram criadas com o único propósito de compensar uma inferioridade histórica. Praticamente todo o conteúdo bíblico nada mais é do que um plágio e/ou uma reciclagem de outras culturas muito mais antigas e evoluídas, como no caso do costume da circuncisão, que num estudo mais profundo, descobre-se que é originário dos antigos egípcios e/ou etíopes. Na cultura dos antigos egípcios não há sinais de que a prática da circuncisão era por motivos religiosos. Estes já haviam abandonado tal costume séculos antes da Torá começar a ser escrita. Lembre-se: num mundo com tanta informação a disposição, ser um ignorante é uma escolha.
Enfim, as promessas desse Deus Javé jamais foram cumpridas, evidentemente.
Aqui observa-se também o caráter discriminatório desse deus, pois ele só marcou fisicamente a sua "imagem e semelhança" os homens como seus. Não deixou nada que identificasse as mulheres como integrantes de sua aliança. GRAÇAS A DEUS, não é, mulheres? Não tão rápido! Vejamos:
Em alguns países asiáticos e da África Subsaariana, tanto os meninos quanto as meninas sofrem horrores quando se submetem aos caprichos das crenças e tradições de seus pais. A tradição da circuncisão feminina é bem inferior a masculina, mas o sofrimento é, de longe, muito maior. Estima-se que em 30 países a mutilação genital ainda acontece. Os quatro maiores países muçulmanos do mundo estão localizados -- contrariamente ao que muita gente pensa -- no continente asiático. E é a Indonésia que possui cerca de 210 milhões de seguidores do Islã; o Paquistão, com 180 milhões; a Índia, com 170 milhões e Bangladesh, com 150 milhões. Está claro que os muçulmanos são o maior grupo religioso a circuncidar os "machos". Acredita-se que o total de (apenas homens) circuncidados em todo o mundo pode chegar a um bilhão, sendo em sua imensa maioria muçulmanos. Curiosamente os judeus praticamente nem fazem diferença nesse cálculo, pois o judaísmo é inexpressivo em número, se levarmos em conta que a população humana mundial é de 7 bilhões. E as mulheres judias não praticam a circuncisão, pois Javé não fez pacto algum com elas. Menos mal para as judias, mas não para as mudanças.
Há vários vídeos no YouTube mostrando o momento da amputação, tanto do prepúcio quanto do clitóris (em alguns países se extrai todos os lábios vaginais), tudo em nome da tradição religiosa.
Um dos pilares da fé islâmica é acreditar em todos os profetas que o deus hebreu enviou.
Após a Era de Jesus (Issa, como os muçulmanos o chamam), os cristãos continuaram com a tradição da circuncisão. Mais tarde, o Novo Testamento conta que Pedro e Paulo levantaram a questão se os novos cristãos deveriam ou não manter a circuncisão. Jesus, que foi circuncidado, talvez não tenha condenado e nem defendido a circuncisão, pois, em termos de evidências históricas não se tem quase nada desse homem Jesus para corroborar tais fatos. Na bíblia o messias alertou muito claramente sobre a observância dos preceitos judaicos: a Lei dos profetas (incluindo aí a circuncisão), pois se a vinda de Jesus e o Novo Testamento viesse para "abolir" a Lei, como os cristãos pregam, Deus Pai não deixaria que seu próprio filho (ou sendo o próprio Deus, para católicos e protestantes) fosse circuncidado, como também todos os seus apóstolos, certo? Não parece óbvio?
Mas a posição do pseudo-apóstolo Paulo prevaleceu; a circuncisão agora é inútil para os cristãos, e ponto final!
Está aí o cristianismo, uma religião romanizada, gostem (acreditem) ou não.
Os cristãos da Igreja Ortodoxa Copta, originária do Egito e fundada pelo evangelista Marcos em 42 E.C., preferem manter a circuncisão como prática religiosa.
Final do capítulo 3
RIZOTO de PREPÚCIO ( 4 ) (RICHARD HOFFMAN)
RICHARD HOFFMAN
A Aliança Com Deus Através da Circuncisão
Os defensores da circuncisão, independente da fé, costumam listar os "benefícios" de tal prática. Eles afirmam que ela é, além de um pacto divino, uma questão de saúde pública, afim de ajudar a evitar transmissão de várias doenças graves (como câncer, inclusive). Até certo ponto faz sentido, mas... não tão rápido; a coisa não é bem assim. Vejamos: quando o homem não higieniza a glande (cabeça do pênis) de forma correta, forma-se uma secreção branca chamada de esmegma. Na vagina também ocorre coisa parecida entre os lábios. Todos nós conhecemos isso e sabemos que é mau cheiroso, mas ignoramos o seu perigo, especificamente para a mulher, que recebe a penetração do pênis, que se não estiver devidamente higienizado pode causar doenças graves à ela.
Por isso (repito; por isso) realmente faz sentido. Mas isso não é justificativa para um trauma tão horrível como a circuncisão. Na busca insana dos fanáticos e fundamentalistas em impingir essa atrocidade por puro egoísmo e ignorância, eles invocam a tese da profilaxia, ou seja, a circuncisão seria uma decisão inteligente e saudável, afim de prevenir enfermidades. Seus defensores apresentam dados realmente factíveis quanto aos seus benefícios, como números de mortalidade das mulheres, principalmente, causadas por infecções relacionadas a falta de higiene do pênis do parceiro, que, se este estivesse circuncidado, não estaria contaminado sua parceira.
Porém, vejamos:
Em primeiro lugar morre-se muito mais pessoas por infecções e hemorragia causadas pela circuncisão.
Em segundo lugar a AIDS (entre outras doenças) é uma triste realidade dos países da África, onde a circuncisão é uma tradição em quase todo o continente. Ou seja, até mesmo algumas doenças corriqueiras como a gonorréia, sífilis, cancro, hepatite etc., pouco tem a ver com a higienização do pênis, e sim com o atrito no ato sexual, e/ou com o sêmen contaminado na uretra. Estar circuncidado não garante prevenção de doenças; higiene, usar preservativos e tomar outros cuidados com parceiros sim. Qualquer pessoa saudável e bastante higiênica também poderá, tanto transmitir quanto se infectar de inúmeras doenças, independente de estar ou não higienizado. Mas as garantias de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis estão ligadas a outros fatores que não a circuncisão. Toda doença que é facilmente transmitida pela falta de higiene pode ser evitada com a própria higiene e com preservativos também, mas a circuncisão pode contribuir para facilitar a contaminação da AIDS, por exemplo, pois o atrito no ato sexual causa micro feridas na pele das genitais. Isso é muito menos frequente com incircuncisos.
Não é necessário extrair nossos lábios ou nossos dentes para evitarmos doenças bucais (que inclusive podem afetar o coração!). Escovamos regularmente nossos dentes e usamos fio-dental. Não precisamos extrair o ânus para evitarmos doenças anais; lavamos o ânus sempre que necessário (apesar de que muitos, por ignorância, ainda usa papel higiênico pra isso, por mais inútil que seja). Isso tudo é resolvido com a educação para uma correta higiene. Simples assim, sem milagres ou tradições insanas. Basta não sermos "porcos"! Você acha que os japoneses, os suecos, os suíços por exemplo, são tão caprichosos e saudáveis assim devido a circuncisão? Acho que não, né? E você acha que povos como os indonésios, etíopes e somalis estão naquela situação por causa da incircuncisão? Pare e pense. Além do mais, nosso organismo produz secreções que nos protegem naturalmente de doenças. É o caso da cêra dos nossos ouvidos. Não é recomendável introduzir cotonetes além do recomendável. Todo o nosso corpo deve ser higienizado educadamente, sem exageros. Com nossas genitálias também é assim.
Se existisse um deus criador, ele até poderia exigir um pedaço do meu prepúcio como uma aliança. Mas, se o prepúcio é uma apêndice, que causa a morte, da qual a amputação seria uma solução, então ele deveria nos ter criado corretamente, com nosso pênis sem prepúcio, sem a necessidade de correção humana, certo? E a "Aliança com seu povo eleito" deveria estar na consciência, certo? Não parece óbvio?
Não adianta minimizar o que está escrito em Gênesis 17:14; a ordem é para matar os que não fossem circuncidados.
E a julgar pelas barbaridades que cristãos e islâmicos cometeram -- e ainda cometem -- em nome desse mesmo deus bíblico, imagine o que não fariam os verdadeiros criadores, o "povo escolhido" de Javé, o deus dos exércitos! Quer que desenhe? Não precisa, né? É só ler o Antigo Testamento.
JAVÉ quis MATAR MOISÉS por causa de um PREPÚCIO?!
Em Êxodo 4:24-26 Javé andou atrás de Moisés para matá-lo por causa de um prepúcio. Os exegetas bíblicos não se entendem com uma interpretação satisfatória para essa passagem. Mas Gênesis 17:14 deixa claro: o incircunciso tem que morrer.
Se Javé procurou Moisés para matá-lo e só não o fez porque sua esposa Séfora pegou uma pedra afiada, cortou o prepúcio do filho e o jogou nos pés de Moisés (diante de Deus!), fica evidente que foi devido a uma incircuncisão o motivo da ira divina. A dúvida é se Deus estava procurando o prepúcio de Moisés ou de seu filho, mas como ele queria matar Moisés, isso indica que o velho ancião estava incircunciso.
Séfora corta o prepúcio do filho, atira-o ao chão e diz: "Tu és para mim um esposo de sangue". Só então Javé os deixou em paz.
Fica a impressão de que Séfora enganou Deus, "salvando a pele" de Moisés, por muito pouco; ela foi mais rápida e esperta que Deus!
A conclusão possível pode ser que, Moisés era incircunciso porque foi criado de acordo com a cultura egípcia (Moisés é um nome egípcio). Nem isso justifica esse barraco. Seria muito simples: era só Deus trocar uma ideia com seu pupilo; Moisés iria ali num cantinho e cortaria o "courinho" do pinto. Pronto! Que falta de bom senso, eu hein?! Que estresse!
Final do capítulo 4
RIZOTO de PREPÚCIO ( 5 ) (RICHARD HOFFMAN)
Richard Hoffman
A Aliança Com Deus Através da Circuncisão
Quando queremos ir mais fundo nas estórias sobre destruição total de povos de forma bárbara e insana, as que estão na Bíblia são incomparáveis. E dentre tantos contos horripilantes e execráveis, a mulher tem sempre um "tratamento especial". Como se não bastasse a crença de ela ter sido gerada de um osso masculino e de que seu "ato transgressor" de comer do fruto proibido ter causado a origem de todos os males, vou lembrar um que tem a ver com o tema desse texto. Trata-se da história de Diná e Siquém. Vejamos:
Vindo de Aram, Jacó parou na cidade de Siquém, em Canaã. Ele comprou do príncipe Hamor um campo e fixou suas tendas, na periferia da área urbana. O capítulo 34 de Gênesis começa com Diná, filha de Jacó com Lia, saindo para conhecer a terra. Foi vista por Siquém, filho de Hamor, que tomado de uma súbita atração, a possuiu de forma violenta.
Depois do ato Siquém se apaixonou e pediu a seu pai que falasse com Jacó, pois Siquém queria desposar Diná. Ou seja, ele cometeu um erro gravíssimo, mas tudo poderia terminar muito bem, com paz e harmonia. Poderia, se não fosse por um detalhe: a história aqui é contada pelos antigos hebreus.
Quando os filhos de Jacó souberam do acontecido, se enfureceram contra Siquém por este ter violado sua irmã. Hamor e Siquém foram pedir a mão de Diná em casamento a Jacó. Propuseram receber a caravana de Jacó em suas terras, dando-lhes possessões; ofereceram suas filhas para serem esposas dos israelitas e aumentaram em muito o dote. Mas os irmãos de Diná armaram um plano sórdido. Disseram que não podiam dar sua irmã a um homem incircunciso e impuseram uma condição indecorosa para o casamento: que circuncidassem todos os machos da cidade. E disseram: "Se fizerem isso, daremos nossas filhas e tomaremos as filhas de vocês e seremos um só povo".
Apesar da dureza da condição imposta, o príncipe apaixonado ficou feliz, pois assim teria sua amada. Hamor e Siquém, de boa fé, convenceram os homens da cidade a cortarem seus prepúcios.
O verso 25 e 26 do capítulo 34 dizem: "Ao terceiro dia, quando os homens sentiam uma forte dor causada pela amputação coletiva, dois dos filhos de Jacó, Simeão e Levi, tomaram cada um sua espada, entraram inesperadamente na cidade e mataram os homens todos. Passaram também ao fio da espada a Hamor e a seu filho Siquém; tomaram Diná da casa de Siquém e saíram".
Poderíamos pensar que essa atitude era em função da indignação "pelo ato violento" de Siquém contra Diná. Mas os versos 27 e 28 contam que eles saquearam toda a cidade, ainda com o sangue dos varões escorrendo pelas ruas.
Levaram rebanhos, bois, jumentos e o que havia na cidade e no campo. Levaram cativos os meninos, as mulheres e tudo o que havia em suas casas.
Simeão e Levi enganaram Hamor e Siquém com o golpe da circuncisão, usando a desculpa da vingança da "honra da irmã". Com isso assassinaram covardemente os homens, saquearam a cidade e escravizaram as crianças e mulheres sobreviventes. Destruir e "matar todos a fio da espada", "sem piedade", "tudo o que respire", são imperativos tão habituais ordenados pelo próprio Javé e seus seguidores quanto um dos Dez Mandamentos na Bíblia.
O que fez Jacó, que agora é chamado de Israel? Ele apenas reclamou porque a atitude dos meninos, Simeão e Levi, poderia levar a uma união dos demais cananeus contra a sua Casa e ele temia ser destruído.
Repare que a intenção dos irmãos não era converter os homens ao judaísmo, não. Os irmãos ardilosamente usaram uma marca de seu "povo escolhido", um ritual sagrado, o símbolo máximo de um pacto, ordenado diretamente por El-Shaddai, com o único e exclusivo propósito de produzir vingança, sem piedade, de "forma exemplar", como só os primitivos sabem fazer. Para justificar a matança vale tudo, qualquer coisa. Já um gesto de amor e de perdão ou de misericórdia, eu ainda não consegui encontrar em toda a Bíblia, nenhum gesto sequer.
Aqui não se vê uma repreensão, nem de Jacó, nem de Javé, pela atitude covarde de dois assassinos frios e escravagistas, que mataram todos os os varões de uma cidade para pilhar seus bens. Jacó sequer mandou seus filhos devolverem o que roubaram aos vizinhos cananeus. O capítulo 34 termina com Simeão e Levi respondendo em tom arrogante: "Acaso se trata a nossa irmã como uma prostituta?" Como se a "desgraça" da pobre e imaculada irmãzinha não viesse a calhar, né?
E assim, com mais uma trapaça -- dessa vez uma pilhagem odiosa -- aumentou sobremaneira a riqueza de Israel. Quanto a Diná, coitada, era apenas uma mulher numa das mais patriarcais sociedades do segundo milênio A.E.C..
Diná foi a única dentre os filhos de Jacó que não foi cabeça de uma das tribos de Israel.
A Bíblia não diz se Diná casou, virou prostituta ou como ela morreu. Pelas tradições e costumes dessa época, se uma mulher fosse violada e não se casasse imediatamente, era repudiada pelo resto da vida. O príncipe Siquém queria desposá-la, mas foi assassinado impiedosamente por Simeão e Levi. Se o remorso e a paixão por Diná não fossem sinceros, Siquém jamais se sujeitaria, ele mesmo e o seu próprio povo, a tantas exigências. Siquém era príncipe. Há de se supor que, para tantas condições impostas, suas intenções eram sinceras.
O destino de Diná foi selado pela ganância dos seus irmãos salteadores. Só pra lembrar, o sacerdócio israelita se tornou depois, uma exclusividade dos descendentes de Levi.
Quanto à Diná, foi excluída da Bíblia após o episódio de sua violação.
Em Gn 35:23-26 há uma lista dos filhos de Jacó. Nela só estão nomeados os 12 filhos homens, Diná não aparece mais! Ela só volta a ser citada em Gn 46:15 no episódio em que Jacó e toda a sua semente estão descendo para o Egito, e ele nomeia seis filhos e 27 netos, num total de 33 almas. Diná é citada como filha de Lia, mas não entra na conta dos 33 que estão na comitiva de Jacó.
No capítulo 49 do Gênesis Jacó abençoa seus filhos um a um e Diná não é citada. Em Êxodo 1:1-4 aparece a lista dos filhos de Jacó que entraram com ele no Egito. Nela constam 11 homens, pois José já estava na terra dos faraós preparando a escravidão do seu próprio povo, e Diná não é citada. Em 1Crônicas 2:1-2 vê-se outra lista dos filhos de Jacó e Diná foi excluída.
Não encontramos nenhuma queixa, nenhum gesto ou depoimento negativo de Diná sobre o ocorrido, o que dá margem a seguinte especulação: sua culpa foi ter amado um homem incircunciso -- pecado sempre atribuído às mulheres na sociedade dos hebreus antigos. Os irmãos assassinos, o pai, Jacó (cheio de esposas, concubinas e trapaças) todos esses foram perdoados por Javé e são considerados heróis da história dos hebreus. E Diná? Ela foi excluída até das listas dos filhos de Jacó. Fica evidente que seu hímen serviu apenas de pretexto para um gesto covarde e violento de proporções bíblicas por membros daquela tribo errante, mas que é o único "povo escolhido", que até hoje adora recontar essas maravilhas em papiros e pergaminhos. É estranho ou no mínimo injusto que essa história seja contada sob a ótica e o escrutínio de dois irmãos carniceiros e seu pai trapaceiro.
Final do capítulo 5
RIZOTO de PREPÚCIO ( 6 ) (RICHARD HOFFMAN)
RIZOTO de PREPÚCIO cap.6
Richard Hoffman A Aliança Com Deus Através da Circuncisão À quem hoje não causa calafrios só de imaginar que "histórias" como essa possam realmente de fato ter acontecido? Resposta: à quem desde criança lhe foi impingido tais absurdidades como verdade, por quem mais confiamos: nossos pais, que por sua vez chafurdam no mar de uma ilusão alimentada por uma sociedade religiosamente prostituída. O Título desse texto não é à toa. Fico pensando por que esses povos primitivos tinham tanta fascinação por rituais bizarros. Saul, rei (por sorteio!) de Israel, com o objetivo de sacanear Davi, exigiu a ele 100 prepúcios de seus inimigos filisteus para, em troca, serem genro e sogro, entregando Micol, sua filha. Mas Davi surpreendeu o rei matando duzentos homens só para arrancar seus prepúcios e ganhar Micol, a "princesa". O que Saul fez com tanto prepúcio? 1- Um colar? 2- Encheu almofadas? 3- Fez aterro? 4- Fez linguiça? 5- Fez sabão? 6- Ou minha resposta preferida: FEZ RIZOTO? Uma questão hipotética: "Como um homem de 57 anos de idade, eu sou flagrado chupando o pênis de um bebê. Peço que você imagine seu próprio ultraje e náusea. Ah, mas eu tenho minha explicação pronta. Eu sou um mohel: um circuncidador oficial e removedor de prepúcio. Minha autoridade provém de um antigo texto, que determina que eu pegue o pênis do bebê em minha mão, corte ao redor do prepúcio e complete o ato colocando seu pênis em minha boca, sugando o prepúcio e cuspindo o pedaço amputado juntamente com um punhado de sangue e saliva. Essa prática foi abandonada pela maioria dos judeus, por causa de sua natureza anti-higiênica ou suas associações perturbadoras, mas ainda resiste entre os fundamentalistas hassídicos, que esperam que o Segundo Templo seja "milagrosamente reconstruído" em Jerusalém. Para eles, o rito primitivo do "periah metsitsah" é parte do acordo original e irrevogável com Deus." Extraído do livro "Deus Não é Grande", de Christopher Hitchens Como é possível, em sã consciência, um ser humano considerar a hipótese de que o Deus criador da vida, das galáxias e todo o universo, faria um pacto com um povo escolhido; exigindo várias condições obrigatórias como: um dia da semana sagrado perpétuo -- por que ele descansou nesse tal dia; exigir holocausto perpétuo de animais, e, dentre tantas outras absurdidades, crer de fato que esse criador do universo exige a pele do seu pênis como aliança perpétua, sob risco de um castigo terrivelmente divino? Repito a pergunta: é possível, em sã consciência, considerar tal hipótese? Veja só essa história: Descobriu-se que em Nova Iorque, no ano de 2005 que, num ritual realizado por um mohel de 57 anos de idade, se transmitiu herpes genital a vários meninos e causou a morte de pelo menos dois deles. Em circunstâncias normais a revelação teria levado o Departamento de Saúde Pública a proibir a prática e o prefeito a denunciá-la. Mas, na capital do mundo moderno, na primeira década do século XXI (pásmem), não foi o caso. Em vez disso o prefeito na época era Michael Bloomberg, que ignorou os relatórios de respeitados médicos (inclusive judeus) que alertavam para o perigo do costume, e determinou a sua burocracia sanitária que adiasse qualquer veredicto. A questão fundamental, disse Bloomberg, era assegurar que a livre prática da religião não estivesse sendo infringida. Ou seja, como se o dever do Estado ou de um governante fosse garantir e defender a fé, a crendice e suas tradições, por mais insanas e absurdas que elas sejam, a despeito da vida humana de inocentes. A tradição é aquilo que um pastor de cabras do deserto de dois mil anos atrás pode influir certa manhã, às onze horas, na decisão de um executivo em Manhattan. Se já não resta nenhum argumento, sempre se pode tentar usar a tradição. O sono da razão produz monstros, e a falta de mudanças produz o sono da razão. Os circuncidados, na verdade, levam uma vantagem, sim; quem não gosta de usar cuecas, mas gosta de usar calças com zíper, sabe do que eu estou falando. "Pois o incircunciso e impuro NUNCA novamente deverão entrar em ti". (Isaías 52:1). Final do sexto e último capítulo.
Richard Hoffman A Aliança Com Deus Através da Circuncisão À quem hoje não causa calafrios só de imaginar que "histórias" como essa possam realmente de fato ter acontecido? Resposta: à quem desde criança lhe foi impingido tais absurdidades como verdade, por quem mais confiamos: nossos pais, que por sua vez chafurdam no mar de uma ilusão alimentada por uma sociedade religiosamente prostituída. O Título desse texto não é à toa. Fico pensando por que esses povos primitivos tinham tanta fascinação por rituais bizarros. Saul, rei (por sorteio!) de Israel, com o objetivo de sacanear Davi, exigiu a ele 100 prepúcios de seus inimigos filisteus para, em troca, serem genro e sogro, entregando Micol, sua filha. Mas Davi surpreendeu o rei matando duzentos homens só para arrancar seus prepúcios e ganhar Micol, a "princesa". O que Saul fez com tanto prepúcio? 1- Um colar? 2- Encheu almofadas? 3- Fez aterro? 4- Fez linguiça? 5- Fez sabão? 6- Ou minha resposta preferida: FEZ RIZOTO? Uma questão hipotética: "Como um homem de 57 anos de idade, eu sou flagrado chupando o pênis de um bebê. Peço que você imagine seu próprio ultraje e náusea. Ah, mas eu tenho minha explicação pronta. Eu sou um mohel: um circuncidador oficial e removedor de prepúcio. Minha autoridade provém de um antigo texto, que determina que eu pegue o pênis do bebê em minha mão, corte ao redor do prepúcio e complete o ato colocando seu pênis em minha boca, sugando o prepúcio e cuspindo o pedaço amputado juntamente com um punhado de sangue e saliva. Essa prática foi abandonada pela maioria dos judeus, por causa de sua natureza anti-higiênica ou suas associações perturbadoras, mas ainda resiste entre os fundamentalistas hassídicos, que esperam que o Segundo Templo seja "milagrosamente reconstruído" em Jerusalém. Para eles, o rito primitivo do "periah metsitsah" é parte do acordo original e irrevogável com Deus." Extraído do livro "Deus Não é Grande", de Christopher Hitchens Como é possível, em sã consciência, um ser humano considerar a hipótese de que o Deus criador da vida, das galáxias e todo o universo, faria um pacto com um povo escolhido; exigindo várias condições obrigatórias como: um dia da semana sagrado perpétuo -- por que ele descansou nesse tal dia; exigir holocausto perpétuo de animais, e, dentre tantas outras absurdidades, crer de fato que esse criador do universo exige a pele do seu pênis como aliança perpétua, sob risco de um castigo terrivelmente divino? Repito a pergunta: é possível, em sã consciência, considerar tal hipótese? Veja só essa história: Descobriu-se que em Nova Iorque, no ano de 2005 que, num ritual realizado por um mohel de 57 anos de idade, se transmitiu herpes genital a vários meninos e causou a morte de pelo menos dois deles. Em circunstâncias normais a revelação teria levado o Departamento de Saúde Pública a proibir a prática e o prefeito a denunciá-la. Mas, na capital do mundo moderno, na primeira década do século XXI (pásmem), não foi o caso. Em vez disso o prefeito na época era Michael Bloomberg, que ignorou os relatórios de respeitados médicos (inclusive judeus) que alertavam para o perigo do costume, e determinou a sua burocracia sanitária que adiasse qualquer veredicto. A questão fundamental, disse Bloomberg, era assegurar que a livre prática da religião não estivesse sendo infringida. Ou seja, como se o dever do Estado ou de um governante fosse garantir e defender a fé, a crendice e suas tradições, por mais insanas e absurdas que elas sejam, a despeito da vida humana de inocentes. A tradição é aquilo que um pastor de cabras do deserto de dois mil anos atrás pode influir certa manhã, às onze horas, na decisão de um executivo em Manhattan. Se já não resta nenhum argumento, sempre se pode tentar usar a tradição. O sono da razão produz monstros, e a falta de mudanças produz o sono da razão. Os circuncidados, na verdade, levam uma vantagem, sim; quem não gosta de usar cuecas, mas gosta de usar calças com zíper, sabe do que eu estou falando. "Pois o incircunciso e impuro NUNCA novamente deverão entrar em ti". (Isaías 52:1). Final do sexto e último capítulo.
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