terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O DEUS DE RUBEM ALVES ( XI )





Nessa série de vídeos, analiso a ideia do Deus de Rubem Alves. No momento, em destaque, seu livro “O Deus que conheço”, editora Verus, 2010. Na página 88, o doutor em teologia afirma:
“Ah! Tanta gente quer saber se acredito em Deus! (... ) Então, se eu respondesse “Acredito em Deus”, a outra pessoa se enganaria pensando que dentro do meu bolso eu guardo as mesmas coisas que ela guarda no seu. E concluiria mais: que sou uma boa pessoa. Mas, se eu  tivesse dito que não acredito em Deus, ela concluiria que não sou uma boa pessoa.”
Nessa passagem, mais uma vez, Rubem Alves mostra claramente que há milhares de deuses no planeta Terra. Insinua que existe até mesmo um deus pessoal para cada um. Bastante inteligente, Rubem diz que, diante da pergunta vazia e ingênua “Você acredita em Deus?”, há duas respostas possíveis: Acredito, e não acredito. Se Rubem disser “acredito”, a pessoa que fez a pergunta ficará pensando que o deus de Rubem é o mesmo deus dela. E, além disso, dirá que Rubem Alves é uma pessoa boa. Boa porque acredita no mesmo deus dela. Por outro lado, se Rubem disser “Não acredito”, a pessoa que fez a pergunta dirá que Rubem Alves não é uma boa pessoa. Não é uma boa pessoa porque não acredita no deus dela. Percebeu, leitor, como funciona a ilusão religiosa?
E é isso mesmo! Os deuses são muitos porque o homem os cria à sua imagem e semelhança. Por exemplo, quando um cientista qualquer afirma que acredita em Deus, o que dizem os cristãos? Ora, eles ficam felizes e afirmam que o cientista fulano de tal acredita no Deus da Bíblia. Só que o cientista não acredita no Deus da Bíblia. Não acredita que seu deus está brigando com Satanás, que seu deus adorava sacrifício, que seu deus sacrificou o próprio filho, que seu deus mora no céu ao lado de anjinhos, que seu deus vai mandar seu filho descer pelos céus para buscar os cristãos etc. Isto é, o deus de um cientista qualquer não é o mesmo deus que os cristãos guardam no bolso. E, quando um cientista qualquer diz que não acredita em deus, aí os cristãos dizem que esse cientista não é uma pessoa boa. Não é uma pessoa boa porque não acredita na mesma divindade dos cristãos.

O DEUS DE RUBEM ALVES ( X )



Nessa série de vídeos, analiso a ideia do Deus de Rubem Alves. No momento, em destaque, seu livro “O Deus que conheço”, editora Verus, 2010. Na página 70, o doutor em teologia afirma:
“Fui sabatinado por quatro jornalistas da Folha de São Paulo e por aqueles que estavam no teatro. Dos ouvintes, veio-me uma pergunta: “Você acredita em Deus?” Como a pergunta era vazia, perguntei: “Qual Deus? O perguntador ficou atrapalhado. Expliquei. “Porque há muitos deuses, cada um com a cara e o coração daquele que o tem dentro do peito. O Deus de São Francisco não era o Deus de Torquemada. São Francisco usava o fogo sagrado para aquecer a alma. Torquemada usava o fogo sagrado para churrasquear hereges. As fogueiras eram a diversão do povo”. A pessoa não soube me esclarecer. Aí eu tomei a iniciativa e confessei: “Sou um construtor de altares. Construo meus altares com poesia e música. Eu os construo na beira de um abismo profundo, escuro e silencioso...”
Você entendeu o recado de Rubem Alves, não é mesmo, leitor? Diz ele que estava num teatro, sendo sabatinado por quatro jornalistas. Auditório lotado. Uma pessoa, com o microfone, perguntou ao teólogo: “Você acredita em Deus?”. Diante dessa pergunta vazia e ingênua, Rubem Alves, que é doutor em teologia, fez-lhe outra pergunta: “Qual Deus?”. Quem realmente conhece religião, quem realmente estuda acerca de religião, faz a mesma pergunta feita por Rubem Alves. “Qual Deus?” Por quê? Ora, porque existem milhares de deuses na face da Terra. O homem é um criador de deuses. Como o homem tem visões diferentes, cria deuses diferentes. Os deuses variam conforme a imagem do povo que os cria. Cada povo faz seus deuses ao sabor de seus costumes.
Mesmo assim, diante da pergunta vaga de uma pessoa “Você acredita em Deus?”, Rubem Alves respondeu assim: “Sou um construtor de altares. Construo meus altares com poesia e música. Eu os construo na beira de um abismo profundo, escuro e silencioso.” No fundo, não era essa a resposta que a pessoa queria ouvir. Não sei se ela percebeu que Deus é apenas uma ideia, uma forma pessoal de viver.

O DEUS DE RUBEM ALVES ( IX )






Em 8 vídeos, fiz uma pequena abordagem acerca do vídeo que circula no mundo do “You Tube”, com o título: “Rubem Alves --- perguntaram-me se acredito em Deus”. Você, que acompanhou esses vídeos, já sabe que a ideia de Deus do teólogo Rubem Alves nada tem a ver com a ideia de Deus da teologia cristã. Ao contrário. Rubem Alves, que antes acreditava no Deus hebreu, depois de estudar bastante, inclusive concluindo o doutorado em teologia nos EUA, abandonou a religião cristã, passando a ser um crítico ácido da ideia religiosa de Deus. No fundo, deuses não passam de ideias fantasiosas da mente humana. É o homem que cria deuses à sua imagem e semelhança.
A partir desse vídeo, o nono, passo a analisar o livro “O Deus que conheço”, de Rubem Alves, editora Verus, 2010. Você, que está assistindo a esse vídeo, conhecerá mais elementos sobre a ideia de Deus de Rubem Alves, e tudo isso de forma gratuita. Na página 30, ele escreve:
“Lembro-me, com nítida precisão, do momento em que tive a percepção intelectual que libertou minha razão para pensar. Eu estava no seminário. Repentinamente, com enorme espanto, percebi que todas aquelas palavras que outros haviam escrito no meu corpo não haviam caído do céu. Se não haviam caído do céu, não tinham o direito de estar onde estavam. Eram demônios invasores. Abriram-se-me os olhos e percebi que essa monumental arquitetura de palavras teológicas que se chama teologia cristã se constrói, toda, em torno da ideia do inferno. Eliminado o inferno, todos os parafusos lógicos se soltariam, e o grande edifício ruiria.”
Eis uma grande verdade, não é mesmo? A teologia cristã, em sua essência, está apoiada no medo, no inferno. Não conquista fiéis pelo amor puro e cristalino, mas pela ameaça: se você não aceitar a Jesus como seu salvador pessoal perecerá para sempre no inferno. Rubem diz que, ainda no seminário, percebeu que essa doutrina não havia caído do céu. Que era produto do homem. Na página seguinte, 31, ele afirma:
“Hoje, as ideias centrais da teologia cristã em que acreditei nada significam para mim: são cascas de cigarra, vazias. Não fazem sentido. Não as entendo. Não as amo. Não posso amar um pai que mata o filho para satisfazer sua justiça. Quem pode? Quem acredita?”
                            Com razão, Rubem Alves! Dentre os males da teologia cristã, está o famigerado sacrifício humano, uma hediondez do mundo antigo. No mundo antigo, atolado num estado de selvageria, era comum o sacrifício de animais (humano e irracionais). Em sua completa ignorância, o homem matava animais irracionais e seres humanos para ofertá-los aos deuses. Esperava com isso que os deuses se acalmassem. E lamentavelmente a teologia cristã está justamente assentada num sacrifício, e pior, o sacrifício humano, em que um ser humano inocente é morto para que a divindade não se volte contra os reais pecadores. Isto é, um justo pagando pelos pecadores. Que hediondez, que injustiça! E, nessa teologia, a divindade perde sua onisciência, perde o juízo. É fácil ver que matar alguém inocente para não punir pecadores é um atestado de insanidade mental do homem antigo. E a teologia cristã se alimenta dessa fonte.
                              Demorou um pouquinho, mas Rubem Alves descobriu o absurdo!
                               Um abraço!


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A BÍBLIA E A ESTRELA MALUCA


Eustáquio
3/2/2016  




Caro leitor, Qualquer teólogo sério e qualquer estudioso sério da Bíblia sabem muito bem que ela está lotada de lendas, de Gênesis ao Apocalipse. Por essa razão, a Bíblia está infestada de ingenuidades, infantilidades e erros. Só para você, leitor, ter uma ideia, vou mostrar mais uma lenda bíblica que está no Novo Testamento, precisamente no livro de Mateus, acerca do nascimento de Jesus que, aliás, nunca foi o Cristo. Antes de entrar no assunto, veja, leitor, o que diz Millôr Fernandes (1923-2012) sobre a Bíblia. Millôr foi humorista, desenhista, escritor, poeta, tradutor, dramaturgo, jornalista e outras coisas mais. Em seu maravilhoso livro “Millôr Definitivo --- A Bíblia do Caos, L&PM Pochet, 2002, página 56, entre outras coisas, escreve o seguinte: “Se a Bíblia tivesse sido submetida aos críticos, todos teriam achado subliteratura sem pé nem cabeça. No princípio era a verba.” Millôr Fernandes tem toda razão quando diz, entre outras coisas, que a Bíblia tem lendas sem pé e sem cabeça. Para provar que ele está certo, veja, leitor, o que está escrito em Mateus, capítulo 2, versículos 1, 2 e 9: “ 1 Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias de Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. 2 E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo. 9. Depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela que viram no Oriente os precedia, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino.” A lenda acima foi uma criação ingênua do escriba que não se chamava Mateus. Mateus aí apenas por tradição. O que diz a lenda? Ora, ela diz que os magos vieram do Oriente para adorar o menino Jesus que havia nascido. E diz também que uma estrela era o guia deles. Ou seja, a estrelinha andava lá em cima um pouquinho, e os magos também andavam um pouquinho, sempre acompanhando o movimento da estrelinha. Muito bem, caro leitor! Veja agora a infantilidade da lenda acima. Vamos entrar no embalo dessa lenda. Ora, uma estrela inteligente não iria levar os magos a Jerusalém, onde residia o rei Herodes. Ao contrário, uma estrela inteligente iria levar os magos a Belém, sem passar por Jerusalém porque iria evitar a perseguição do rei Herodes. Em vez de ser inteligente, essa estrela era profundamente maluca. Levou os magos a Jerusalém justamente para despertar o ódio do rei Herodes. Você, leitor, está entendendo, não é mesmo? E veja, caro leitor, outra loucura da estrela! Ela não foi guia algum para os magos. Ou seja, a estrelinha também não sabia onde o menino Jesus havia nascido. Ela estava mais perdida que cego em tiroteio. E a prova está aí, no relato lendário de Mateus. Mateus diz que os magos chegaram a Jerusalém, perguntando onde estava o recém-nascido, ou seja, onde estava o menino Jesus. Que infantilidade, não é mesmo, caro leitor? Se os magos tivessem confiado na estrela, não teriam falado nada. Ficariam calados para não despertar o ódio do rei Herodes. Porém, eles perguntaram ao povo onde estava o menino porque a estrelinha não servia para nada. Como a estrela e os magos não sabiam de nada, o rei Herodes mandou fazer uma consulta sobre o local onde o menino havia nascido. Somente depois dessa consulta, é que a estrela maluca e os magos se dirigiram a Belém. Percebeu, leitor, as bobagens da lenda? E ainda há várias que mostrarei em outros artigos. Mateus criou essa lenda infantil para mostrar que Jesus era um perigo para o rei Herodes, que Jesus iria tomar o trono do rei Herodes, que Jesus iria ser rei em Israel. Tudo invenção de Mateus. Na verdade, Jesus nunca foi o Cristo, nunca foi rei em Israel, nunca ameaçou o governo de Herodes e de seus filhos. E também Jesus não nasceu em Belém, na Judéia, mas em Nazaré, na Galiléia. Essa verdade, que é do conhecimento de teólogos sérios, não chega aos fiéis, aqueles que frequentam igrejinhas. Eles não percebem os erros e as infantilidades mostradas acima.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O RABINO JONATHAN, A BÍBLIA E A HOMOSSEXUALIDADE



                       Eustáquio
                                                                                                              

                     Caro leitor,
                     A revista “Veja” do dia 15 de janeiro de 2014, nas páginas amarelas, traz uma entrevista com o rabino e filósofo inglês Jonathan Sacks. Entre outras coisas, o religioso fala acerca de judaísmo, de Bíblia hebraica, de homossexualidade, de alguns ateus famosos, do poder da oração, do conflito entre israelenses e palestinos etc.
                     Ao ler a matéria somente agora, depois de 2 anos, veio a mim a vontade de fazer alguns artigos acerca de alguns pontos da entrevista para mostrar a você, leitor, que as ideias religiosas levam facilmente as pessoas ao erro, ao absurdo. Neste artigo, analisarei a ideia religiosa de Jonathan Sacks sobre a homossexualidade. Na página 18, o jornalista Jerônimo Teixeira pergunta a Sacks qual é a posição judaica sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Veja, leitor, a resposta do rabino:

                    “Nossa posição é muito parecida com a católica: a Bíblia proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Portanto, não podemos admiti-lo.”

                   O psicanalista Sigmund Freud (1856-1939), também judeu, mas ateu, dizia que “a religião é uma neurose obsessiva universal da humanidade”. E Freud tinha toda razão! A afirmação acima do rabino Sacks é uma prova incontestável de que Freud realmente tinha razão. O que diz o rabino? Ora, ele diz que é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ou seja, que é contra a homossexualidade simplesmente porque a Bíblia proíbe. Você, leitor, percebeu a ingenuidade da afirmação do rabino? De acordo com o raciocínio dele, se a Bíblia proíbe uma coisa, então ele é contra essa coisa. Ou seja, se a Bíblia proíbe a homossexualidade, então o rabino é contra a homossexualidade.
                     Ora, ser contra a homossexualidade apenas porque a Bíblia a proíbe é assinar um atestado de pura ignorância, de puro desconhecimento da evolução da humanidade ao longo do tempo. A civilização hebraica viveu há muitos anos, no mínimo, há 4 mil anos, na região hoje conhecida por Oriente Médio. É público e notório o atraso dos costumes do povo hebreu se comparados aos costumes das civilizações ocidentais da atualidade. As civilizações egípcia, hebraica, grega, maia etc. foram marcadas por profundos atrasos que envergonham qualquer ser humano que vive no mundo ocidental: sacrifícios e holocaustos aos deuses, envolvendo seres humanos e animais irracionais, invasões e roubos de terra, matança indiscriminada de mulheres, crianças e velhos, destruição de sítios arqueológicos, estupros, intolerância religiosa etc. E tudo isso está registrado na Bíblia. E tudo isso fazia parte dos costumes daqueles povos, inclusive do povo hebreu. Era um mundo de profundo atraso!
                    Recorrer à Bíblia para condenar hoje a homossexualidade é simplesmente uma irracionalidade humana, uma “demência”, no dizer de Freud. O rabino Jonathan Sacks e os cristãos recorrem aos livros de Gênesis, Êxodo e Levítico para condenarem a homossexualidade. Ora, esses mesmos livros eram a favor da intolerância religiosa, ou seja, traziam como regra a matança ao fio da espada dos hebreus que viessem a adorar outros deuses. Já que o rabino e os cristãos são contra a homossexualidade porque é proibida, por exemplo, em Levítico, então deveriam invocar a mesma proibição para a liberdade religiosa que existe hoje no mundo ocidental. Você, leitor, está entendendo, não é mesmo? Serei mais claro! Se o rabino e os cristãos recorrem à Bíblia para condenarem a homossexualidade, deveriam pregar hoje também a intolerância religiosa porque esse monstro era regra na Bíblia. Se o rabino e os cristãos recorrem à Bíblia para condenarem a homossexualidade hoje, deveriam então recorrerem a ela também para condenar hoje a posição que a mulher ocupa no mundo ocidental, já que a mulher na Bíblia tinha uma posição inferior ao homem, comparada quase a mero objeto. No mundo da Bíblia, a mulher não podia nem falar em público. Obviamente, ninguém vê, no Brasil, religiosos cristãos invocando a Bíblia para calarem as mulheres brasileiras. Deveriam invocar a Bíblia para essa loucura porque as fontes são as mesmas. No mundo da Bíblia, a mulher podia ser traída pelo marido, mas não podia traí-lo. A prova está lá, em Êxodo, em Levítico. Ou seja, nos mesmos livros em que a homossexualidade era condenada. Ora, se o rabino e os cristãos invocam esses livros para condenarem a homossexualidade, deveriam invocar também os mesmos livros para aprovarem a infidelidade por parte do marido. Muitos homens iriam adorar esse discurso.
                       Percebeu, leitor amigo, a ignorância da afirmação do rabino Jonathan Sacks? É loucura tentar trazer costumes antigos de civilizações atrasadas para implementá-los num mundo evoluído como o que vivemos hoje. Costumes antigos devem ficar no passado. O mundo evolui.
                   Já pensou, amigo leitor, se aparece um louco aqui, no Brasil, invocando a Bíblia para restabelecer a escravidão?
                  



quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O PAPA FRANCISCO E O FÍSICO STEPHEN HAWKING



                       Eustáquio
                                                                                                               

                     Caro leitor,

                      Ontem, dia 19, pela manhã, aqui, em Brasília, fui a uma clínica a fim de buscar o resultado de exames realizados em minha próstata. Todos os anos, submeto-me a uma bateria de exames: próstata, sangue, urina, coração, diabetes etc.
                      Enquanto eu aguardava o chamado do médico, na sala de espera, peguei uma revista Veja entre várias que estavam ali, à disposição dos pacientes. A que estava em minhas mãos era do dia 1º de outubro de 2014. Na página 52, vi a matéria que me levou a fazer este pequeno artigo. Trata-se de duas frases: uma, do físico inglês Stephen Hawking; a outra, do papa Francisco. O médico, gentilmente, me deu a revista, e ela está aqui comigo.
                    Pois bem, caro leitor. Tenho, aqui, uma afirmação de um cientista (Hawking) e uma afirmação de um homem religioso (papa Francisco). Vou mostrar-lhe, leitor amigo, como a ideia religiosa leva facilmente o homem ao erro, ao absurdo, à fantasia, como já bem o dizia o psicanalista Sigmund Freud (1856-1939). Veja, leitor, primeiramente, a afirmação verdadeira do cientista Stephen Hawking:

                   “Antes de entendermos a ciência, era natural acreditar que Deus criou o Universo. Mas agora a ciência oferece uma explicação mais convincente.”

                     Você, caro leitor, entendeu o que diz acima o notável físico inglês Stephen Hawking, não é mesmo? Ora, ele diz a pura verdade, não é mesmo? O que ele está afirmando? Ora, ele está afirmando que, em épocas remotas, antes do aparecimento do conhecimento científico, era natural o homem acreditar em deuses e atribuir a eles todos os fenômenos que presenciava. Em sua ignorância, o homem criou deuses sob as mais diferentes formas. E, em sua imaginação, colocou esses deuses como os protagonistas de todos os fenômenos que presenciava. Por exemplo, quando um raio caía sobre uma pessoa, matando-a instantaneamente, o homem antigo entendia que aquilo era uma punição dos deuses. Da mesma forma, diante de um terremoto. Pensava que eram os deuses que estavam com muita raiva do comportamento dos membros da comunidade. Quanto ao Universo, o mesmo erro. Pensava que os deuses haviam criado a Terra, o Sol, a Lua, os rios, os mares etc. Ou seja, atribuía tudo aos deuses pelo simples fato de desconhecerem a natureza daqueles fenômenos. Com o aparecimento da ciência, caracterizada por um conhecimento sólido, racional, lógico, baseado em experiências, métodos de comparação, comprovação, experimentação etc., tudo mudou. A visão científica é completamente diferente da religiosa. Por exemplo, quando um raio cai sobre uma pessoa, matando-a instantaneamente, isso ocorre por causa da mera probabilidade. Quando chove, a incidência de raios é enorme. Muitos atingem o solo, causando desgraças e destruições. Não há deus algum por trás dos raios, com raiva de pessoas, de animais irracionais e de edifícios. Nos campos, devido à existência de várias árvores, os raios caem com mais frequência, matando inúmeros animais irracionais (bois, vacas, ovelhas, carneiros, cavalos). Não há deus algum por trás desses raios, com ódio mortal aos pobres animais irracionais. Percebeu, leitor, como a afirmação do cientista Stephen Hawking representa a pura verdade?
                   Infelizmente, já não posso dizer a mesma coisa diante da afirmação do papa Francisco. Nada pessoal contra o papa. Estou apenas analisando uma afirmação dele. Ei-la:

                    “Que ninguém pense que pode se escudar em Deus quando projeta e realiza atos de violência e abusos.”

                   O papa Francisco, segundo a revista Veja, pronunciou a frase acima quando estava visitando a Albânia. Ora, a frase do papa não tem sentido algum, não tem lógica alguma, não tem sustentação alguma, como é comum em frases de caráter religioso. Você, leitor, entendeu o que o papa diz acima? Ora, ele está dizendo que homem algum deve se apoiar em Deus para realizar atos de violência e abusos. Ou seja, segundo o papa Francisco, Deus nada tem a ver com violência e abusos. Veja, leitor, a ingenuidade das palavras do papa. A que Deus o papa se refere, já que temos hoje, no mínimo, 2 mil deuses? Ora, o papa se refere ao Deus hebreu, ao Deus da Bíblia. Pois bem! Agora vem a pergunta: será que o Deus hebreu era contra a violência e os mais diversos abusos? Para responder a essa pergunta, é fácil. Basta abrir a Bíblia, começando logo pelo livro de Gênesis, o primeiro. A própria Bíblia é a prova maior de que o papa não diz coisa por coisa. Nas lendas bíblicas, há um universo de violência e de abusos praticado pelo povo hebreu sob o comando do Deus Javé. Como é, então, que o papa diz que o Deus dele é totalmente contrário a atos de violência e de abusos? Ora, ele mesmo diz que o Deus dele é o da Bíblia. Percebeu, leitor, como a afirmação do papa carece de lógica? Ora, o papa, em suas missas, elogia Moisés, Josué, Davi e outros personagens bíblicos (lendários ou não). A própria Bíblia narra que Moisés, Josué e Davi praticavam atos de violência e abusos sob o comando e proteção do próprio Deus hebreu. Como então o papa Francisco pode afirmar que “ninguém pense que pode se escudar em Deus quando projeta e realiza atos de violência e abusos”.
                        Percebeu, leitor, a infantilidade do discurso religioso do papa Francisco, não é mesmo?
                      Em relação ao resultado dos exames relativos à minha próstata, o médico me deu os parabéns, afirmando que minha próstata é a mesma de um jovem de 18 anos. Segundo ele, eu jamais serei um homem prostático, ou seja, jamais sofrerei um câncer de próstata.

                     Fiquei feliz, óbvio!